O Papa Francisco, aos 88 anos, alcançou nesta quarta-feira, 5 de março de 2025, seu vigésimo dia internado no Hospital Gemelli, em Roma, enfrentando um quadro de pneumonia bilateral que mantém o mundo em alerta desde sua admissão em 14 de fevereiro. Segundo informações divulgadas pelo Vaticano, o pontífice passou o dia sem episódios de insuficiência respiratória, um sinal positivo após duas crises agudas registradas na segunda-feira anterior, que demandaram intervenção médica imediata. Apesar da gravidade de sua condição, Francisco segue recebendo oxigenoterapia de alto fluxo durante o dia e ventilação mecânica não invasiva à noite, enquanto aumenta sua rotina de fisioterapia respiratória e exercícios motores ativos. A estabilidade clínica, somada à ausência de novas complicações respiratórias, oferece um alento aos fiéis que acompanham diariamente as atualizações sobre sua saúde. No entanto, o prognóstico permanece reservado devido à complexidade do quadro e à idade avançada do líder da Igreja Católica.
A internação prolongada começou com um diagnóstico inicial de bronquite, que evoluiu para uma infecção respiratória mais severa, culminando na identificação de pneumonia em ambos os pulmões. Durante esses 20 dias, Francisco tem demonstrado resiliência, mantendo-se alerta e participando de atividades como a bênção das cinzas na Quarta-feira de Cinzas, celebrada em seu quarto no hospital, e a recepção da Eucaristia. Na manhã de quarta-feira, ele também fez uma ligação para o padre Gabriel Romanelli, pároco da Sagrada Família em Gaza, um gesto que reflete sua determinação em continuar conectado aos assuntos da Igreja, mesmo sob cuidados intensivos. A rotina do papa alternou repouso e trabalho, com ele acordando pouco após as 8h, após uma noite de descanso tranquilo, conforme relatado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.
A ausência do Papa Francisco nas celebrações tradicionais da Quarta-feira de Cinzas, substituído pelo cardeal Angelo De Donatis em Roma, marca um momento significativo no calendário litúrgico, que inicia a Quaresma, período de 40 dias de oração e penitência rumo à Páscoa. Enquanto fiéis se reúnem em vigílias fora do Gemelli, depositando flores e mensagens de apoio ao redor da estátua de São João Paulo II, a saúde do pontífice segue sendo monitorada de perto por uma equipe médica que ajusta terapias para lidar com as complicações respiratórias e outras condições associadas, como uma leve insuficiência renal já controlada.
Estabilidade marca vigésimo dia de internação
Francisco passou sua vigésima noite no Hospital Gemelli sem novos sustos respiratórios, um avanço em relação às crises enfrentadas no início da semana. A oxigenoterapia de alto fluxo, administrada por cânulas nasais, foi mantida ao longo do dia, enquanto a ventilação mecânica não invasiva, com uma máscara de alta pressão, foi retomada à noite como parte do plano de tratamento. Essas medidas têm garantido a estabilidade de seus parâmetros respiratórios, evitando episódios de broncoespasmo ou insuficiência grave, que haviam exigido broncoscopias para remoção de muco na segunda-feira.
A equipe médica intensificou a fisioterapia respiratória, que inclui técnicas para melhorar a ventilação e eliminar secreções pulmonares, enquanto os exercícios motores ativos indicam um esforço para manter a mobilidade do pontífice, mesmo confinado a uma poltrona. Ele celebrou o início da Quaresma recebendo as cinzas em um ritual adaptado ao seu quarto, um sinal de sua determinação em cumprir seus deveres espirituais apesar das limitações físicas.
Histórico de saúde desafia o pontífice
O Papa Francisco enfrenta essa internação com um histórico de problemas respiratórios que remonta à juventude, quando teve parte de um pulmão removido devido a uma pneumonia grave. Nos últimos anos, outras condições de saúde, como diverticulite e uma hérnia abdominal, levaram a cirurgias em 2021 e 2023, enquanto a ciática e dores no joelho o obrigaram a usar cadeira de rodas ou bengala. A pneumonia bilateral atual, diagnosticada após uma infecção respiratória polimicrobiana, representa um dos desafios mais sérios de seu papado, iniciado em 2013.
