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Projeto de lei no Brasil pune uso de bebês reborn para benefícios sociais

Bebe Reborn
Foto: Bebe Reborn - eyecrave productions/iStock
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Em plena era das redes sociais, um fenômeno curioso ganha destaque no Brasil. Bonecas hiper-realistas, conhecidas como bebês reborn, têm gerado debates acalorados, especialmente no TikTok e Instagram, onde vídeos mostram adultos tratando esses objetos como crianças reais. A prática, que inclui desde passe Ascending rituais de cuidados até passeios em carrinhos de bebê, tem dividido opiniões. Enquanto alguns veem nisso uma forma de expressão criativa ou terapia, outros questionam a saúde mental de quem adota tais comportamentos.

A controvérsia ultrapassou as redes e chegou ao Congresso Nacional. Na última quinta-feira, 15 de maio de 2025, um projeto de lei foi apresentado na Câmara dos Deputados. A proposta busca coibir o uso de bebês reborn para obter benefícios destinados a pais de recém-nascidos, como filas preferenciais ou assentos especiais.

O tema, que mistura artesanato, tecnologia e comportamento social, revela camadas de complexidade. Aqui estão alguns pontos que alimentam a discussão:

  • Realismo impressionante: As bonecas, feitas de vinil ou silicone, imitam detalhes como dobras da pele e batimentos cardíacos.
  • Custo elevado: Preços variam de R$ 750 a R$ 9,5 mil, dependendo do material e da personalização.
  • Uso controverso: Casos de adultos agendando consultas médicas para as bonecas geram críticas.
  • Legislação em debate: O projeto de lei prevê multas de até 20 salários mínimos por uso indevido.

O fenômeno dos bebês reborn não é novo, mas sua popularidade recente reacende questões sobre consumo, comportamento e os limites da fantasia.

Projeto de lei entra em cena

Na última semana, a Câmara dos Deputados recebeu um projeto de lei que visa regulamentar o uso de bebês reborn. Apresentado na quinta-feira, o texto propõe multas de até 20 salários mínimos para quem tentar obter benefícios sociais, como prioridade em filas ou atendimentos, utilizando essas bonecas hiper-realistas. O projeto ainda passará por debates na Câmara e no Senado antes de seguir para sanção ou veto presidencial.

A proposta surgiu em resposta a relatos de situações em que adultos usaram bebês reborn para acessar vantagens destinadas a pais de recém-nascidos. Em um caso amplamente comentado nas redes, uma mulher teria tentado usar uma boneca para ocupar um assento preferencial em um transporte público, gerando indignação entre os passageiros.

O projeto divide opiniões. Para os defensores, a medida é necessária para proteger benefícios sociais e evitar fraudes. Já os críticos argumentam que a legislação pode ser excessiva, considerando que o uso de bebês reborn é, para muitos, uma prática inofensiva ou até terapêutica.

A tramitação do projeto promete aquecer os debates nos próximos meses, com audiências públicas previstas para ouvir especialistas, artesãos e colecionadores.

O que são bebês reborn

Bebês reborn são bonecas hiper-realistas, criadas artesanalmente para imitar recém-nascidos com detalhes impressionantes. Segundo Daniela Baccan, sócia da Alana Babys, loja especializada em Campinas, São Paulo, essas bonecas existem desde o início dos anos 2000, mas avanços recentes em materiais elevaram seu realismo.

A produção envolve técnicas minuciosas. Cada boneca é desenhada camada por camada, com atenção a detalhes como unhas, dobras da pele e até cordões umbilicais de silicone. Os cabelos, feitos de pelo de cordeiro, são implantados fio a fio. Alguns modelos incluem dispositivos que simulam batimentos cardíacos ou permitem que a boneca “beba” mamadeira e “urine” por meio de um sistema interno.

As bonecas podem ser personalizadas, com opções de cor de pele, olhos e até características específicas, como sinais físicos de síndrome de Down. Para completar, muitas vêm com enxovais completos, certidões de nascimento fictícias e até cartões de vacinação.

Preços e mercado

O custo de um bebê reborn varia significativamente. Modelos mais simples, feitos de vinil, partem de R$ 750 e são populares entre crianças, já que são mais resistentes. Já as bonecas de silicone sólido, que imitam a textura da pele humana, podem custar até R$ 9,5 mil.

O mercado brasileiro para essas bonecas tem crescido. Lojas especializadas, como a Alana Babys, relatam aumento na demanda, impulsionado pela visibilidade nas redes sociais. Artesãos também oferecem cursos para ensinar a produção de bebês reborn, com preços que variam de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil por workshop.

A seguir, alguns fatores que influenciam o preço:

  • Material: Silicone sólido é mais caro que vinil.
  • Detalhamento: Bonecas com dispositivos internos, como batimentos cardíacos, custam mais.
  • Personalização: Características únicas, como cor de olhos ou sinais físicos, elevam o valor.
  • Acessórios: Enxovais e certidões fictícias são vendidos à parte.

O setor atrai tanto colecionadores quanto pessoas em busca de objetos terapêuticos, como mulheres que lidam com a perda de um filho.

Reações nas redes sociais

A popularidade dos bebês reborn nas redes sociais é inegável. No TikTok, vídeos de adultos cuidando das bonecas acumulam milhões de visualizações. Alguns mostram rotinas detalhadas, como trocar fraldas ou preparar mamadeiras, enquanto outros exibem passeios em shoppings ou parques.

As reações são polarizadas. Parte dos usuários elogia a criatividade e o talento dos artesãos, enquanto outros criticam a prática, chamando-a de “perturbadora”. Comentários como “Isso é uma boneca, não uma criança!” são comuns em vídeos virais.

