Binance confirma invasão cibernética bilionária mas garante segurança aos clientesPor Carolina Costa
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A Binance registrou nesta quinta-feira (29) um ataque hacker com desvio estimado em US$ 5,5 bilhões de sua infraestrutura. Se a quantia for totalmente confirmada pelas autoridades e auditorias, a ação se consolida como a maior invasão contra uma corretora de criptoativos da história.
A exchange suspendeu temporariamente os saques de moedas digitais e as negociações de Alpha na plataforma, visando estancar a saída irregular de ativos. Em comunicado oficial direcionado aos clientes, a empresa declarou que as equipes de cibersegurança foram mobilizadas imediatamente para investigar a extensão da invasão e assegurou que o patrimônio dos correntistas permanece intacto. O fundador da corretora, Changpeng Zhao, reforçou a proteção dos saldos e ressaltou que a companhia mantém mais de US$ 144 bilhões em ativos sob custódia global.
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Emissoras de stablecoins entraram em operação coordenada para bloquear as carteiras utilizadas pelos invasores no momento das transferências. O presidente-executivo da Tether, Paolo Ardoino, comunicou o congelamento de US$ 1,567 bilhão em ativos vinculados ao ataque. A Circle, responsável pela gestão da moeda digital USDC, aplicou restrições e reteve outros US$ 823 milhões desviados.
O levantamento das carteiras apontou grande diversificação nas moedas drenadas durante a brecha de segurança:
- US$ 1,57 bilhão na stablecoin USDT
- US$ 1,45 bilhão em bitcoin
- US$ 875 milhões em ether
- US$ 823 milhões na stablecoin USDC
- US$ 234 milhões em TRX
- US$ 88,75 milhões na stablecoin RLUSD
- US$ 75 milhões em wrapped beacon ETH
- US$ 50 milhões em tether gold
- US$ 447,5 milhões em outros criptoativos menores
O impacto no ecossistema e incidentes simultâneos
A ofensiva cibernética ocorreu de maneira simultânea a outro incidente no mercado digital. Na mesma data, a plataforma descentralizada de apostas e previsões Polymarket também enfrentou uma violação cibernética, com perdas calculadas em cerca de US$ 2,5 milhões retirados de contas de usuários.
O montante drenado da Binance supera expressivamente os maiores ataques já documentados na indústria de moedas digitais. Em 2025, o recorde anterior foi registrado na exchange Bybit, quando criminosos ligados à Coreia do Norte desviaram US$ 1,5 bilhão. Além disso, a corretora Bitget havia comunicado a perda de US$ 351,6 milhões em invasão recente.
Pedido de licença ao Banco Central brasileiro
A ocorrência de segurança coincide com o prazo final estabelecido pelo Banco Central do Brasil para a regularização do setor. A Binance deu entrada formal no processo regulatório para atuar como Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais no território nacional. Pela norma vigente, todas as operadoras que atuam com ativos virtuais no país têm até sexta-feira (30) para solicitar a autorização obrigatória.
O diretor-geral da companhia no Brasil, Thiago Sarandy, afirmou que a instituição atende às exigências de conformidade da autoridade monetária e busca expandir o portfólio no mercado interno. A instituição projeta incorporar serviços bancários tradicionais, como processamento de boletos, câmbio e remessas internacionais, ampliando a estrutura já iniciada com a integração de transações via Pix e liquidação em moeda corrente.
A retomada integral dos saques e das ferramentas de negociação depende da conclusão da revisão técnica dos sistemas de verificação da Binance.















