Democratas vencem eleição nos EUA e derrotam Trump no CongressoPor Luís Henrique Costa
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Os democratas venceram a maioria da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro de 2026, e derrotaram o presidente Donald Trump. A apuração ainda não está fechada: na contagem parcial do Senado, os democratas tinham 54 cadeiras, os republicanos 44, e 2 seguiam sem definição. Na Câmara, eram 231 democratas, 144 republicanos e 60 sem definição.
Antes da votação, os republicanos tinham maioria de 53 a 47 no Senado. Uma estimativa com todas as bancas definidas dava 258 cadeiras aos democratas e 177 aos republicanos na Câmara. Com Alaska e Mississippi ainda pendentes, não é possível afirmar a maioria final no Senado.
As eleições de meio de mandato, chamadas em inglês de midterms, renovam toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado, no meio do mandato do presidente. Governos costumam evitar comentar o resultado de eleições desse tipo em outros países, mas as reações desta vez apareceram em várias capitais.
Continue lendo: Midterms 2026 nos EUA: renovação no Congresso ameaça planos de Donald Trump e põe maioria em xeque
Kiev e Berlim: alívio e elogio à vitória democrata
Em Kiev, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já dizia antes da eleição que o apoio bipartidário em Washington estava mais forte do que no último ano e meio. Na Alemanha, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, saudou uma “vitória histórica” e afirmou que a cooperação com Washington não muda e que Berlim vai conversar com os dois partidos.
Pequim vê alavancagem em negociações comerciais com a trégua vencendo em janeiro
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, classificou a eleição como “assunto interno” dos Estados Unidos. Analistas ouvidos para a reportagem avaliam que Pequim pode usar a fragilidade política de Trump em negociações comerciais, com a trégua entre os dois países vencendo em janeiro. O governador de Ontário, Doug Ford, afirmou que o Canadá ganha “um pouco mais de alavancagem”.
Moscou e Jerusalém: Kremlin espera manter esforços de paz e Netanyahu se cala
Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, chamou o resultado de “assunto interno” e disse esperar que Trump mantenha os “esforços de paz”. Em Jerusalém, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que apoiou abertamente os republicanos, ficou em silêncio. Seus rivais Yair Golan e Yair Lapid se manifestaram, e Lapid disse que o resultado mostra “o quão tóxico” Netanyahu se tornou entre democratas e republicanos.
Trump teria prometido suspender US$ 4 bilhões de ajuda anual a Israel na véspera da votação, para tirar dos democratas um “mau argumento”. A informação ainda não foi verificada em fonte independente.
Irã: Ghalibaf diz que os americanos rejeitaram a guerra
No Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, principal negociador do país, escreveu que “os americanos disseram NÃO à guerra” e afirmou que Teerã endossa essa mensagem. Ele advertiu que, se o governo dos EUA ignorar o recado, o “não” virá com um “pesadelo”. O próprio Trump admitiu que a guerra pesou na eleição, porque os eleitores não estavam prontos para “a consequência de curto prazo do preço da gasolina”.
ONU: sondagem de Orbán e votação de 30 de outubro
O teste mais imediato está na ONU. O mandato de António Guterres, secretário-geral, termina em 31 de dezembro, e a escolha do sucessor exige nove votos no Conselho de Segurança e nenhum veto de membro permanente. Na sétima votação informal, realizada em 30 de outubro, a costa-riquenha Rebeca Grynspan teve 11 votos a favor e 4 contra. A emiradense Lana Nusseibeh teve 7 a favor e 6 contra. Os números não foram verificados em fonte oficial da ONU.
Segundo reportagem da imprensa americana, o governo Trump sondou Viktor Orbán, ex-premiê húngaro derrotado em abril, para disputar o cargo de secretário-geral. Nenhum país o indicou formalmente, e nem Moscou nem Pequim confirmaram apoio. A França, que tem poder de veto no Conselho, disse que o cargo não é “prêmio de consolação” para um líder derrotado nas urnas. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que Orbán usaria no cargo suas “habilidades de vetar e chantagear”.
Datas que pesam nas próximas semanas
- 9 de novembro: início da COP31, em Antalya
- 18 e 19 de novembro: reunião da Apec, fórum de cooperação econômica da Ásia-Pacífico, em Shenzhen
- Janeiro: vencimento da trégua comercial entre EUA e China
- 3 de janeiro: posse do novo Congresso dos EUA
- 31 de dezembro: fim do mandato de António Guterres na ONU
O que ainda não se sabe sobre o Senado, a Ucrânia e Orbán
Não se sabe se os democratas terão maioria final no Senado, já que Alaska e Mississippi seguem pendentes. Também não há confirmação de que Moscou e Washington marcaram a nova rodada de negociações sobre a Ucrânia, nem de que haverá um encontro entre Putin, Trump e Xi na Apec, afirmação que partiu de Moscou. A sondagem de Orbán para a ONU segue sem indicação formal de nenhum país.








