Intérprete da vilã Perpétua na novela Tieta, exibida pela TV Globo entre 1989 e 1990, a atriz Joana Fomm construiu uma trajetória de décadas na televisão, no teatro e no cinema brasileiros. Na produção baseada no romance de mesmo nome do escritor Jorge Amado, ela deu vida à personagem moralista que guardava um segredo dentro de uma caixa branca. O trabalho colocou a artista entre os nomes centrais da teledramaturgia do país e segue lembrado pelo público em reexibições da obra.
A relação contratual de longa data com a TV Globo terminou em 2013, ano em que a emissora desligou a profissional de seu elenco fixo. Aos 85 anos, a artista mora no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, sob os cuidados do filho, Gabriel Fomm. Mesmo fora das produções diárias da televisão aberta, ela acompanha o meio artístico e mantém o reconhecimento conquistado ao longo da carreira.
O interesse do público pelo trabalho da veterana permanece ativo entre diferentes gerações de espectadores que acompanham a história da televisão. A programação de reprises de novelas antigas, como a própria trama de Tieta, recoloca em evidência a atuação da mineira e preserva seu espaço entre as principais atrizes dramáticas do país.
Estreia nos anos 1960 em Minas Gerais e consolidação com vilãs na televisão
Natural de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, Joana Fomm deu os primeiros passos na profissão artística durante a década de 1960. Ao longo dos anos seguintes, ela formou um currículo que abrange montagens teatrais, produções cinematográficas e participações constantes em telenovelas. A atuação em papéis de antagonistas complexas despertou a atenção de diretores e consolidou sua presença nas principais faixas de horário da teledramaturgia.
Um dos primeiros papéis de grande projeção nacional ocorreu em 1978, na novela Dancin’ Days, quando a atriz interpretou a personagem Yolanda Pratini. Na história, a figura arrogante e sofisticada retratava as tensões emocionais e sociais daquele período. Seis anos mais tarde, em 1984, ela voltou a se destacar como antagonista ao viver Lúcia Gouveia, uma mulher racista e cruel na novela Corpo a Corpo, trabalho que reforçou sua capacidade de construir personagens de perfil sombrio.
O ponto mais conhecido dessa sequência de antagonistas chegou entre 1989 e 1990 com a exibição de Tieta, novela na qual a personagem Perpétua alcançou repercussão em todo o território nacional. Na composição do papel, a atriz combinou elementos de hipocrisia, sarcasmo e humor para retratar a beata da ficção. O mistério em torno da caixa branca, objeto em que a viúva guardava uma parte íntima do marido morto, mobilizou a audiência da época e entrou para o arquivo de cenas históricas da televisão.
Desligamento da TV Globo em 2013 e participação na série Sob Pressão
Após décadas de trabalho contínuo na TV Globo, o vínculo de Joana Fomm com a empresa foi encerrado em 2013 por decisão da emissora. O anúncio do desligamento surpreendeu admiradores do trabalho da artista e a própria intérprete, que declarou em entrevistas ter se sentido desvalorizada com o fim do contrato. A saída ocorreu durante uma fase de reformulações internas no canal e coincidiu com um período em que a profissional lidava com questões de saúde.
A ausência de um contrato fixo não impediu o retorno pontual da veterana aos estúdios de gravação nos anos seguintes ao rompimento. Em 2019, ela realizou uma participação especial na série médica Sob Pressão, trabalho que marcou uma de suas raras aparições recentes na televisão. Com a redução dos convites para novos projetos audiovisuais, a atriz passou a sustentar sua rotina com os recursos da aposentadoria, vivendo ao lado do filho Gabriel Fomm.
Rotina aos 85 anos no Rio de Janeiro e planos para o cinema
Moradora do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, Joana Fomm leva uma rotina reservada aos 85 anos de idade. Apesar do afastamento das gravações regulares, a artista afirma que conserva a vontade de exercer o ofício que iniciou na década de 1960. Em declarações públicas sobre o futuro profissional, ela manifestou o interesse específico pelo cinema e disse desejar interpretar novamente grandes vilãs nas telas.
