Cinzas de Rosalina Ribeiro estão em igreja de Botafogo, no RioPor Jeronimo Santos
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As cinzas da portuguesa Rosalina Ribeiro estão depositadas em uma igreja de Botafogo, na Zona Sul do Rio, 17 anos depois de ela ser morta a tiros em Saquarema, na Região dos Lagos. O advogado e ex-deputado português Domingos Duarte Lima é acusado do homicídio, e o julgamento deve acontecer em Portugal.
Rosalina tinha 74 anos quando foi encontrada morta em 7 de dezembro de 2009. Ela era ex-secretária do empresário português Lúcio Tomé Feteira e, por 32 anos, sua companheira. Cinco dias antes do crime, havia programado uma viagem de volta a Portugal, com passagem marcada para 12 de dezembro, que nunca fez.
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Ex-secretária disputava herança de R$ 80 milhões no Brasil
Lúcio Tomé Feteira, dono de uma das maiores fortunas da Europa, morreu de causas naturais em 2000, aos 98 anos. Rosalina já havia conquistado, em Portugal, o direito de receber parte da herança dele. No Brasil, ela disputava com uma filha do empresário um espólio de R$ 80 milhões.
Cinzas foram levadas para uma igreja dedicada a Santa Teresinha
O corpo de Rosalina ficou três anos sepultado em uma gaveta do Cemitério São João Batista, em Botafogo, até a cremação, autorizada pela Justiça brasileira. O afilhado dela, Armando Manuel Custódio de Carvalho, de 71 anos, técnico em telecomunicações, não conseguiu levar os restos mortais para o túmulo dos pais, em Portugal. Por isso optou pela cremação.
Armando levou as cinzas para a Igreja de Santa Teresinha do Menino Jesus, frequentada por Rosalina, devota da santa. Ele afirmou que, se a morte tivesse sido natural, ela desejaria ser sepultada junto aos pais. Segundo o afilhado, a madrinha era uma pessoa afável e não tinha inimigos.
Polícia apontou suspeito após análise de multas e de rota de carro
Os comissários Aurílio Nascimento e Rogério Lima, da Delegacia de Homicídios da Capital, conduziram a investigação. A acusação do Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que Duarte Lima matou Rosalina porque ela se recusava a assinar uma declaração de que o advogado não havia recebido valores transferidos por ela. Meses antes do crime, a Justiça portuguesa recebeu um comunicado da União dos Bancos Suíços informando que parte do espólio fora transferida pela secretária, sem autorização dos herdeiros, para uma conta de Duarte Lima.
Segundo a investigação, o advogado desembarcou em Belo Horizonte em 5 de dezembro de 2009 e alugou um carro. No dia seguinte, seguiu para a Região dos Lagos. Multas registradas no trajeto entre Minas Gerais e o Rio ajudaram a identificar o veículo. A locadora confirmou o aluguel ao português.
Os policiais dizem que o carro foi devolvido sem o tapete do banco do passageiro, que teria sido descartado por estar sujo de sangue. Um rasgo na alça do vestido da vítima indicaria que ela foi puxada para fora do carro depois de baleada. Rosalina foi morta com tiros de revólver calibre 38, um no peito e outro no rosto.
Defesa diz que deixou a vítima em bar perto de Maricá
Duarte Lima não prestou depoimento no Brasil. Em documento enviado por fax à época, ele confirmou que esteve com Rosalina na noite de 7 de dezembro de 2009, em encontro marcado por telefone pela própria secretária. Segundo o advogado, a deixou em um bar nas proximidades de Maricá e Saquarema, perto de um hotel, na companhia de uma mulher loira.
A defesa sempre se opôs ao julgamento em Portugal e argumentou que os fatos ocorreram no Brasil. A procuradora do Ministério Público português, por sua vez, sustentou que julgar o caso no Brasil levaria à impunidade. Olímpia Feteira, filha do empresário, apresentou em Portugal uma denúncia criminal contra o advogado.
Julgamento em Portugal tem início previsto para novembro
Após anos de recursos, o processo foi remetido a Portugal, porque Duarte Lima é cidadão português e não pode ser extraditado para o Brasil. O julgamento será no Tribunal de Sintra. Em 2022, a sessão inicial foi adiada porque a Justiça brasileira não conseguiu notificar testemunhas no Brasil, e parte delas passou a ser ouvida por videoconferência.
Reportagens recentes indicam início do julgamento em novembro deste ano, sem data única entre elas. Ainda não há confirmação oficial do dia exato.
O podcast Quem matou Rosalina?, produzido pelo jornal O Globo em parceria com o Público e a Coimbra Coolectiva, estreia nesta quinta-feira (29). A idealizadora, a jornalista Vilma Reis, espera que a produção e o julgamento retomem o interesse por um caso que, quase 17 anos depois, ainda não tem sentença.















