Conclave 2025 começa com rituais e expectativa por novo pontífice

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Vatican - Foto: Instagram

Na Basílica de São Pedro, um silêncio reverente tomou conta dos fiéis enquanto os cardeais eleitores cruzavam o corredor vermelho, um momento que marcou o início oficial do conclave de 2025. A missa Pro Eligendo Pontifice, realizada na manhã de 7 de maio, reuniu clérigos e público em uma celebração carregada de simbolismo, abrindo caminho para a escolha do sucessor do papa Francisco, falecido em abril aos 88 anos.

A entrada dos 133 cardeais, todos com menos de 80 anos, foi um dos pontos altos da cerimônia, com destaque para a participação de sete brasileiros entre os votantes. A primeira votação, prevista para as 14h no horário de Brasília, é aguardada com grande expectativa, já que o novo pontífice precisa de ao menos 89 votos para ser eleito.

O rito matinal incluiu gestos tradicionais que reforçam a solenidade do momento:

  • Um clérigo carregou uma imagem de Jesus Cristo, conduzindo a procissão.
  • O cardeal Giovanni Battista Re, decano do colégio cardinalício, queimou incenso, perfumando o altar.
  • Cantos e orações ecoaram, com menções ao papa Francisco em tom de homenagem.
  • A homilia destacou a responsabilidade dos cardeais na escolha do novo líder da Igreja Católica.

A partir da tarde, os cardeais seguem para a Capela Sistina, onde o processo de votação será iniciado sob sigilo absoluto, isolando-os do mundo exterior até a eleição do novo papa.

Rituais marcam abertura do conclave

A missa Pro Eligendo Pontifice, celebrada na Basílica de São Pedro, foi o primeiro ato público do conclave. Aberta aos fiéis, a cerimônia atraiu milhares de pessoas que lotaram o interior da basílica e a Praça de São Pedro. Os cardeais, vestidos com paramentos vermelhos, caminharam em procissão pelo corredor central, isolados por cordas que demarcavam sua passagem.

O cardeal Giovanni Battista Re, responsável por presidir a missa, realizou gestos litúrgicos que reforçam a tradição católica. Ele aspergiu incenso sobre o altar e imagens sacras, enquanto o coro entoava hinos em latim. A homilia, proferida em italiano, trouxe reflexões sobre a missão dos cardeais em buscar um líder que guie a Igreja em tempos desafiadores.

A celebração também incluiu orações pelo papa Francisco, cuja morte em abril de 2025 deixou um vazio na liderança católica. O texto litúrgico mencionou o pontífice falecido, pedindo que os cardeais sejam guiados pelo Espírito Santo na escolha de seu sucessor.

Preparativos para a votação

Após a missa, os cardeais eleitores se dirigem à Capela Sistina, onde o conclave propriamente dito terá início. A procissão até o local é acompanhada pelo canto do hino Veni Creator, uma invocação tradicional ao Espírito Santo. Na capela, os cardeais fazem um juramento de sigilo, comprometendo-se a manter em segredo todos os detalhes do processo eleitoral.

O termo “conclave” deriva do latim cum clavis, que significa “fechado com chave”. Esse isolamento é essencial para garantir a independência das decisões. O mestre de cerimônias proclama o Extra omnes, ordenando que todos os não participantes deixem a Capela Sistina. As portas são então trancadas, e os cardeais permanecem incomunicáveis até o fim do processo.

Para organizar a votação, nove cardeais são sorteados e assumem funções específicas:

  • Três atuam como infirmarii, recolhendo votos de cardeais doentes.
  • Três são escrutinadores, responsáveis pela contagem dos votos.
  • Três desempenham o papel de revisores, verificando a apuração.

Processo eleitoral na Capela Sistina

Cada cardeal preenche uma cédula com o nome de seu candidato, dobra o papel e o deposita em uma urna. As cédulas são lidas em voz alta, registradas e, ao final de cada rodada, queimadas. O resultado é comunicado ao público por meio da fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina: branca, indicando a eleição de um novo papa, ou preta, sinalizando que não houve consenso.

Com 133 cardeais votantes, o novo pontífice precisa alcançar 89 votos, equivalente a dois terços do total. Caso nenhum candidato atinja esse número na primeira votação, novas rodadas ocorrem, com até quatro sessões diárias a partir do segundo dia. Se após 34 votações não houver decisão, os dois nomes mais votados disputam a eleição em uma votação final.

Na quarta-feira, 7 de maio, apenas uma votação está programada, com a fumaça esperada por volta das 14h, no horário de Brasília. A expectativa é que o processo dure entre dois e três dias, embora conclaves históricos já tenham se estendido por períodos mais longos.

Cronograma das votações

O Vaticano divulgou um cronograma detalhado para as votações, que seguem um ritmo intenso nos primeiros dias. Na quinta-feira, 8 de maio, até quatro rodadas podem ocorrer, com horários específicos:

  • 5h30: primeira votação do dia, sem fumaça caso não haja eleição.
  • 7h: segunda votação, com fumaça preta ou branca.
  • 12h30: terceira votação, sem fumaça em caso de indefinição.
  • 14h: quarta votação, com fumaça indicando o resultado.

Se após três dias não houver um novo papa, o processo é suspenso por 24 horas para orações e reflexões. Pausas adicionais podem ocorrer após sete rodadas inconclusivas, garantindo que os cardeais tenham tempo para avaliar suas escolhas.

O cronograma reflete a organização rigorosa do conclave, projetada para equilibrar a urgência da eleição com a necessidade de deliberação cuidadosa.

