Kassio Nunes Marques afirma que liminar de Zanin dificultou votação

5 min de leitura
Ministro Zanin - Ton Molina/NurPhoto via Getty Images Foto: Ministro Zanin - Ton Molina/NurPhoto via Getty Images

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (25), em Brasília, que a decisão liminar do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar a votação do segundo turno gerou dificuldades operacionais ao processo eleitoral. A medida ampliou em duas horas o funcionamento das seções, estendendo o prazo final das 17h para as 19h, mas não alterou o resultado da eleição presidencial.

Em entrevista coletiva para apresentar o balanço do pleito de 25 de outubro de 2026, o magistrado relatou que a determinação judicial chegou após as 17h, quando o horário oficial de votação já havia terminado. “A decisão proferida após o horário de encerramento da votação gerou dificuldades no processo eleitoral. Assim que recebi o pedido de prorrogação do horário da votação, por volta das 15h30, busquei informações técnicas, apesar de não haver normativo que autorizasse qualquer prorrogação”, declarou Kassio Nunes Marques.

Ministro Zanin - TV Justiça
Foto: Ministro Zanin – TV Justiça

Bloqueio de boletins de urna pelo TSE e impacto técnico

Como a ordem liminar de Cristiano Zanin foi proferida às 17h01, um minuto após o fechamento regulamentar, milhares de urnas eletrônicas pelo país já tinham sido encerradas pelos mesários e não podiam ser reabertas por impedimento técnico de programação dos equipamentos. Diante desse limite operacional, Kassio Nunes Marques referendou a determinação orientando que somente as seções eleitorais que ainda estivessem abertas mantivessem a coleta de votos até as 19h.

Veja também: Eleições 2026: voto passa por registro isolado na urna e rede privativa até a soma no TSE

Para impedir que integrantes da própria Justiça Eleitoral tivessem acesso antecipado aos dados de votação enquanto eleitores ainda iam às urnas em parte do território nacional, a corte precisou travar temporariamente os sistemas de recepção e divulgação dos resultados parciais. Essa suspensão gerou um acúmulo excepcional de arquivos nos servidores, mas a equipe técnica do tribunal retomou o processamento normalmente após o novo encerramento, às 19h, sem prejuízo ou modificação na totalização dos votos.

“Tivemos de promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE“, disse o presidente da corte eleitoral.

Confira também: Cristiano Zanin prorroga votação até 19h e leva TSE a pausar a apuração

O ministro acrescentou que a resposta operacional garantiu a integridade da apuração. “Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, afirmou.

Pedido de Luiz Inácio Lula da Silva e denúncias em 10 estados

A ampliação do horário foi solicitada inicialmente ao TSE pela campanha do presidente da República reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após o registro de denúncias sobre restrição na oferta de transporte público gratuito para eleitores. Os relatos de falta de ônibus envolveram municípios localizados em 10 unidades da federação: Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia.

Antes de tomar qualquer decisão sobre o requerimento apresentado pela coligação petista no meio da tarde, Kassio Nunes Marques consultou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), as prefeituras das cidades citadas e o corpo técnico do TSE para avaliar a viabilidade do pedido. Diante da ausência de uma definição imediata por parte da presidência da corte eleitoral, o PT acionou diretamente o Supremo Tribunal Federal, onde obteve a liminar favorável assinada por Cristiano Zanin.

Falta de precedentes no TSE e apuração sobre transporte

Durante a coletiva de imprensa em Brasília, Kassio Nunes Marques destacou que o tribunal nunca havia registrado uma extensão do período de coleta de votos em eleições anteriores nem dispunha de regras prévias para disciplinar o procedimento em tempo real. “Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação. Não seria possível, em poucas horas, construir um juízo de certeza de que nenhum efeito colateral, especialmente no aspecto tecnológico advindo de uma decisão judicial, viesse a impactar significativamente a apuração”, declarou.

O magistrado ponderou sobre a necessidade de planejamento técnico para medidas dessa natureza. “Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, ela tem que ser calculada e estruturada”, afirmou o ministro.

Apesar das críticas ao momento em que a ordem foi emitida, o presidente do TSE assegurou que todas as queixas sobre falhas na frota de ônibus no domingo da votação serão investigadas. “A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição a quem nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral”, disse.

Resultado do segundo turno presidencial de 2026

Mesmo com o atraso inicial no processamento dos dados por causa do bloqueio temporário dos boletins de urna, a totalização confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL), garantindo ao petista o seu quarto mandato presidencial. Às 22h10 de domingo (25), com 99,97% das seções apuradas em todo o país, o placar oficial registrava 51,78% dos votos válidos para Lula contra 48,22% para Flávio Bolsonaro.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas