Cientistas da colaboração Xenon1T registraram um excesso de 53 eventos não previstos pelo Modelo Padrão da física de partículas em um detector instalado a 1,4 quilômetro sob o maciço de Gran Sasso, na Itália. A assinatura energética, concentrada na faixa de baixas energias entre 1 e 7 quiloelétron-volts, representa a medição mais sensível já realizada na busca direta pela matéria escura. O fenômeno observado pode indicar a existência de novas partículas hipotéticas, como axions solares, ou apontar propriedades inéditas em neutrinos conhecidos.
A análise estatística dos dados contabilizou 285 eventos registrados no intervalo de análise, contra uma expectativa teórica de 232 ocorrências atribuíveis à radiação de fundo convencional.
Entre as explicações para a anomalia, a hipótese de axions solares alcançou significância estatística de 3,5 sigmas. Caso confirmada, essa possibilidade representaria a primeira detecção direta dessa partícula leve e neutra, além de elucidar a composição de frações substanciais da massa invisível do Universo.
Outra explicação envolve o momento magnético anômalo dos neutrinos, com índice de confiança fixado em 3,2 sigmas. O resultado exigiria revisar os parâmetros fundamentais que regem essas partículas subatômicas fundamentais.
A contaminação residual por trítio dentro do tanque de 3,2 toneladas de xenônio líquido permanece como alternativa não descartada. Uma concentração mínima desse isótopo de hidrogênio seria suficiente para mimetizar o sinal observado, mantendo o índice em 3,2 sigmas de significância.
Uma resposta definitiva depende do sucessor XenonnT, desenhado para operar com massa ativa ampliada e nível de ruído reduzido em dez vezes no laboratório subterrâneo italiano.