Participação brasileira no conclave

Sete cardeais brasileiros estão entre os 133 eleitores, representando uma das maiores delegações da América Latina. Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, e Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, são alguns dos nomes de destaque. A presença brasileira reforça a relevância da Igreja Católica no país, que abriga a maior população católica do mundo.

Cada cardeal brasileiro traz sua experiência pastoral e visão teológica para o conclave. Embora o processo seja sigiloso, especula-se que os representantes do Brasil possam influenciar discussões sobre questões como justiça social e meio ambiente, temas que marcaram o pontificado de Francisco.

A participação de cardeais de diferentes continentes destaca a diversidade do colégio cardinalício, que inclui representantes da África, Ásia, Europa e Américas. Essa pluralidade reflete os desafios globais que o novo papa enfrentará.

Simbolismo da fumaça

A fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina é um dos elementos mais aguardados do conclave. Produzida pela queima das cédulas, ela é tingida com produtos químicos para garantir cores distintas: preto, para indicar a ausência de um eleito, e branco, para anunciar o novo papa.

Nos últimos conclaves, a fumaça branca gerou momentos de celebração na Praça de São Pedro, onde fiéis e jornalistas se reúnem para acompanhar o desfecho. Em 2013, a eleição do papa Francisco foi marcada por uma fumaça branca que atraiu multidões em poucos minutos.

O processo de queima das cédulas é supervisionado por técnicos do Vaticano, que garantem a visibilidade da fumaça mesmo em condições climáticas adversas. A tradição, que remonta a séculos, mantém sua relevância como um símbolo universal da eleição papal.

Tradições da eleição papal

Quando um cardeal atinge os 89 votos necessários, o mestre de cerimônias pergunta se ele aceita o cargo e qual nome deseja adotar. O eleito se retira para a Sala das Lágrimas, um pequeno aposento ao lado da Capela Sistina, onde veste os trajes papais. O nome “Sala das Lágrimas” reflete a emoção do momento, marcado pela responsabilidade de liderar a Igreja Católica.

Após a vestimenta, o novo papa aparece na sacada da Basílica de São Pedro, onde é apresentado ao público com a frase Habemus Papam. A multidão na praça, que costuma incluir fiéis de todo o mundo, celebra o anúncio com aplausos e orações.

A escolha do nome papal é outro aspecto simbólico. Muitos papas optam por nomes que homenageiam antecessores ou refletem suas prioridades teológicas. O papa Francisco, por exemplo, escolheu seu nome em referência a São Francisco de Assis, simbolizando simplicidade e cuidado com os pobres.

Expectativa dos fiéis

Milhares de pessoas se reuniram na Praça de São Pedro desde o início da manhã de 7 de maio, aguardando notícias do conclave. Muitos carregavam bandeiras de seus países, enquanto outros seguravam rosários e imagens religiosas. A atmosfera era de esperança, com fiéis rezando pelo sucesso do processo eleitoral.

Peregrinos de diversas nações, incluindo Itália, Brasil e Filipinas, compartilharam histórias pessoais sobre o impacto da Igreja em suas vidas. Um grupo de jovens brasileiros destacou a importância de um papa que continue o legado de Francisco, promovendo inclusão e diálogo inter-religioso.

A presença de turistas também aumentou na região do Vaticano, com hotéis lotados e comércio local aquecido. A eleição de um novo papa é vista como um evento de relevância global, atraindo atenção de católicos e não católicos.

Organização do Vaticano

O Vaticano mobilizou uma operação logística complexa para o conclave. Além da segurança reforçada na Praça de São Pedro, equipes técnicas garantem a transmissão ao vivo da missa e a funcionalidade da chaminé da Capela Sistina. Jornalistas credenciados acompanham os eventos de perto, mas sem acesso à Capela Sistina.

A residência Santa Marta, onde os cardeais ficam hospedados durante o conclave, foi preparada para oferecer conforto e isolamento. O local é equipado com quartos individuais, capela e refeitório, mas sem acesso a telefones ou internet, mantendo o sigilo do processo.

A preparação incluiu a instalação de detectores de sinais eletrônicos na Capela Sistina, para evitar vazamentos de informações. Essas medidas refletem o compromisso do Vaticano em proteger a integridade da eleição papal.

Histórico de conclaves

A tradição do conclave remonta ao século XIII, quando a eleição papal passou a ser realizada em segredo para evitar influências externas. O conclave de 1271, que durou quase três anos, foi um dos mais longos da história, levando à criação de regras mais rígidas.

Nos tempos modernos, os conclaves tornaram-se mais curtos, geralmente durando poucos dias. O conclave de 2013, que elegeu o papa Francisco, foi concluído em dois dias, com cinco rodadas de votação. A brevidade reflete a maior organização e consenso entre os cardeais.

A eleição de 2025 é a primeira desde a morte de Francisco, um papa que deixou um legado marcante por sua abordagem progressista. A escolha de seu sucessor é vista como um momento decisivo para o futuro da Igreja Católica.

Diversidade do colégio cardinalício

Os 133 cardeais eleitores representam 83 países, um reflexo da globalização da Igreja Católica. A Europa ainda detém a maior representação, com 56 cardeais, seguida pela América Latina, com 24. A África e a Ásia também ganharam mais peso nos últimos anos, com 17 e 21 cardeais, respectivamente.

Essa diversidade influencia as discussões no conclave, que abordam desde questões teológicas até desafios sociais, como pobreza e mudanças climáticas. A escolha do novo papa dependerá de um equilíbrio entre diferentes visões e prioridades.

A presença de cardeais de regiões periféricas, como a Amazônia brasileira, destaca a atenção crescente da Igreja para áreas marginalizadas. Essa pluralidade é um dos legados de Francisco, que nomeou cardeais de locais historicamente pouco representados.

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