Copom deve elevar a Selic: entenda o impacto da decisão para a economia brasileiraPor Bruna
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central finaliza hoje, 18 de setembro de 2024, mais uma reunião para definir o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic. A expectativa de aumento na Selic vem ganhando força nos últimos dias, com o mercado antecipando uma elevação de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa de 10,5% para 10,75% ao ano.
Pressão sobre a economia leva à revisão da Selic
A taxa Selic, atualmente em 10,5%, não tem sofrido alterações nas últimas três reuniões do Copom, mas o cenário econômico atual aponta para uma reversão dessa estabilidade. Grandes bancos, como Itaú, Santander e XP Investimentos, já apostam na retomada de um ciclo de alta nos juros, devido ao fortalecimento da economia, desemprego em níveis historicamente baixos e estímulos fiscais impulsionando o consumo. Essa combinação tem pressionado a inflação, levando o Banco Central a considerar o aumento da Selic como uma medida para conter a alta dos preços.
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De acordo com pesquisa realizada pelo jornal Valor Econômico, 108 das 126 instituições e consultorias consultadas esperam uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião de hoje, o que marcaria a primeira elevação da Selic durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Motivos para o possível aumento da Selic
O principal objetivo do Banco Central com o aumento da Selic é controlar a inflação. A alta da taxa torna o crédito mais caro, desestimulando o consumo e, consequentemente, desacelerando a inflação. Nas últimas semanas, a economia brasileira tem mostrado sinais de forte atividade, o que aumentou as expectativas de um ciclo de aperto monetário por parte do Copom.
Segundo o BTG Pactual, a economia do Brasil tem se mostrado resiliente, com uma recuperação sólida pós-pandemia. O banco destacou em relatório que “a combinação de atividade econômica robusta, desinflação lenta e expectativas de inflação desancoradas ficou ainda mais evidente”, justificando um ajuste nos juros para garantir um cenário econômico mais sustentável em 2025.
A relação entre inflação e juros
A inflação, que o Banco Central tenta manter dentro da meta de 3% ao ano, foi um dos grandes desafios enfrentados pela autoridade monetária em 2024. A manutenção da Selic em 10,5% foi considerada adequada por algum tempo, mas a inflação começou a escapar das previsões mais otimistas, principalmente com o consumo elevado.
O último Boletim Focus, divulgado na semana passada, revelou que os analistas de mercado aumentaram a previsão para a Selic ao fim de 2024, de 10,5% para 11,25%. Esse aumento nas expectativas mostra que o mercado acredita que o ciclo de aperto monetário pode ser mais longo e intenso do que se imaginava.
Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no segundo trimestre superou as expectativas, com um crescimento considerável que impulsionou a economia. Isso, aliado à queda no desemprego para os menores patamares históricos, reforça a necessidade de medidas para desacelerar o ritmo da atividade econômica e controlar a inflação.
Impacto da decisão do Copom nos próximos meses
Se confirmada a elevação da Selic, o impacto será sentido em diversos setores da economia. Com o crédito mais caro, as famílias tendem a reduzir o consumo, principalmente de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, que são mais sensíveis às variações nas taxas de juros. O setor imobiliário, por exemplo, pode sofrer com o encarecimento do financiamento habitacional.
Por outro lado, a decisão também pode atrair mais investimentos estrangeiros. Com uma Selic mais alta, o Brasil se torna um mercado mais atrativo para investidores internacionais em busca de maiores retornos, o que pode contribuir para a valorização do real. No entanto, a valorização da moeda brasileira também depende de outros fatores, como o desempenho das commodities e a política fiscal do governo.
Comparação com a política monetária americana
No mesmo dia em que o Copom define a nova taxa de juros do Brasil, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, também se reúne para decidir sobre a taxa de juros americana. A expectativa é de que o Fed reduza os juros pela primeira vez em quatro anos. A decisão do Fed tem implicações globais, e uma redução nos juros americanos pode ampliar o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos, tornando o Brasil mais atrativo para investidores estrangeiros.
Apesar disso, analistas afirmam que a política monetária dos EUA não deve ter impacto significativo no câmbio brasileiro no curto prazo. O valor do dólar frente ao real, que encerrou a terça-feira em R$ 5,48, deve se manter estável, pois o mercado já precificou o aumento dos juros no Brasil e a redução nos Estados Unidos.
Expectativa para os próximos anos
A expectativa de que o ciclo de alta da Selic continue em 2025 já é consenso entre analistas. A curva de juros negociada no mercado futuro reflete essa previsão, com contratos para janeiro de 2025 negociados acima de 10,75% ao ano, indicando que o mercado espera mais altas nos próximos meses.
O Boletim Focus também prevê que a Selic encerre 2025 em 11,25% ao ano, consolidando um cenário de juros elevados para o Brasil nos próximos dois anos. Isso reflete a necessidade de uma política monetária mais rígida para conter a inflação e garantir a estabilidade econômica no longo prazo.
A posição do governo federal
Dentro do governo, há uma divisão sobre a postura do Banco Central em relação à política monetária. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem defendido uma política fiscal mais rígida, mas também acredita que o ciclo de alta nos juros foi exacerbado pela “comunicação excessiva” do Banco Central. Haddad, que anunciou Gabriel Galípolo como novo diretor de política monetária em agosto, tem buscado uma maior sinergia entre o governo e o Banco Central para alinhar as expectativas do mercado.
Por outro lado, a equipe econômica do governo está ciente de que uma política monetária mais restritiva pode ser necessária para conter a inflação e garantir a sustentabilidade fiscal do país. A escolha de Galípolo foi bem recebida pelo mercado, que espera uma condução técnica e focada na estabilidade econômica.
O que esperar da economia brasileira
Com o aumento da Selic, os consumidores e as empresas brasileiras devem se preparar para um período de crédito mais caro e crescimento econômico mais moderado. A desaceleração do consumo pode ajudar a conter a inflação, mas também pode afetar setores como o varejo, a construção civil e a indústria.
Por outro lado, o aumento dos juros pode fortalecer a confiança dos investidores internacionais no Brasil, ajudando a atrair capital estrangeiro e impulsionando o mercado financeiro. A valorização do real pode ser um efeito positivo desse movimento, principalmente se o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos continuar a aumentar.















