Dallagnol diz que Lula e PT articulam perdão a Bolsonaro e cita pena de 27 anos e três mesesPor Luís Henrique Costa
4 min de leitura
|
O ex-coordenador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol afirmou que articuladores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças do PT defendem saídas jurídicas para abrandar a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita em vídeo publicado no Instagram na noite desta sexta-feira (6).
A intenção seria desidratar a mobilização por uma anistia ampla na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, e não beneficiar Bolsonaro. Ele se baseou em informações divulgadas pela colunista Mônica Bergamo sobre a estratégia do governo.
Perdão a Bolsonaro: o que a graça ou indulto extinguem
De acordo com o vídeo, medidas como graça ou indulto concedidas pela Presidência da República extinguem apenas a pena privativa de liberdade. Os efeitos secundários da condenação permanecem, como a inelegibilidade e a perda da primariedade, condição jurídica de quem não tem condenação anterior. Dallagnol afirmou que a movimentação responde a conveniências partidárias e eleitorais diante da formação do novo Congresso Nacional.
Saiba mais: Luiz Inácio Lula da Silva veta apostas e aciona Caixa para saques
“Na minha leitura, esse cálculo deles é cruel. Se o governo aliviar só a pena do Bolsonaro, pode enfraquecer a pressão para que o Congresso vote uma anistia que atinja Bolsonaro de forma completa e também que alcance outros condenados pelo 8 de janeiro”, declarou o ex-procurador. Na mesma gravação, ele classificou a conduta com outras palavras: “Tudo isso, gente, é um cálculo frio, é maquiavélico, de Lula, da turma dele, do entorno dele, focado nos próprios interesses do PT”.
Veja também: Papa Leão XIV envia telegrama a Lula durante sobrevoo do Brasil
Anistia no Congresso: Dallagnol pede votação a partir de fevereiro
Dallagnol defendeu que os parlamentares não recuem das negociações por uma anistia irrestrita a partir de fevereiro, independentemente das ações do Executivo ou do Judiciário sobre a dosimetria das penas. Para ele, a redução da pena de Bolsonaro não deve substituir a votação no Legislativo.
Confira também: Ministério da Segurança Pública tem reunião de abertura convocada por Lula
“Se reduzirem a pena do Bolsonaro, que bom, mas eu defendo que o Congresso vá além disso, que discuta e vote a anistia à vista de todo mundo, incluindo o Bolsonaro”, afirmou. Ao rebater o argumento de que o tema travaria outras pautas, disse que “o Congresso é grande o suficiente para tocar várias coisas importantes ao mesmo tempo”.
Bolsonaro condenado a 27 anos e três meses
Jair Bolsonaro está condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, segundo outra publicação consultada pela redação. Ele é ex-presidente da República e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Por isso, qualquer medida de perdão ou redução da pena teria como alvo uma condenação de longa duração, o que dá peso político ao debate sobre graça, indulto e anistia.
- Competência: graça e indulto são concedidos pelo Executivo, pela Presidência da República; a anistia é aprovada pelo Legislativo, no Congresso Nacional.
- Prazo citado por Dallagnol para o debate sobre anistia no Congresso: a partir de fevereiro.
- Data da publicação do vídeo: 6 de novembro de 2026, no perfil de Deltan Dallagnol no Instagram.
Lula pode conceder anistia a Bolsonaro? Versões divergem
Outra publicação afirma que o presidente Lula não pode conceder anistia a Bolsonaro. A reportagem que originou esta matéria trata da diferença entre os atos: graça e indulto são do Executivo, enquanto a anistia é do Legislativo. A redação não confirmou qual leitura jurídica prevalece e não há manifestação oficial sobre o tema.
Governo, PT e defesa de Bolsonaro ainda não se manifestaram
A articulação do PT e do governo Lula para perdão, graça ou indulto a Bolsonaro não foi confirmada por fonte oficial do governo, do PT ou do Judiciário. A redação não localizou o vídeo de Dallagnol nem outra cobertura independente sobre a declaração. A informação de bastidores atribuída à colunista Mônica Bergamo não foi verificada diretamente.
Também não há confirmação de quais medidas jurídicas específicas estão em estudo. Não há resposta do governo, do PT ou da defesa de Bolsonaro registrada até a publicação desta matéria.






