MP denuncia 28 PMs por crimes na Megaoperação Contenção no RJPor Jeronimo Santos
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A Megaoperação Contenção, que completa um ano nesta quarta-feira (28), tem agora 28 policiais militares denunciados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). As acusações vão de obstrução de câmeras corporais a invasão de casas e furto de um fuzil apreendido na ação, que deixou 122 mortos, entre eles cinco policiais.
A operação foi deflagrada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio. Os crimes foram registrados pelas próprias câmeras que os agentes usavam no uniforme. Segundo o promotor Fábio Corrêa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), mais de 4 mil horas de imagens ainda estão em análise.
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Fuzil apreendido e casas invadidas entre as acusações
Uma das denúncias trata de um fuzil que deveria ter sido apreendido e acabou subtraído. Segundo o MPRJ, o armamento foi encontrado dentro de uma residência onde cerca de 25 homens já tinham se rendido.
Outras denúncias citam invasões de domicílio, furto de peças de um veículo que estava na comunidade e um picolé dentro da casa de um morador. Em março, o próprio MPRJ tinha informado oito denúncias contra 19 policiais militares, número que subiu desde então.
Câmeras foram cobertas ou desligadas em parte dos casos
Um levantamento do MPRJ, feito a partir da investigação independente do Gaesp, analisou os equipamentos de 51 policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Em 17% dos casos, os agentes retiraram as câmeras. Em 7,8%, há indícios de obstrução proposital. Em 82%, a análise preliminar indica uso correto.
Relatório da Defensoria aponta indícios de tortura
Um relatório da Defensoria Pública do Rio e do projeto Mirante, da Universidade Federal Fluminense (UFF), cita indícios de tortura, ameaças de morte e agressões a criminosos e moradores. Nas imagens analisadas, o promotor disse que dois casos chamaram a atenção: um corpo decapitado e um cadáver com tiros de curta distância. Segundo ele, as análises ainda não são conclusivas e serão cotejadas com os demais elementos da investigação.
Cinco policiais foram presos em novembro de 2025
Em 28 de novembro de 2025, a Corregedoria da Polícia Militar prendeu cinco policiais do Batalhão de Choque suspeitos de crimes durante a operação. Em dezembro, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que instaurou processo administrativo para avaliar a conduta de seis policiais, procedimento que pode resultar na exclusão deles da corporação.
Em 8 de outubro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o envio de 118 laudos da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República. Parte das gravações feitas pela PM ainda depende de nova etapa de perícia para ser analisada.