Pneumonia bilateral exige cuidados intensivos
A condição de Francisco exige um tratamento complexo devido à natureza da pneumonia bilateral, que afeta ambos os pulmões e dificulta a oxigenação. Após os episódios de insuficiência respiratória na segunda-feira, ele passou por broncoscopias para remover acúmulos de muco, retomando a ventilação mecânica não invasiva à noite. Na terça-feira, a retirada temporária da máscara ventilatória e a transição para oxigênio nasal indicaram uma leve melhora, consolidada na quarta-feira com a ausência de novas crises. A fisioterapia respiratória, combinada com a oxigenoterapia, tem sido crucial para estabilizar sua respiração, enquanto os exercícios motores ajudam a evitar complicações secundárias.
Mesmo com a evolução positiva, o quadro permanece delicado. Testes laboratoriais recentes mostraram uma leve insuficiência renal inicial, agora sob controle, e uma contagem de plaquetas estabilizada após transfusões de sangue realizadas no sábado anterior. A equipe médica mantém uma abordagem cautelosa, ajustando terapias para enfrentar a infecção e suas complicações associadas.
Cronologia da internação de Francisco
A trajetória de Francisco no Gemelli reflete uma batalha contínua contra problemas respiratórios:
- 14 de fevereiro: Internado com bronquite após semanas de sintomas respiratórios.
- 18 de fevereiro: Diagnóstico de pneumonia bilateral confirmado por tomografia computadorizada.
- 22 de fevereiro: Crise respiratória exige oxigênio de alto fluxo e transfusões de sangue.
- 3 de março: Duas insuficiências respiratórias tratadas com broncoscopias.
- 5 de março: Completa 20 dias no hospital sem novas crises, com quadro estável.
Esse cronograma destaca os altos e baixos de sua recuperação, com momentos críticos superados por intervenções rápidas e um progresso gradual na estabilização clínica.
Substituição na Quaresma mobiliza Igreja
Com Francisco internado, o cardeal Angelo De Donatis assumiu as celebrações da Quarta-feira de Cinzas em Roma, marcando o início da Quaresma sem a presença física do papa na tradicional missa. A substituição foi anunciada na semana anterior, refletindo a gravidade de sua condição e a impossibilidade de liderar os eventos litúrgicos. De Donatis, penitenciário-mor e delegado papal, conduziu a cerimônia enquanto o pontífice recebia as cinzas em seu quarto no décimo andar do Gemelli, uma adaptação que manteve sua participação simbólica no rito.
A Quaresma, período de 40 dias que culmina na Semana Santa e na Páscoa, é um dos momentos mais significativos do calendário cristão, e a ausência de Francisco nas celebrações públicas reforça a preocupação com sua saúde. Enquanto isso, ele segue ativo em pequenas ações, como a ligação para o pároco em Gaza, mostrando seu compromisso com a Igreja global mesmo em um leito hospitalar.
Fiéis se unem em apoio ao papa
Fora do Gemelli, a estátua de São João Paulo II tornou-se ponto de peregrinação para fiéis que deixam flores, velas e mensagens de apoio ao Papa Francisco. Desenhos infantis com frases como “Melhore logo, Papa Francisco” misturam-se a rosários e orações, enquanto grupos de religiosas e leigos realizam vigílias diárias. A mobilização reflete o carinho global pelo pontífice argentino, o primeiro da América Latina, que lidera a Igreja desde 2013 com uma mensagem de simplicidade e proximidade com os mais vulneráveis.
A presença constante de fiéis no hospital ecoa gestos semelhantes vistos durante internações passadas de Francisco e de João Paulo II, que também enfrentou longos períodos no Gemelli. A solidariedade se estende além de Roma, com líderes cristãos, como o Patriarca Ecumênico Bartolomeu de Constantinopla, unindo-se em oração pela recuperação do papa.
Resiliência define luta de Francisco
Apesar dos 20 dias de internação, Francisco mantém uma rotina que combina repouso e trabalho, demonstrando sua resiliência. Ele passou o dia em uma poltrona, participou de rituais religiosos e retomou algumas atividades, como a ligação para Gaza, alternando com períodos de descanso. A estabilidade de seus sinais vitais, incluindo coração, rins e valores sanguíneos, oferece esperança, mas a necessidade contínua de oxigênio e ventilação destaca a fragilidade de seu estado.
A história de saúde do papa, marcada por cirurgias e condições crônicas, torna essa pneumonia um teste significativo. Sua capacidade de permanecer alerta e cooperativo, mesmo sob tratamento intensivo, impressiona a equipe médica, que já destacou sua determinação em não desistir, um traço que ressoa com sua liderança espiritual ao longo de quase 12 anos de papado.

