A Ford encontrou na aquisição da Willys Overland do Brasil um projeto que mudaria sua trajetória no mercado nacional. O Corcel nasceu em 1968 com base na plataforma do Renault 12 e trouxe porte compacto junto com motor econômico para o público brasileiro. O nome seguiu a linha equina iniciada pelo Mustang anos antes.
O sedã ganhou espaço rapidamente e se tornou um dos veículos mais vendidos da marca. Versões posteriores como o Corcel II mantiveram a essência e abriram caminho para derivados que marcaram décadas seguintes. Um exemplar GT 1978 ajuda a ilustrar o que fez desse carro um ícone.
Projeto nasceu com Willys Overland e foi absorvido pela Ford
A Ford concluiu a compra da Willys Overland do Brasil em 1967 e descobriu um pequeno sedã em desenvolvimento. O carro usava a plataforma do Renault 12 para substituir o Gordini. Até então a fabricante atuava principalmente com caminhões e picapes no país.
O modelo recebeu o nome Corcel e chegou ao mercado em 1968. Faróis redondos e desenho compacto chamaram atenção. Ele foi eleito Carro do Ano pela Autoesporte em 1969 e novamente em 1973. A segunda metade da década de 1970 trouxe concorrência forte de Fiat 147 Chevrolet Chevette e Volkswagen Variant II.
- Motor 1.4 aspirado entregava 72 cv e 11,5 kgfm de torque no GT 1978
- Câmbio manual de quatro marchas com tração dianteira
- Suspensão independente na dianteira e eixo rígido atrás
- Porta-malas com 380 litros apesar do entre-eixos curto
A Ford respondeu com o Corcel II lançado no final de 1977 como modelo 1978. A carroceria ganhou linhas mais retas e modernas. A plataforma permaneceu a mesma mas recebeu atualizações. O GT se posicionou como versão esportiva com pintura em dois tons faixas coloridas e detalhes exclusivos.
Corcel II GT 1978 trazia acabamentos que diferenciavam a versão
O exemplar dirigido pela reportagem pertence ao colecionador Paul Gregson. O capô preto e as faixas laterais coloridas eram exclusivos do GT. O volante de três raios veio do Maverick e os bancos de vinil davam toque mais refinado. O motorista nota os engates longos do câmbio de quatro marchas mesmo após quase 50 anos.
O motor 1.4 faz barulho característico especialmente com o quebra-vento aberto. O modelo só ganhou ar-condicionado em anos posteriores. A ergonomia surpreende. O banco sustenta bem o corpo e a posição de dirigir continua confortável. O rádio AM com toca-fitas completa o ambiente de época.
O espaço interno atrás é limitado pelo entre-eixos de 2,44 metros. Mesmo assim o porta-malas oferece 380 litros com estepe lateral. O volume superava o do Passat TS em 18 litros na época. Rodas de aço aro 13 com emblema GT fechavam o visual.
Sucessores ampliaram o legado do Corcel na linha Ford
O Corcel II serviu de base para vários derivados. A Belina surgiu como station wagon e ganhou fama pelo espaço interno e suspensão macia. O Del Rey chegou em 1981 com acabamento mais luxuoso e posicionamento premium. A Pampa picape veio depois e dominou o segmento de utilitários leves por anos.
Esses modelos compartilharam mecânica e plataforma em diferentes graus. A família Corcel atendeu famílias e trabalhadores por quase três décadas. A produção do Corcel II durou até 1986. O Verona assumiu o lugar mas não repetiu o mesmo êxito comercial.
A Ford só voltou a ter sedã de grande sucesso com o Fiesta nos anos 2000. O Corcel representou a entrada definitiva da marca no segmento de veículos familiares no Brasil. Ele mostrou como um projeto de origem francesa adaptado pela Willys se transformou em sucesso local.
Detalhes mecânicos e dimensões definiram o comportamento do GT
O motor quatro cilindros em linha ficava longitudinal. Ele rendia 72 cv a 5.400 rpm e torque de 11,5 kgfm a 3.600 rpm. A direção era mecânica. Freios usavam discos sólidos na frente e tambores atrás. Os pneus eram 185/70 R13.
Dimensões externas incluíam 4,47 metros de comprimento 1,66 m de largura e 1,35 m de altura. O peso ficava em torno de 916 kg. O tanque tinha capacidade de 57 litros. Esses números garantiam bom aproveitamento para a época tanto na cidade quanto em viagens.
O câmbio exigia adaptação. A terceira marcha pedia movimento semelhante ao da quinta em caixas modernas. Mesmo assim o conjunto entregava dirigibilidade interessante. A suspensão lidava bem com irregularidades típicas das estradas brasileiras.
Clássico continua a atrair colecionadores e preservar memória automotiva
Exemplares bem conservados como o GT 1978 aparecem em encontros e reportagens especiais. Eles lembram uma fase de transição da indústria nacional. A Ford usou o Corcel para consolidar presença no mercado de passeio e abriu portas para modelos que ainda são lembrados com carinho.
O carro ajudou a popularizar conceitos como tração dianteira em veículos acessíveis. Sua história mistura inovação importada com adaptações locais. Hoje ele representa parte importante da evolução dos automóveis no Brasil.

