MME e ONS descartam volta do horário de verão em 2026 e 2027

Relógio conceito de horário de verão

Relógio conceito de horário de verão - Foto: Eucalyptys/istock

O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão responsável pela coordenação da geração e transmissão de energia, concluíram os estudos técnicos e descartaram o retorno do horário de verão para o ciclo 2026/2027. Suspensa desde 2019, a alteração nos relógios permanece fora dos planos governamentais porque perdeu a capacidade de gerar economia relevante na rede elétrica. Os levantamentos mostram que o pico de consumo ocorre por volta das 15h, puxado pelo acionamento de aparelhos de ar-condicionado.

As análises que barram a retomada da medida rebatem boatos sobre uma possível mudança nos fusos. De acordo com a avaliação oficial, os reservatórios das usinas hidrelétricas operam em patamares favoráveis, condição que assegura o abastecimento sem exigir intervenções no relógio da população.

  • Deslocamento da curva de carga elétrica observada desde 2019.
  • Efeito neutro nos custos operacionais do Sistema Interligado Nacional (SIN), rede de produção e transmissão do país.
  • Acompanhamento contínuo realizado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).
  • Presença de lâmpadas de tecnologia LED em mais de 70% dos domicílios.

Ar-condicionado desloca pico de carga para o período da tarde

A transformação no comportamento das famílias e das empresas esvaziou o resultado prático do adiantamento de uma hora. Quando o mecanismo foi desenhado, a maior sobrecarga nas linhas de transmissão acontecia ao anoitecer, no momento em que a iluminação pública e residencial coincidia com o funcionamento comercial. Nas medições vigentes, a exigência máxima recai sobre o meio da tarde.

O uso disseminado de equipamentos de refrigeração concentrou a pressão energética nas horas mais quentes do dia, enquanto a troca por lâmpadas de LED diminuiu o peso da iluminação noturna. Diante desse quadro, os relatórios do ONS apontam que o ganho obtido com a mudança horária ficaria abaixo de 0,5% no horário de ponta. Enquanto nas décadas passadas a medida chegava a abater até 5% da demanda noturna, os cálculos vigentes indicam efeitos neutros ou até negativos devido ao calor vespertino.

Decreto de Getúlio Vargas criou a regra em outubro de 1931

A primeira experiência oficial para aproveitar a luminosidade natural no território nacional foi estabelecida pelo então presidente Getúlio Vargas por meio do Decreto nº 20.466, assinado em 1º de outubro de 1931, com vigência inicial entre 3 de outubro de 1931 e 31 de março de 1932. Acionada de forma alternada ao longo das décadas seguintes, a regra deixou de valer por decreto presidencial em 2019.

Saiba mais: Horário de verão segue suspenso em 2026 e 2027 após estudos do ONS e decisão do MME

Durante o intervalo compreendido entre 2010 e 2018, o adiantamento oficial proporcionou uma redução média de custos calculada em R$ 1,4 bilhão para a operação elétrica. O encerramento da política pública ocorreu logo após os primeiros laudos técnicos comprovarem a neutralidade energética da iniciativa.

Horário de verão – Foto: Daniel Tamas Mehes/istock

Expansão das fontes solar e eólica sustenta recordes de demanda

A ampliação das usinas solares e eólicas reconfigurou a matriz energética e atende parte expressiva do consumo concentrado às 15h. Em fevereiro de 2025, a rede nacional chegou a registrar uma demanda recorde de 103.785 megawatts (MW) exatamente às 14h42, patamar absorvido pela infraestrutura em operação. A entrada dessas fontes renováveis afasta a necessidade de medidas provisórias sobre o fuso horário.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já havia declarado a existência de segurança energética para atravessar as oscilações climáticas sem alterar os ponteiros. Mesmo com o registro de temperaturas recordes medidas desde 1961 e após a confirmação de suprimento nas avaliações estendidas até fevereiro de 2026, o planejamento para o ciclo 2026/2027 foca na expansão das linhas de transmissão. Uma revisão dessa diretriz pelo CMSE, que se reúne mensalmente, só entraria em pauta diante de uma crise severa de escassez hídrica.

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População mantém relógios fixos pelo sétimo ano seguido

Sem a decretação do adiantamento para a temporada 2026/2027, a população permanece com o fuso horário inalterado pelo sétimo ano consecutivo. Representantes dos setores de turismo, bares e comércio costumam defender a volta da regra para estimular o movimento de clientes ao final da tarde com a luz do sol, ao passo que debates sobre adaptação biológica e produtividade seguem entre especialistas de saúde.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e a equipe técnica do MME reiteram que a definição cruza dados de temperatura e de iluminação de maneira conjunta. O monitoramento permanente do setor elétrico prossegue nas reuniões mensais do governo federal para acompanhar o nível dos reservatórios ao longo de 2026 e de 2027.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.