Inteligência artificial nas escolas: MEC prepara resolução nacional com diretrizes em 2026Por Luís Henrique Costa
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Uma resolução nacional sobre inteligência artificial no ensino está em preparação pelo Ministério da Educação (MEC). Ao mesmo tempo, professores das redes pública e privada relatam o uso da tecnologia para engajar alunos e aliviar tarefas burocráticas. O relato foi feito no Dia do Professor, 15 de outubro de 2026.
Em nota oficial, a pasta informou que o documento vai servir de referência para gestores e redes de ensino em todo o território nacional. A publicação no Diário Oficial da União, porém, ainda não tinha data confirmada. O ministério afirmou que a norma criará um “parâmetro nacional unificado” para o uso ético da IA em todas as etapas de ensino. Antes disso, em abril de 2026, o MEC já havia lançado o documento orientador Inteligência Artificial na Educação Básica.
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Como docentes de Campinas e Taguatinga aplicam a IA em sala
Em Campinas (SP), a professora Giovanna Macedo usou o ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial generativa, para transformar fotos de alunos do 4º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink. As imagens, feitas em 2025, mostram as crianças no futuro exercendo profissões escolhidas por elas, como astronauta, jogador de futebol, veterinária, bailarina, cantor e artista.
O vídeo com a reação da turma se espalhou pelas redes sociais. Sem formação específica em tecnologia, a educadora usa os recursos de forma intuitiva para criar materiais visuais e planeja cursar uma especialização em metodologias e didática. “Para mim, como professora, é muito significativo criar situações em que os alunos se sintam valorizados”, afirmou Giovanna Macedo.
Para a docente, o foco do trabalho vai além do domínio técnico da ferramenta. “Mais do que utilizar uma tecnologia nova, nosso papel é encontrar formas de despertar a curiosidade das crianças”, disse. Ela declarou esperar que a iniciativa inspire outros educadores a explorar novas metodologias.
No Distrito Federal, o professor de computação gráfica Jaime Guilherme de Oliveira dá aulas no Centro de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional (CEMI), em Taguatinga, onde muitos jovens não têm computador em casa. Depois de cursos na Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (EAPE), vinculada à Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, ele criou com o auxílio do ChatGPT o jogo interativo Arena ABNT. O jogo ensina as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas para trabalhos acadêmicos.
Além de jogos e conteúdos para aulas expositivas, Oliveira usa sistemas automatizados para adaptar avaliações a estudantes com neurodivergências ou necessidades específicas. Para ele, quem opera a tecnologia em sala precisa ter propósito claro para evitar entregas superficiais. “Quando existe uma intenção clara, a ferramenta amplia o alcance de quem já tem algo a dizer”, declarou Jaime Guilherme de Oliveira.
Os números por trás das experiências em sala de aula
- 31 alunos: estudantes de 9 e 10 anos do 4º ano da Escola Estadual Professor Carlos Cristovam Zink que participaram da atividade em Campinas (SP).
- 27 anos de idade e 8 anos de carreira: idade da professora Giovanna Macedo e tempo no magistério, iniciado em 2018.
- 14 a 18 anos: faixa etária dos alunos do ensino médio atendidos pelo professor Jaime Guilherme de Oliveira no CEMI de Taguatinga (DF).
- 13 anos: tempo de atuação do professor Marcio Luiz Dias na formação continuada em tecnologias educacionais na rede pública do Distrito Federal.
Formação docente e limites da tecnologia na rotina das escolas
Especialistas em educação apontam que o avanço dessas ferramentas exige preparo técnico e mediação crítica. O professor Marcio Luiz Dias, mestre e doutorando na área, trabalha na capacitação de docentes da rede pública do Distrito Federal. Ele observa que a velocidade das transformações digitais faz o currículo das licenciaturas não acompanhar as novidades em tempo real.
Segundo o formador, a orientação nas escolas do DF busca superar o uso mecânico dos programas e combater a desinformação e os golpes digitais. Ele citou o Currículo em Movimento das Escolas Públicas do DF, que prevê uso “crítico, colaborativo e focado na intencionalidade pedagógica”, afirmou Marcio Luiz Dias.
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O educador explicou que a automação de tarefas administrativas e repetitivas libera tempo para o professor estudar, planejar aulas e acompanhar cada estudante. Na rede privada, a diretora-geral da Start Anglo Bilingual School, no Rio de Janeiro (RJ), Kassula Correa, defende que a transição valorize a bagagem analógica dos professores, com livros, quadro e papel. Ela também afirma que o ritmo de aprendizagem de cada turma precisa ser respeitado.
Kassula Correa alertou que a familiaridade das crianças com aparelhos eletrônicos não garante domínio sobre a qualidade do conteúdo acessado. “Uma criança pode ter facilidade para mexer no celular e, ainda assim, não saber pesquisar com profundidade”, disse. Para ela, o julgamento humano segue indispensável na avaliação escolar.
O que prevê a norma do CNE e o retrato da conectividade nas escolas públicas
O parâmetro nacional citado pelo MEC tem como base as Diretrizes Orientadoras da Utilização da Inteligência Artificial na Educação Brasileira, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 1º de setembro de 2026. O texto aguarda homologação ministerial e prevê proibições assim que for publicado no Diário Oficial da União.
As normas vedam o uso de IA para corrigir e atribuir notas a redações e provas dissertativas em qualquer etapa de ensino. Também proíbem o acesso direto e sem supervisão às ferramentas por crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, que vão até o 5º ano.
A aplicação prática depende de infraestrutura física e digital, acompanhada pelo MEC por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec). Os dados do painel oficial, coletados entre abril e maio de 2026 pelo Simec e pelo PDDE Interativo, sistemas federais de gestão e repasse de recursos educacionais, mostram a situação até julho de 2026.
- 108.658 escolas públicas, ou 78,7% das 138.086 unidades monitoradas pela Enec, estão nos níveis 4 e 5 do Indicador Escolas Conectadas (Inec), que vai do nível 0 ao 5.
- 136.602 escolas públicas, ou 98,9% do total monitorado, tinham condições adequadas de energia elétrica em julho de 2026.
- 79,7% das escolas monitoradas têm velocidade de internet adequada para uso pedagógico.
- 80,7% das escolas monitoradas têm cobertura de rede Wi-Fi dentro dos parâmetros definidos pelo governo federal.
Os sistemas de ensino e as instituições educacionais terão 12 meses para se adequar às novas diretrizes após a publicação oficial da resolução pelo MEC. A pasta ainda não havia confirmado a data dessa publicação.















