Sexta morte que pode estar relacionada ao consumo de cerveja da Backer
Brasil

Sexta morte que pode estar relacionada ao consumo de cerveja da Backer

Cervejaria produziu 66 mil garrafas nos lotes em que amostras contaminadas foram encontradas: Cerveja Envenenada

Sexta morte que pode estar relacionada ao consumo de cerveja da Backer. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou nesta segunda-feira (3) a sexta morte que pode estar relacionada à intoxicação por dietilenoglicol após o consumo de cerveja da Backer. A vítima – que não teve identidade e idade divulgadas – morreu no sábado (1º). Baixe o Aplicativo Gratuito do Portal Mix Vale

A secretaria declarou que são investigados 30 casos de suspeita de intoxicação. Os registros são os seguintes:

  • 4 casos confirmados de intoxicação por dietilenoglicol, sendo uma morte;
  • 26 casos suspeitos de intoxicação, sendo 5 mortes.

Desses 30 casos relacionados à substância tóxica, que é usada em resfriamento de serpentinas, 22 foram notificados em Belo Horizonte. Os demais foram registrados em Capelinha, Nova Lima, Pompéu, Ribeirão das Neves, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.

32 cervejas envenenadas da Backer

Na manhã desta segunda, a Polícia Civil já havia confirmado uma quinta morte. João Roberto Borges tinha 74 anos e estava no Hospital Madre Teresa, no bairro Gutierrez, na Região Oeste de Belo Horizonte, e morreu na madrugada.

Borges trabalhava como juiz titular da 28ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) 3ª Região.

Por nota, a cervejaria informou que “em relação às mortes ocorridas por suspeitas de intoxicação por dietilenoglicol, a Backer compartilha da dor dos familiares das vítimas e, ainda que inconclusas as investigações sobre o acontecido, continua prestando o suporte necessário a todos os atingidos”.

Ainda segundo o comunicado, a Backer tem acolhido essas pessoas e prestado atendimento psicossocial. A fabricante cita que recorreu ao Ministério Público para ampliar o suporte prestado às famílias das vítimas.

Por fim o comunicado diz que “a Backer, como a maior interessada em saber o que de fato aconteceu, está tomando todas as providências para elucidar a questão e, embora não se tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o ocorrido, jamais deixou de colaborar com as investigações”.

Sobe para seis número de mortes que podem ter relação com cervejas da Backer

Resumo:

  • Uma força-tarefa da polícia investiga 30 notificações de pessoas contaminadas após consumir cerveja (seis delas morreram);
  • O Ministério da Agricultura identificou 41 lotes de cerveja da Backer contaminados com dietileglicol, um anticongelante tóxico;
  • Backer nega usar o dietilenoglicol na fabricação da cerveja;
  • A cervejaria foi interditada, precisou fazer recall e interromper as vendas de todos os lotes produzidos desde outubro;
  • Diretora da cervejaria disse que não sabe o que está acontecendo e pediu que clientes não consumam a cerveja.

Cerveja envenenada: Ministério aponta contaminação em água usada em cerveja, polícia investiga duas mortes

Mortes

Até a última atualização desta reportagem, um caso de morte por intoxicação de dietilenoglicol havia sido confirmado em Minas Gerais, de acordo com a SES-MG. Paschoal Dermatini Filho tinha 55 anos e morreu em 7 de janeiro no Hospital Santa Casa de Misericórdia em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Ele teve comprovada a substância no sangue.

A secretaria investiga outras cinco mortes por suspeita de contaminação no estado.

Um dos casos aconteceu em Pompéu, na Região Centro-Oeste do estado. Trata-se de uma mulher de 60 anos. Ela morreu de insuficiência renal no dia 28 de dezembro. O caso já havia sido notificado pela Secretaria Municipal da cidade e entrou no boletim da Secretaria de Estado da Saúde em 16 de janeiro.

Ao G1, familiares da vítima que não quiseram ser identificados relataram que a idosa esteve em viagem a Belo Horizonte entre 15 e 21 de dezembro e na cidade consumiu a cerveja da marca Belorizontina.

Ainda não há prazo para conclusão dos laudos referentes aos casos suspeitos.

Empresa que seria fornecedora de monoetilenoglicol para a Backer é alvo de buscas — Foto: Reprodução/TV Globo

Empresa que seria fornecedora de monoetilenoglicol para a Backer é alvo de buscas — Foto: Reprodução/TV Globo

Veja lista das mortes

  • Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos. Ele estava internado em Juiz de Fora e morreu em 7 de janeiro. A morte por síndrome nefroneural causada por dietilenoglicol foi confirmada
  • Antônio Márcio Quintão de Freitas, de 76 anos. Morreu no Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, por suspeita de síndrome nefroneurall
  • Homem de 89 anos. Não teve a identidade revelada. Morte confirmada pela SES nesta quinta-feira (16) por suspeita de síndrome nefroneural
  • Mulher de 60 anos. Não teve a identidade revelada. A morte havia sido notificada pela Secretaria Municipal de Saúde de Pompéu, mas só foi confirmada pela SES em 16 de janeiro por suspeita de síndrome nefroneural
  • Homem sem idade e identidade revelados. Morreu em 1º de fevereiro em Belo Horizonte
  • João Roberto Borges, de 74 anos. Estava internado no Hospital Madre Teresa, no bairro Gutierrez, na Região Oeste de Belo Horizonte, e morreu na madrugada de 3 de fevereiro

Ministério da Agricultura aponta 7 lotes da Backer contaminados com dietilenoglicol

Sobe para 52 o número de mortos nas chuvas em Minas Gerais

Sintomas e tratamento

Ministério da Saúde investiga síndrome nefro neural em Minas Gerais  — Foto: Reprodução/TV Globo

Ministério da Saúde investiga síndrome nefro neural em Minas Gerais — Foto: Reprodução/TV Globo

Entre os sintomas da síndrome nefroneural estão alterações neurológicas e insuficiência renal. De acordo com a presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, Lilian Pires de Freitas do Carmo, os primeiros sinais de intoxicação por dietilenoglicol são dores abdominais, náuseas e vômitos. O tratamento é feito no hospital, com monitoração, e tem o etanol como antídoto.

Processo cervejeiro — Foto: Arte/G1
To Top