Seguradoras excluem riscos de inteligência artificial das apólicesPor Jeronimo Santos
3 min de leitura
![]() |
Seguradoras passaram a excluir danos ligados à inteligência artificial de apólices corporativas, e empresas que usam IA ficaram com menos proteção. Desde 1º de janeiro de 2026, cláusulas padronizadas da ISO, ligada à Verisk, permitem retirar da responsabilidade civil geral os prejuízos causados por IA generativa.
A exclusão é opcional, mas várias seguradoras já a adotaram em poucas semanas. A Chubb chegou a pedir autorização a reguladores dos Estados Unidos para excluir formalmente responsabilidades ligadas à IA de seus contratos.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Cláusulas da ISO passaram a valer no início de 2026
São três endossos para a responsabilidade civil geral comercial: CG 40 47, CG 40 48 e CG 35 08. Advogados que analisaram o texto avaliam que a redação é muito ampla, porque pode alcançar qualquer sinistro em que a IA generativa esteja, de algum modo, envolvida.
As exclusões já em circulação nos Estados Unidos são estas:
- CG 40 47 e CG 40 48: exclusão de IA generativa na responsabilidade civil geral comercial
- CG 35 08: terceira cláusula da ISO para o mesmo tipo de apólice
- Forma PC 51380, da Berkley: exclusão absoluta em D&O, E&O e responsabilidade fiduciária
Berkley vai além e exclui IA de apólices de D&O e E&O
A forma PC 51380 retira da cobertura qualquer sinistro ligado ao uso, à implantação ou ao desenvolvimento de inteligência artificial. Corretores que leram o texto o descrevem como uma exclusão de alcance amplo, e não cirúrgico.
Mercado começa a vender seguro para erros de IA
Parte do setor vai na direção contrária. Produtos de erros e omissões (E&O), comuns em serviços profissionais, passaram a incluir falhas de IA, como decisões erradas de sistemas automatizados e alucinações que causem perda financeira direta.
A Armilla, por exemplo, testa os modelos antes de se comprometer com a cobertura. A Deloitte estima que o volume de prêmios desse tipo de seguro possa chegar a US$ 4,8 bilhões no mundo até 2032.
Adoção de IA avança mais rápido que a capacidade de precificar
Freddie Scarratt, vice-diretor global de InsurTech da Gallagher Re, afirmou que a adoção da IA correu mais rápido do que a capacidade do mercado de entender e precificar os riscos que ela cria. Para ele, só a ação coordenada entre seguradoras, resseguradoras e empresas deve reduzir essa lacuna.















