Segurança

Operação prende policiais civis que cobraram R$ 800 mil para proteger traficantes

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Foto: © Polícia Federal
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Nesta terça-feira (3), uma força-tarefa composta pela Polícia Federal (PF), Ministério Público (MP) e Corregedoria da Polícia Civil deflagrou a “Operação Face Off”, resultando na prisão de dois policiais civis em São Paulo e Arujá. Eles são acusados de participar de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, onde teriam cobrado R$ 800 mil de propina de traficantes de drogas para interromper investigações.

As investigações revelaram que os policiais civis envolvidos exigiram a quantia em novembro de 2020, como forma de não prosseguir com uma investigação que estava em andamento no Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc). Esse valor foi pago por dois narcotraficantes ligados a uma organização criminosa internacional, especializada no envio de grandes carregamentos de cocaína para o exterior, principalmente para a Europa.

Além das prisões, a operação também cumpriu dez mandados de busca e apreensão, determinados pela Justiça, que incluiu o sequestro de bens imóveis e veículos, além do bloqueio de valores em contas bancárias dos envolvidos. Esses bens, avaliados em milhões de reais, são suspeitos de serem fruto das atividades ilícitas.

A ação da força-tarefa não se limitou à prisão dos policiais civis. Outras duas pessoas, já encarceradas por outros crimes, também foram alvo de mandados de prisão expedidos pela Justiça. Estes indivíduos, apontados como traficantes, já estavam em unidades prisionais cumprindo penas por crimes relacionados ao tráfico de drogas.

A operação e a atuação dos envolvidos

A “Operação Face Off” foi planejada e executada pela Força Tarefa de Combate ao Crime Organizado (Ficco), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Civil. O nome da operação faz referência a um filme norte-americano de 1997, onde um policial e um criminoso “trocam de rosto”.

De acordo com os coordenadores da operação, o principal objetivo é combater os crimes de corrupção ativa e passiva, além da lavagem de dinheiro, praticados por narcotraficantes internacionais em conluio com policiais civis. O esquema criminoso permitiu que os traficantes continuassem suas atividades ilícitas sem a interferência das autoridades, em troca do pagamento de propinas consideráveis.

As investigações também revelaram que os policiais civis envolvidos receberam pagamentos mensais, cujos valores ainda estão sendo apurados, até pelo menos o primeiro semestre de 2021. Esse dinheiro foi utilizado para adquirir bens de alto valor, que agora estão sob investigação para determinar sua origem ilícita.

Lavagem de dinheiro e ocultação de bens

Outro ponto central da operação é a apuração do crime de lavagem de dinheiro, tanto por parte dos narcotraficantes quanto pelos policiais civis e pessoas ligadas a eles. As autoridades investigam a ocultação e dissimulação de bens e valores, que foram adquiridos com os recursos obtidos de forma ilícita.

A Justiça determinou o bloqueio de valores em contas bancárias até o limite de R$ 15 milhões, além da apreensão de veículos, avaliados em R$ 2,1 milhões, e imóveis, estimados em R$ 8 milhões. Esses bens foram sequestrados como parte das medidas para evitar que os envolvidos continuem a utilizar recursos de origem criminosa.

Composição da Ficco

A Força Tarefa de Combate ao Crime Organizado (Ficco) é uma entidade multidisciplinar que envolve diversas agências de segurança e justiça, incluindo a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria da Segurança Pública (SSP), Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e Secretaria Nacional de Políticas Penais. A colaboração entre essas entidades é fundamental para desmantelar esquemas criminosos complexos e proteger a integridade das instituições de segurança pública.

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