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A morte de Vitória Regina de Sousa, uma adolescente de 17 anos, tem abalado os moradores de Cajamar, na Grande São Paulo, desde que seu corpo foi encontrado em uma área de mata no bairro Ponunduva, na quarta-feira, 5 de março. Desaparecida por uma semana, a jovem foi localizada nua, degolada, com os cabelos raspados e em estado avançado de decomposição, indicando a brutalidade do crime que tirou sua vida. A Polícia Civil concentra agora suas investigações em três suspeitos principais, descartando, por ora, a participação de Carlos Alberto Souza, pai da vítima, que chegou a ser apontado como suspeito em um momento inicial. Maicol Antônio Sales dos Santos, vizinho da família e dono de um Toyota Corolla prata onde foram encontradas manchas de sangue, está preso desde sábado, 8 de março, com prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça. Além dele, Gustavo Vinícius, ex-namorado de Vitória, e Daniel, amigo da família, estão sob investigação, enquanto a polícia busca esclarecer os motivos e a dinâmica do assassinato.

Vitória trabalhava como operadora de caixa em um restaurante de um shopping no centro de Cajamar e desapareceu na noite de 26 de fevereiro, após descer de um ônibus no ponto final do bairro rural onde morava. Antes de sumir, ela enviou áudios a uma amiga, relatando o medo de dois homens em um carro que a assediaram e de outros dois que entraram no coletivo com ela. O caso, que mobilizou a Delegacia de Cajamar e o Setor de Investigações Gerais (SIG) de Franco da Rocha, ganhou destaque nacional, com a população exigindo justiça diante da violência do crime.

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Embora o pai da adolescente tenha sido inicialmente incluído na lista de suspeitos devido a supostas contradições e comportamento considerado estranho, como o pedido de um terreno ao prefeito Kauan Berto dias após a confirmação da morte, o delegado Luiz Carlos do Carmo, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), afirmou na segunda-feira, 10 de março, que Carlos Alberto não é mais investigado. A família, que já perdeu outro filho em uma tragédia no mesmo bairro em 2011, vive um luto profundo enquanto acompanha os desdobramentos do caso.

Detalhes da investigação em Cajamar

A Polícia Civil trabalha com várias frentes para desvendar o assassinato de Vitória. Maicol Antônio Sales dos Santos, de 32 anos, foi o primeiro detido, capturado em uma operação policial no sábado, 8 de março, com imagens aéreas registradas por um drone. O Toyota Corolla prata, pertencente a ele, foi apreendido e passou por perícia, que confirmou a presença de vestígios de sangue no porta-malas, reforçando sua ligação com o crime. Testemunhas relataram que o veículo foi visto próximo ao local onde o corpo foi encontrado, o que intensificou as suspeitas contra o vizinho da família.

Gustavo Vinícius, ex-namorado de Vitória, é outro nome no radar dos investigadores. A jovem havia terminado o relacionamento com ele semanas antes do desaparecimento, e mensagens trocadas entre os dois estão sendo analisadas após a quebra de sigilo telefônico autorizada pela Justiça. Apesar de a polícia ter pedido sua prisão temporária, o juiz Marcelo Henrique Mariano, da Comarca de Cajamar, negou o pedido por falta de provas concretas de sua participação direta no homicídio até o momento.

Daniel, identificado como amigo próximo da família, também está sendo investigado. Ele teria oferecido carona a Vitória em outras ocasiões, mas não há registros de que isso tenha ocorrido na noite do desaparecimento. A polícia apura se ele teve algum contato com a jovem antes do crime, cruzando informações de depoimentos e dados telefônicos para determinar seu possível envolvimento.

Cronologia do caso Vitória

Os eventos que culminaram na morte de Vitória seguem um roteiro trágico que a polícia tenta reconstruir. Aqui está a sequência dos principais acontecimentos:

  • 26 de fevereiro: Vitória desaparece após descer do ônibus no bairro Ponunduva, enviando áudios a uma amiga sobre homens suspeitos.
  • 1º de março: Edna Oliveira Silva, idosa de 63 anos que trabalhou na casa de um dos suspeitos, é encontrada morta em uma cachoeira entre Cajamar e Jundiaí.
  • 5 de março: O corpo de Vitória é localizado por um cão farejador da Guarda Civil Municipal, a cinco quilômetros de sua casa.
  • 8 de março: Maicol Antônio é preso, e perícias confirmam sangue em seu carro.
  • 10 de março: Polícia descarta Carlos Alberto como suspeito e foca em Maicol, Gustavo Vinícius e Daniel.

Essa linha do tempo mostra como o caso evoluiu rapidamente, com a polícia ajustando suas hipóteses à medida que novas evidências surgem.

