Eleição presidencial de 2026 registra 35.521 votos após às 17h com prorrogação determinada pelo STF

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Urna eletrônica, Votação - Marcio Binow Da Silva/ istockphoto.com Foto: Urna eletrônica, Votação - Marcio Binow Da Silva/ istockphoto.com

Os registros de funcionamento das urnas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 35.521 votos para presidente foram computados após as 17h (horário de Brasília) no segundo turno da eleição presidencial realizado neste domingo (25) no Brasil. A extensão do horário de votação para as 19h foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o pleito terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma vantagem aproximada de 4,4 milhões de votos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O levantamento analisou os arquivos de 497.897 seções eleitorais em todo o país. Como o encerramento original estava previsto para as 17h, a maioria dos equipamentos já havia finalizado os trabalhos quando a ordem judicial foi emitida, o que levou Cristiano Zanin a esclarecer que a medida valia apenas para os locais ainda abertos. “Sem prejuízo das apurações necessárias oportunamente e suas consequências jurídicas, determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados, nos termos anteriormente mencionados”, declarou o ministro do STF.

Como funcionou a validação dos 35.521 votos no TSE

A prorrogação ordenada no âmbito da Reclamação 101.673/BA afetou diretamente os eleitores que ainda estavam em seções abertas após as 17h de 25 de outubro de 2026, garantindo duas horas extras para o exercício do voto até as 19h. Das 35.521 confirmações registradas nesse intervalo, 30.866 estão em seções cujos dados já foram conferidos com os boletins e possuem transmissão identificada como “Totalizado”, enquanto outros 4.655 votos permanecem em seções pendentes de validação, ainda sob análise da Justiça Eleitoral.

Para os eleitores que já haviam votado nas urnas encerradas às 17h, nenhuma nova ação foi necessária, pois os registros foram preservados e somados normalmente após as 19h. A verificação desses horários foi feita por meio dos arquivos técnicos gerados pelas próprias máquinas de votação, que operam com três conjuntos distintos de dados para assegurar a auditoria e o sigilo do processo: os Boletins de Urna (BUs), que apresentam o resultado público de cada seção; os Registros Digitais do Voto (RDVs), que armazenam os votos individualmente sem identificar o eleitor; e os logs, que funcionam como um histórico de eventos da máquina, gravando o instante exato em que cada voto foi confirmado.

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Nos arquivos de log das urnas não é possível identificar para qual candidato foram dados os 35.521 votos registrados após as 17h.

Cronologia dos pedidos e da decisão no domingo de eleição

As duas coligações presidenciais acionaram a Justiça ao longo da tarde para ampliar o período de votação diante de ocorrências climáticas e de mobilidade urbana. Na capital de São Paulo, a campanha petista relatou que 60% da frota de ônibus estava em circulação, apesar de ordem judicial para operação de 100% dos coletivos, além de citar cobrança indevida de passagens e falhas na Bahia, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro. Já o grupo político do candidato do PL apontou tempestades e interrupções elétricas em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

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“As duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores, razão pela qual concedi a medida liminar”, afirmou Cristiano Zanin ao justificar a decisão.

  • 25 de outubro de 2026, 13h22 — Campanha de Luiz Inácio Lula da Silva protocola o primeiro pedido de extensão do horário citando falta de ônibus em municípios da Bahia.
  • 25 de outubro de 2026, 15h42 — Coligação de Lula amplia a solicitação e pede que a prorrogação da votação alcance todos os estados do país.
  • 25 de outubro de 2026, 15h50 — Campanha de Flávio Bolsonaro protocola pedido no TSE relatando chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia em cinco estados.
  • 25 de outubro de 2026, 17h00 — Encerramento original da votação; logo em seguida, sai a decisão do ministro Cristiano Zanin estendendo o prazo até as 19h.
  • 25 de outubro de 2026, 17h06 — O TSE suspende a divulgação e a totalização dos votos quando 1.225 seções (0,25% do total) estavam apuradas.
  • 25 de outubro de 2026, 19h00 — Fim do horário prorrogado e posterior retomada da totalização dos votos pelo TSE.

Virada de Lula no 2º turno e reação de Flávio Bolsonaro

O resultado oficial consolidado pelo TSE após as 19h confirmou a primeira virada da história das eleições presidenciais brasileiras e garantiu o quarto mandato a Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro turno do pleito de 2026, Flávio Bolsonaro havia terminado na liderança com 47,03% dos votos válidos, o que representava uma dianteira de cerca de 2,2 milhões de votos sobre os 45,16% obtidos por Lula na ocasião. Na votação decisiva deste domingo (25), o candidato do PT reverteu a desvantagem e alcançou 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), contra 48,21% (59.826.041 votos) do senador do PL.

O presidente do TSE e ministro do STF, Kassio Nunes Marques, confirmou a vitória de Lula, telefonou para os dois concorrentes ao término da contagem e declarou ter segurança no processo eleitoral. Nunes Marques explicou o procedimento técnico adotado durante as duas horas de suspensão, diferenciando a apuração individual de cada máquina da soma nacional. “Como a decisão foi proferida após as 17h, milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas e a sua programação impede a reabertura. Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”, disse o presidente da Corte Eleitoral.

Em pronunciamento após a divulgação dos números, Flávio Bolsonaro alegou quebra de isonomia com a decisão do STF e declarou que não reconhece o resultado. “É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou o senador.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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