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Uma fêmea de baleia-bicuda-de-cuvier passou dias ao lado do próprio filhote morto e o empurrou para a superfície repetidas vezes, em um caso registrado no Golfo de Bizkaia, no norte da Espanha, em 2023. A observação foi feita por pesquisadores que a descreveram na revista Marine Mammal Science.

Os autores do artigo são Vidal Martín, Gorka Ocio, Jon Hidalgo e Enrique Talledo. Ocio é responsável pelo site Verballenas.com, e disse à Onda Vasca estar satisfeito em contribuir com o conhecimento sobre esses cetáceos.

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Fêmea empurrou o corpo do filhote à superfície no Golfo de Bizkaia

A observação foi feita a partir de um barco de turismo. A equipe viu uma fêmea adulta e um filhote, que flutuava morto na superfície, enquanto a mãe permanecia por perto. A dupla já havia sido vista no dia anterior.

Segundo o IFLScience, o filhote estava morto havia cerca de 48 horas quando foi avistado. O comportamento de sustentar o corpo com o dorso, chamado de display carrying, já foi registrado em outras espécies de cetáceos.

A baleia-bicuda-de-cuvier passa a maior parte da vida em mar profundo

A espécie costuma fazer mergulhos prolongados que passam de 1.000 metros de profundidade e podem durar até duas horas. Por isso, permanecer na superfície por tanto tempo chamou a atenção dos pesquisadores.

  • Profundidade típica dos mergulhos: acima de 1.000 metros.
  • Duração máxima de mergulho citada: até duas horas.
  • Tamanho típico dos adultos: de 4,5 a 7 metros.

Há outra explicação para o comportamento da mãe

Nem todos os cientistas leem a cena como luto. Uma hipótese é que a mãe tentava estimular o filhote a respirar, sem saber que ele já havia morrido. Os pesquisadores lembram que, em outros cetáceos, mães erguem os recém-nascidos com o corpo para que eles façam a primeira respiração.

Essa leitura não exclui o vínculo afetivo, mas mostra que a interpretação ainda não está fechada. Não há como confirmar, só pela observação, o que a mãe sentia ou entendia naquele momento.

Por que o caso é considerado raro

Pesquisas com golfinhos e orcas já registraram comportamentos parecidos, com mães carregando filhotes mortos por dias. O caso da baleia-bicuda-de-cuvier é diferente porque a espécie é pouco observada e raramente aparece na superfície.

Segundo a equipe, o registro é o primeiro desse tipo de comportamento na família Ziphiidae, grupo de baleias que inclui as bicudas.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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