Começa hoje: Eleições de meio de mandato nos EUA colocam 435 vagas da Câmara e controle do Congresso sob disputaPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
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Eleitores de todos os cinquenta estados norte-americanos votam em 3 de novembro de 2026 para renovar a composição do Congresso dos Estados Unidos. A votação das eleições de meio de mandato, conhecidas internacionalmente como midterms, coloca em disputa direta todas as 435 vagas da Câmara dos Representantes e 35 cadeiras do Senado, cenário que estabelece o nível de sustentação política do presidente Donald Trump para os dois anos finais de seu governo.
O resultado das urnas define o comando das comissões temáticas em Washington e a facilidade para aprovar o orçamento federal.
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Cerca de 250 milhões de cidadãos estão aptos a participar do pleito, que não possui comparecimento compulsório e adota regras definidas de maneira autônoma por cada unidade da federação. Em diferentes regiões, os eleitores puderam antecipar a escolha por meio de cédulas postais ou comparecendo com dias de antecedência aos postos eleitorais designados. A administração federal tentou emplacar restrições ao voto postal por meio de decreto presidencial nos meses preparatórios, mas as cortes de Justiça barraram a medida cautelar antes do início da votação popular.
Com a renovação integral dos mandatos de dois anos da Câmara dos Representantes e a disputa por mais de um terço dos mandatos de seis anos do Senado, a votação atua historicamente como um plebiscito sobre a popularidade do governante da Casa Branca.
Divisão de cadeiras e correlação de forças no parlamento
A liderança do Partido Republicano ingressou neste processo eleitoral sustentando maiorias estreitas em ambas as Casas legislativas. Na Câmara dos Representantes, a bancada governista iniciou o período com 218 deputados, diante de 214 representantes da bancada democrata. No Senado, os governistas contabilizavam 53 assentos, enquanto os democratas mantinham 45 senadores formais e contavam com o suporte operacional de dois parlamentares independentes em pautas conjuntas.
Levantamento conduzido pelo instituto de pesquisa de opinião pública Reuters/Ipsos apontou uma margem favorável de 53% das intenções de voto para candidatos democratas, contra 44% para postulantes republicanos entre os cidadãos propensos a comparecer às seções de votação.
Diante do risco de inversão numérica na legislatura, o mandatário norte-americano reforçou compromissos públicos pelo interior do país. Donald Trump percorreu quase 25 mil quilômetros em um intervalo de 13 dias de campanha partidária até a metade de outubro, período em que liderou dez grandes comícios de apoio a correligionários, incluindo paradas estratégicas no Texas, onde a oposição democrata intensificou esforços para tentar capturar uma cadeira no Senado federal.

O que a composição do Congresso norte-americano define?
A conquista de maiorias nas Casas parlamentares concede poder para abrir investigações sobre secretarias do Executivo, bloquear aportes orçamentários e vetar ratificações diplomáticas. Caso o Partido Democrata assuma o controle da presidência da Câmara dos Representantes, os deputados de oposição ganham a prerrogativa legal de pautar novas requisições de documentos de gabinete e fiscalizar diretamente a conduta operacional da Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
A mudança de maioria parlamentar abre ainda caminho regimental para a apresentação de novos pedidos de impeachment contra o presidente da República.
Donald Trump respondeu a dois processos de afastamento durante o primeiro mandato presidencial, em 2019 e 2021, ocasiões em que a Câmara dos Representantes aprovou os artigos de acusação e o plenário do Senado votou pela absolvição de todas as imputações regimentais. Na esfera judiciária civil e criminal, o chefe de Estado foi condenado em Nova York por falsificação de registros comerciais sem imposição de pena de detenção ou multas financeiras, ao passo que outros três inquéritos sobre documentos sigilosos, a eleição de 2020 e ações de contestação na Geórgia acabaram arquivados pelas cortes competentes.
Impactos nas relações comerciais e diplomáticas com o Brasil
A dinâmica das eleições parlamentares norte-americanas repercute nas negociações alfandegárias de longo prazo, embora a condução das diretrizes exteriores permaneça sob autoridade direta do Salão Oval. Em julho de 2026, a gestão Donald Trump formalizou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados lotes de mercadorias originárias do território brasileiro, postura que gerou contestações de entidades industriais e setores agrícolas exportadores.
No ano de 2025, o governo norte-americano também impôs sanções diplomáticas a autoridades públicas brasileiras, entre as quais o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, sob alegações formais de restrições arbitrárias contra a livre manifestação pública.
A avaliação de especialistas acadêmicos indica que uma eventual alteração partidária no Congresso tende a aumentar o controle legislativo sobre tais atos, sem que haja uma revogação automática de decretos firmados pelo Executivo.
Em análise sobre a distribuição de competências constitucionais em Washington, a doutora em relações internacionais Karina Calandrin, professora do Ibmec-SP, destacou o alcance real do pleito legislativo sobre as decisões do Poder Executivo em nível internacional:
“Não muda a política externa, porque a política externa é da alçada do presidente junto com os seus assessores. Então, com as midterms, mesmo que o Trump perca as duas Casas não é garantido que haverá uma mudança na política externa. O que aumenta é o escrutínio. Então qualquer ação do Trump passa a ter mais pressão do Congresso.”
Como funciona a votação e o sistema das midterms
O desenho institucional do pleito nos Estados Unidos estabelece mecanismos operacionais específicos para a renovação legislativa bienal de metade de mandato:
- Total de cadeiras da Câmara dos Representantes: 435 vagas disputadas em distritos de todos os 50 estados da federação.
- Total de assentos do Senado em disputa: 35 vagas distribuídas entre estados participantes do ciclo eleitoral do terço senatorial.
- Colégio eleitoral nacional: cerca de 250 milhões de eleitores cadastrados e aptos para a votação facultativa.
- Voto por correspondência e antecipado: regulamentado pela legislação de cada estado após a Justiça barrar restrições federais.
- Duração dos mandatos: mandato de dois anos para deputados e mandato fixo de seis anos para integrantes do Senado.
A contagem oficial dos boletins distritais segue sob responsabilidade dos secretários de Estado e juntas eleitorais municipais após o encerramento do horário de votação nos diferentes fusos horários do país.














