O Complexo Industrial Nissan em Resende, no Rio de Janeiro, permanece como um dos pilares da estratégia da montadora japonesa no Brasil. Desde abril de 2017, a fábrica produz o Kicks, utilitário esportivo compacto que chegou ao país em 2016, inicialmente importado do México. Com a proximidade do lançamento da segunda geração do modelo, previsto para o final do primeiro semestre de 2025, a Nissan decidiu manter a produção da geração atual, agora rebatizada como Kicks Play. A versão intermediária Sense, vendida por R$ 129.690, destaca-se como a opção que melhor combina equipamentos e preço acessível.
A estratégia de manter uma geração antiga como versão de entrada não é nova para a Nissan. Em 2020, a montadora aplicou fórmula semelhante com o sedã Versa, que continuou sendo oferecido como V-Drive após a chegada de uma nova geração. A linha Kicks Play, disponível desde fevereiro de 2025, oferece três configurações: Active Plus, Sense e Advance Plus. A decisão reflete o posicionamento da Nissan em atender consumidores que buscam custo-benefício enquanto prepara a transição para modelos mais modernos.
- Preço inicial acessível: A versão Active Plus parte de R$ 117.990, competindo com SUVs compactos de entrada.
- Equipamentos de série: Todas as versões incluem airbags duplos, laterais e de cortina, além de multimídia com tela de 7 polegadas.
- Produção contínua: O Kicks Play será fabricado até abril de 2026, ao lado da nova geração e de um terceiro SUV ainda não revelado.
A Nissan também planeja transformar Resende em um polo exportador para a América Latina, com destaque para o México, que receberá um novo SUV compacto produzido no Brasil. O investimento de R$ 2,8 bilhões no país inclui a fabricação de um motor 1.5 turbo, sinalizando uma renovação tecnológica na linha de produção.
Preços mantêm competitividade
A faixa de preços do Kicks Play foi cuidadosamente planejada para atrair consumidores que buscam um SUV compacto sem ultrapassar a barreira dos R$ 150 mil. A versão de entrada, Active Plus, custa R$ 117.990 e traz rodas de aço de 16 polegadas, ar-condicionado e bancos com tecnologia Zero Gravity, que reduz a fadiga em longas viagens. Já a configuração Sense, por R$ 129.690, adiciona rodas de liga leve de 17 polegadas, rack de teto e multimídia com conectividade Apple CarPlay e Android Auto. A topo de linha Advance Plus, a R$ 148.090, incorpora tecnologias de segurança do pacote Nissan Safety Shield, como aviso de colisão.
Embora os preços sejam competitivos, a ausência de novidades significativas em relação ao Kicks 2024 pode limitar o apelo do modelo. A nova geração, com valores previstos acima de R$ 160 mil, deverá trazer inovações em design, motorização e tecnologia, enquanto o Kicks Play mantém o projeto original, lançado há quase uma década.
Produção em Resende ganha fôlego
A fábrica de Resende opera desde 2014 e já produziu mais de 500 mil veículos, com o Kicks como principal destaque. A decisão de manter a produção do Kicks Play até 2026 reflete a confiança da Nissan na demanda por modelos de entrada. Além disso, a planta sul-fluminense está se preparando para fabricar dois novos SUVs, incluindo um modelo inédito que compartilhará a plataforma do Renault Kardian. Esse movimento reforça a integração entre Nissan e Renault, que fazem parte da mesma aliança global.
- Capacidade ampliada: A fábrica terá três modelos em produção simultânea até abril de 2026.
- Exportação estratégica: O México será um dos principais destinos dos novos SUVs fabricados em Resende.
- Investimento robusto: Os R$ 2,8 bilhões incluem a produção de um motor 1.5 turbo, que equipará os próximos lançamentos.
- Sustentabilidade: A planta adota tecnologias para reduzir emissões, alinhada às normas Proconve L8.
O Kicks Play, apesar de ser um modelo de transição, mantém a relevância da fábrica no cenário automotivo nacional. A Nissan aposta na versatilidade da planta para atender tanto o mercado interno quanto a exportação, fortalecendo sua presença na América Latina.
Equipamentos valorizam a experiência
O Kicks Play Sense oferece um pacote de equipamentos que atende às expectativas de consumidores que priorizam funcionalidade. A versão intermediária inclui direção elétrica progressiva, sistema de monitoramento de pressão dos pneus e travamento automático das portas. O multimídia com tela sensível ao toque de 7 polegadas, embora funcional, já mostra sinais de defasagem em comparação com sistemas mais modernos oferecidos por concorrentes como o Volkswagen T-Cross e o Chevrolet Tracker.
Os bancos com tecnologia Zero Gravity, presentes em todas as versões, continuam sendo um diferencial. Desenvolvidos com base em estudos ergonômicos, eles simulam a posição do corpo em ambientes sem gravidade, proporcionando maior conforto em viagens longas. O espaço interno também é um ponto forte, com entre-eixos de 2,62 metros que garante conforto para os ocupantes traseiros, embora o banco traseiro seja mais adequado para dois adultos.
A ausência de tecnologias como a Visão 360 Graus, disponível em versões anteriores do Kicks, é uma limitação notável. A Nissan parece reservar esses recursos para a nova geração, que deverá incorporar assistentes de condução avançados e sistemas de conectividade mais robustos.
Motor 1.6 enfrenta desafios modernos
O coração do Kicks Play é o motor 1.6 16V flex, que entrega 110 cavalos com gasolina e 113 cavalos com etanol, ambos a 5.600 rpm. O torque, ajustado para atender às normas Proconve L8, é de 14,9 kgfm com gasolina e 15,2 kgfm com etanol, a 4 mil giros. Acoplado ao câmbio CVT com seis marchas simuladas, o conjunto privilegia a economia de combustível, com médias de 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina, segundo o Inmetro.