Mesmo aposentada oficialmente, a mineira mantém contato com o universo cultural por meio de entrevistas e de publicações em suas redes sociais. Nesses espaços, ela compartilha registros de sua trajetória, reafirma a ligação com a arte de atuar e acompanha a preservação da memória de seus principais trabalhos na dramaturgia.
Símbolo da obra de Jorge Amado e retorno no Vale a Pena Ver de Novo
Dentro da adaptação televisiva do romance de Jorge Amado, a beata Perpétua funcionou como a representação direta do moralismo e da hipocrisia na trama de Tieta. O recurso narrativo da caixa branca, onde a personagem escondia o segredo referente ao falecido marido, manteve o interesse dos telespectadores ao longo dos capítulos exibidos entre 1989 e 1990. A combinação de ironia e comicidade na condução das cenas ajudou a fixar a obra do escritor baiano no horário nobre e definiu o papel mais lembrado da carreira da intérprete.
A reexibição de Tieta na faixa Vale a Pena Ver de Novo foi programada para apresentar novamente a história ao público da televisão aberta. O retorno da produção à grade de programação permite que espectadores mais jovens conheçam o desempenho da atriz como a rival da protagonista e mantém em circulação um dos trabalhos centrais de sua biografia profissional.
Prêmios recebidos e marcos da trajetória artística na televisão
Ao longo de mais de cinco décadas de atividade, o trabalho de Joana Fomm na televisão reuniu prêmios da crítica especializada e participações em produções que marcaram época. Os principais pontos dessa carreira incluem:
- Atuação em papéis de destaque nas novelas Dancin’ Days, de 1978, Corpo a Corpo, de 1984, e Tieta, exibida entre 1989 e 1990.
- Construção de antagonistas complexas que combinaram dramaticidade, ironia e características humanas.
- Presença em adaptações para a televisão de romances escritos por Jorge Amado, contribuindo para a difusão popular dos livros do autor.
- Conquista de premiações tradicionais da crítica e do setor televisivo, entre elas o Troféu Imprensa e o Prêmio APCA, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
Tratamentos de saúde contra câncer de mama e crises de pânico
A caminhada profissional da intérprete também registrou interrupções provocadas por quadros clínicos que exigiram tratamento médico especializado. Em momentos distintos da vida, a atriz enfrentou crises de pânico e recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Essas condições de saúde impuseram afastamentos temporários dos palcos e dos estúdios de gravação, mas foram superadas pela artista, que retomou as atividades após os períodos de recuperação.
Além das questões médicas, o encerramento do vínculo com a TV Globo em 2013 exigiu que a profissional lidasse com as mudanças do mercado de trabalho audiovisual após décadas de estabilidade na mesma empresa. Fora do quadro fixo da emissora carioca, ela manteve a defesa de sua história na dramaturgia e seguiu reconhecida por colegas de profissão e pelo público.
Bastidores da criação de Perpétua e o retrato social em Dancin’ Days
Os bastidores das novelas que consagraram a atriz guardam detalhes sobre o processo de composição das personagens e sobre o diálogo das tramas com a sociedade de cada década. Entre os fatos registrados sobre esses trabalhos estão:
- A concepção da caixa branca de Perpétua partiu do humor ácido de Jorge Amado, que utilizou o objeto misterioso para simbolizar a falsidade moral da vilã em Tieta.
- Durante o período de gravações entre 1989 e 1990, a própria Joana Fomm colaborou na criação dos trejeitos da beata, sugerindo a postura corporal rígida e a entonação carregada de julgamento nas falas.
- Na novela Dancin’ Days, exibida em 1978, a personagem Yolanda Pratini foi estruturada para refletir as transformações sociais da década de 1970, expondo o choque entre costumes conservadores e a modernidade.
Permanência das obras na memória do público e nas novas gerações
As composições dramáticas deixadas por Joana Fomm nas décadas de 1970, 1980 e 1990 permanecem como referência de estudo e inspiração para atores e atrizes que ingressam na teledramaturgia. Enquanto suas vilãs continuam presentes no imaginário popular, a volta de Tieta à programação televisiva oferece uma nova oportunidade para que o público acompanhe o trabalho de uma das profissionais que ajudaram a construir a história das novelas no país.