Suspeitos sob o foco policial

Maicol Antônio Sales dos Santos é, até agora, o suspeito com mais elementos que o conectam ao crime. Além do sangue encontrado em seu veículo, ele morava a poucos quilômetros da casa de Vitória, no mesmo bairro Ponunduva, e era conhecido da família. A brutalidade do assassinato, com sinais de tortura como cabelos raspados e degolamento, sugere um crime motivado por vingança ou ciúmes, hipóteses que a polícia explora em relação a ele. A prisão temporária de 30 dias dá aos investigadores tempo para reunir provas adicionais, como resultados de exames de DNA.

Gustavo Vinícius, por outro lado, traz à tona a possibilidade de um crime passional. A jovem havia relatado a amigos que o ex-namorado não aceitava o fim do relacionamento, e mensagens recuperadas do celular de Vitória indicam discussões entre os dois. A triangulação de seu celular na noite do desaparecimento o coloca próximo ao bairro, mas a falta de provas materiais diretas mantém sua situação em aberto na investigação.

Já Daniel, o amigo da família, entrou na mira policial por causa de contradições em seu depoimento. Ele alegou não ter visto Vitória no dia 26 de fevereiro, mas testemunhas afirmam que ele circulava pela região na mesma noite. A polícia aguarda laudos periciais e análise de câmeras de segurança para esclarecer seu papel, se houver, no caso.

Evidências encontradas pela polícia

A investigação ganhou força com a descoberta de provas materiais que ajudam a montar o quebra-cabeça da morte de Vitória. O Toyota Corolla de Maicol Antônio é a principal peça até agora, com as manchas de sangue no porta-malas sendo analisadas para confirmar se pertencem à vítima. Além disso, a Guarda Civil Municipal encontrou, no sábado, 8 de março, roupas femininas e uma grande quantidade de cabelo a cerca de dez metros do local onde o corpo foi achado, o que pode indicar o ponto exato onde o crime ocorreu.

Outros três veículos foram apreendidos e periciados, incluindo um Gol branco abandonado na divisa entre Cajamar e Jundiaí. Embora esse carro não tenha sido usado diretamente no assassinato, investigadores acreditam que os suspeitos possam ter se reunido ali para planejar o crime. Câmeras de segurança do shopping onde Vitória trabalhava e do ponto de ônibus onde ela desembarcou também estão sendo analisadas para identificar movimentos suspeitos na noite do desaparecimento.

A possível ligação com a morte de Edna Oliveira Silva, a idosa encontrada em uma cachoeira três dias após o sumiço de Vitória, é outra linha investigativa. Edna morava em Cajamar e teria trabalhado na casa de um dos suspeitos, o que levanta a hipótese de que os casos possam estar conectados, embora nada tenha sido confirmado até o momento.

Hipóteses que guiam a investigação

A Polícia Civil trabalha com várias teorias para explicar o assassinato de Vitória. Entre as principais estão:

  • Crime passional: A relação conturbada com Gustavo Vinícius sugere que ciúmes ou rejeição possam ter motivado o ataque.
  • Vingança: Marcas de tortura no corpo indicam um crime premeditado, possivelmente ligado a desavenças pessoais de Maicol ou Daniel com a vítima.
  • Ameaça anterior: Áudios enviados por Vitória apontam que ela já se sentia ameaçada antes de desaparecer, o que pode envolver os homens mencionados por ela.

A brutalidade do assassinato, com degolamento e cabelos raspados, reforça a ideia de que o crime teve um componente emocional ou simbólico, o que mantém os investigadores atentos a detalhes do passado da jovem e de seus relacionamentos.

Repercussão em Cajamar e homenagem do Corinthians

O caso tem gerado comoção em Cajamar, onde Vitória era conhecida por sua simpatia e torcida apaixonada pelo Corinthians. No domingo, 9 de março, o clube prestou homenagem à adolescente antes do clássico contra o Santos, pela semifinal do Paulistão. Seu velório, realizado com uma bandeira do time sobre o caixão, emocionou amigos e familiares, que pedem justiça em meio à dor da perda.

Nas redes sociais, a hashtag #JustiçaPorVitória circula entre moradores e fãs da jovem, com mensagens cobrando agilidade nas investigações. A família, que veio de Pirassununga, interior de São Paulo, em 2005, planeja deixar o bairro Ponunduva após a segunda tragédia envolvendo um de seus seis filhos, o que explica o pedido de Carlos Alberto por um terreno ao prefeito.

Avanço das perícias e próximos passos

A investigação segue em ritmo acelerado, com a polícia aguardando resultados cruciais para avançar. A quebra de sigilo telefônico de Vitória e dos suspeitos deve revelar comunicações que podem indicar quem ela encontrou na noite do desaparecimento. Os laudos de DNA do sangue encontrado no carro de Maicol Antônio e das roupas achadas perto do corpo também são esperados para os próximos dias, podendo confirmar ou descartar envolvimentos.

Enquanto isso, a Delegacia de Cajamar mantém diligências na área de mata onde Vitória foi encontrada, buscando mais pistas que esclareçam a dinâmica do crime. A possível conexão com a morte de Edna Oliveira Silva segue sob análise, com peritos examinando se há coincidências além da proximidade temporal e geográfica entre os casos.

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