Embora confiável e de baixa manutenção, o motor aspirado já não acompanha a potência de rivais equipados com propulsores turbo, como o Jeep Renegade e o Hyundai Creta. No uso urbano, o Kicks Play se sai bem, beneficiado pelo peso reduzido de 1.122 quilos na versão Sense. Em rodovias, porém, a falta de torque em ultrapassagens é perceptível, especialmente com o veículo carregado.
- Desempenho urbano: O motor 1.6 garante agilidade no trânsito, mas exige paciência em subidas íngremes.
- Câmbio CVT: A transmissão simula marchas com eficiência, mas o modo Sport tem efeito limitado.
- Consumo competitivo: As médias de consumo estão entre as melhores da categoria.
- Manutenção acessível: O motor aspirado é conhecido pela durabilidade e baixo custo de reparos.
A Nissan parece ciente das limitações do propulsor, já que o investimento em Resende inclui a produção de um motor 1.5 turbo, que deverá equipar a nova geração do Kicks e o SUV inédito.
Design preserva identidade jovial
O Kicks Play mantém o design que conquistou consumidores desde 2016, com linhas fluidas e uma silhueta que transmite dinamismo. A identificação “Play” na tampa do porta-malas é a principal novidade visual, junto com a grade frontal e as maçanetas na cor da carroceria na versão Sense. As rodas de liga leve de 17 polegadas reforçam o apelo estético, enquanto as opções de cores, como Vermelho Malbec e Branco Diamond, permitem personalização.
Internamente, o habitáculo preserva a simplicidade característica dos projetos japoneses. Plásticos duros dominam o acabamento, mas a montagem é precisa, garantindo durabilidade. O volante de três raios, com comandos de áudio e piloto automático, oferece boa ergonomia. No entanto, o design interno já não disfarça a idade do projeto, especialmente quando comparado a SUVs mais recentes, como o Honda HR-V.
Espaço interno destaca conforto
O Kicks Play continua sendo referência em espaço interno entre os SUVs compactos. O entre-eixos de 2,62 metros proporciona amplo espaço para as pernas dos ocupantes traseiros, superando modelos como o Toyota Corolla Cross. O porta-malas de 432 litros é outro destaque, acomodando bagagens com facilidade e superando a capacidade de rivais como o Volkswagen Nivus.
A configuração Sense oferece bancos revestidos em tecido preto, com ajustes manuais de altura para o motorista. O banco traseiro, bipartido na proporção 60/40, permite flexibilidade para transportar cargas maiores. Apesar do conforto, a ausência de saídas de ar-condicionado para os ocupantes traseiros é uma desvantagem em relação à concorrência.
- Porta-malas generoso: Os 432 litros superam a média da categoria.
- Espaço traseiro: Ideal para dois adultos, mas apertado para três.
- Flexibilidade: O banco rebatível facilita o transporte de objetos longos.
- Conforto ergonômico: A tecnologia Zero Gravity reduz a fadiga em viagens.
O espaço interno é um dos principais atrativos do Kicks Play, especialmente para famílias que buscam um SUV versátil para o dia a dia.
Suspensão privilegia equilíbrio
A suspensão do Kicks Play, com arquitetura MacPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, foi ajustada para oferecer conforto sem sacrificar a estabilidade. O sistema absorve bem as irregularidades do asfalto, tornando o SUV adequado para o uso urbano e rodoviário. A altura livre do solo de 20 centímetros permite enfrentar lombadas e obstáculos leves com segurança.
Nas curvas, o Kicks Play mantém a compostura, com inclinação moderada da carroceria. A direção elétrica progressiva é outro ponto positivo, oferecendo leveza em manobras e firmeza em velocidades mais altas. A combinação de suspensão e direção garante uma experiência de condução previsível, embora sem apelo esportivo.
Segurança atende padrões básicos
A segurança do Kicks Play é reforçada por equipamentos de série, como airbags frontais, laterais e de cortina, além de controles de tração e estabilidade. O sistema de monitoramento de pressão dos pneus e o assistente de partida em rampa são úteis no dia a dia. Na versão Sense, a câmera de ré facilita manobras, mas a ausência de sensores de estacionamento é uma limitação.
A topo de linha Advance Plus inclui tecnologias do Nissan Safety Shield, como alerta de colisão e frenagem autônoma de emergência. Esses recursos, porém, não estão disponíveis nas versões mais acessíveis, o que pode desapontar consumidores que buscam segurança avançada em faixas de preço mais baixas.
- Airbags completos: Seis airbags são padrão em todas as versões.
- Assistentes básicos: O sistema de partida em rampa é útil em subidas.
- Limitações tecnológicas: Sensores de estacionamento e Visão 360 Graus estão ausentes.
A Nissan priorizou equipamentos essenciais, mas a concorrência já oferece mais assistentes de condução em modelos de entrada.
Estratégia de mercado foca transição
A decisão de manter o Kicks Play no mercado até 2026 reflete a estratégia da Nissan de atender diferentes perfis de consumidores. Enquanto a nova geração do Kicks, com preço inicial acima de R$ 160 mil, mira o segmento premium dos SUVs compactos, o Kicks Play se posiciona como uma opção racional para quem busca economia. A versão Sense, em particular, equilibra custo e benefícios, tornando-se a escolha mais atrativa da linha.
A Nissan também está de olho no mercado externo. A fábrica de Resende será a base para exportações à América Latina, com o México como destino prioritário. O SUV inédito, que compartilhará a plataforma do Renault Kardian, deve reforçar a presença da montadora na região, aproveitando a capacidade produtiva da planta brasileira.