Um caso recente, em que uma mulher tentou usar um bebê reborn para acessar uma fila preferencial em um banco, gerou milhares de compartilhamentos no Instagram. A situação foi filmada por outro cliente, que questionou a atitude, enquanto a mulher defendeu que “era só uma brincadeira”.

Boneco bebê reborn
Boneco bebê reborn – Foto: Divulgação/Reborn Bebê

Origem e evolução

Embora os bebês reborn tenham ganhado destaque nos últimos anos, sua história remonta ao início dos anos 2000, nos Estados Unidos. A prática começou com colecionadores que modificavam bonecas de vinil para torná-las mais realistas, usando tintas e técnicas de pintura.

Com o tempo, o silicone sólido substituiu o vinil em modelos premium, permitindo maior flexibilidade e realismo. No Brasil, o mercado começou a crescer por volta de 2010, com artesãos adaptando técnicas estrangeiras. Hoje, o país tem uma comunidade ativa de criadores e colecionadores, com feiras anuais e grupos online.

A evolução tecnológica também contribuiu. Novos materiais, como silicone de alta densidade, e ferramentas de precisão, como pincéis de cerdas ultrafinas, permitiram criar bonecas quase indistinguíveis de bebês reais à primeira vista.

Usos variados

Bebês reborn têm funções que vão além do colecionismo. Para algumas pessoas, as bonecas servem como ferramentas terapêuticas, ajudando a lidar com luto ou ansiedade. Psicólogos relatam que, em casos específicos, cuidar de uma boneca pode trazer conforto emocional, especialmente para quem perdeu um filho.

As bonecas também são usadas em treinamentos médicos e em produções audiovisuais, substituindo bebês reais em cenas que exigem longas horas de gravação. Escolas de enfermagem, por exemplo, utilizam modelos de silicone para simular cuidados neonatais.

Outros usos incluem:

  • Fotografia artística: Bonecas são usadas em ensaios newborn.
  • Decoração: Algumas famílias as utilizam como peças de coleção.
  • Brincadeiras infantis: Modelos de vinil são populares entre crianças.
  • Terapia ocupacional: Atividades com bonecas ajudam idosos com demência.

Apesar dos benefícios, o uso em contextos públicos, como filas preferenciais, tem gerado controvérsias.

Artesanato e dedicação

A criação de um bebê reborn é um processo trabalhoso. Artesãos podem levar de 20 a 60 horas para concluir uma boneca, dependendo da complexidade. O trabalho começa com a escolha do molde, que define o formato do rosto e do corpo. Em seguida, a pintura é feita em camadas, com até 20 etapas para alcançar o tom de pele desejado.

Os olhos, geralmente de acrílico ou vidro, são importados de países como Alemanha e Estados Unidos. O cabelo, de mohair ou pelo de cordeiro, exige paciência para ser implantado fio a fio. Para modelos de silicone, o preenchimento interno pode incluir materiais como microesferas de vidro, que dão peso e textura realista.

Artesãos brasileiros, como Daniela Baccan, destacam o orgulho pelo trabalho. “Cada boneca é única, feita com carinho. É uma arte que exige técnica e emoção”, afirma.

Debate ético

O uso de bebês reborn levanta questões éticas. Para alguns, tratar uma boneca como criança é uma escolha pessoal, sem prejuízo a terceiros. Outros, porém, veem a prática como desrespeitosa, especialmente quando envolve benefícios sociais.

Casos de fraudes, como tentativas de acessar filas preferenciais, alimentam o argumento de que a prática pode banalizar os desafios de pais de recém-nascidos. Em contrapartida, colecionadores defendem que os bebês reborn são apenas objetos de arte ou terapia, não uma tentativa de enganar.

O debate também toca na saúde mental. Embora psicólogos reconheçam benefícios terapêuticos, alertam que o apego excessivo às bonecas pode indicar questões emocionais não resolvidas, exigindo acompanhamento profissional.

Comunidade de colecionadores

No Brasil, a comunidade de colecionadores de bebês reborn é crescente. Grupos no Facebook e WhatsApp reúnem milhares de membros, que compartilham dicas, fotos e anúncios de vendas. Feiras presenciais, como a Reborn Expo, realizada anualmente em São Paulo, atraem centenas de visitantes.

Os colecionadores são majoritariamente mulheres, mas homens também participam. Muitos veem as bonecas como obras de arte, enquanto outros as tratam como “filhos adotivos”, criando rotinas de cuidados.

A comunidade também enfrenta preconceitos. Membros relatam olhares de desaprovação em público, especialmente quando levam as bonecas para passeios. “As pessoas não entendem que é uma paixão, como colecionar carros ou selos”, diz uma colecionadora de Minas Gerais, que prefere não se identificar.

Futuro do mercado

O mercado de bebês reborn no Brasil deve continuar crescendo, impulsionado pelas redes sociais e pelo aumento de artesãos capacitados. Lojas online, como a Alana Babys, já exportam para países da América Latina, como Argentina e Chile.

Novas tecnologias, como impressoras 3D, podem baratear a produção de moldes, tornando as bonecas mais acessíveis. No entanto, artesãos alertam que o trabalho manual, essencial para o realismo, nunca será completamente substituído.

O projeto de lei, se aprovado, pode impactar o mercado, especialmente se aumentar o estigma em torno das bonecas. Por outro lado, colecionadores acreditam que a regulamentação pode esclarecer o uso adequado, reduzindo mal-entendidos.

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