A Renault confirmou oficialmente o lançamento da versão híbrida do Boreal no Brasil. O presidente do grupo Renault Geely no país, Ariel Montenegro, detalhou no programa CBN Autoesporte que o SUV médio ganhará uma motorização eletrificada inovadora.
A marca já havia dado indícios sobre o Boreal híbrido em abril. Agora, o executivo foi direto ao afirmar que a versão eletrificada virá com uma solução bem inovadora de motorização.
Segundo Ariel Montenegro, o Renault Boreal híbrido deve chegar ao mercado brasileiro dentro de mais alguns meses. Ele deixou claro, porém, que o lançamento não ocorrerá em 2026. A expectativa é para o primeiro semestre de 2027, o que completa a linha do SUV eleito Carro do Ano 2026, hoje oferecido apenas com motor 1.3 TCe turbo flex de 163 cv e câmbio automatizado de dupla embreagem EDC.
O executivo reforçou que o modelo virá. “Pode esperar: vai chegar. Estamos trabalhando. Não estamos falando de 2026, ainda falta tempo para o lançamento e o modelo está em desenvolvimento, mas estamos trabalhando. A gente está acelerando o projeto da chegada de uma solução híbrida que vai ser bem inovadora e pode esperar mais alguns meses que vai chegar”, declarou.
A novidade busca dar novo impulso ao Renault Boreal, que desde o lançamento ainda não registra grandes volumes de vendas. De janeiro a maio de 2026, o SUV acumulou 4.775 emplacamentos, segundo a Fenabrave, número abaixo de rivais diretos como Toyota Corolla Cross, Jeep Compass e BYD Song Pro.
Quando o Boreal foi lançado, a Renault priorizou uma motorização flex, que dominava o segmento na época. “O fato é que os consumidores estão acelerando na eletrificação e a gente pode priorizar esses desenvolvimentos de modelos híbridos. Tem prazos de desenvolvimento e prazos que têm que ser respeitados de homologação, mas o Boreal híbrido chegará daqui a alguns meses, assim que estiver pronto”, completou Montenegro.
Mesmo sem deslanchar em vendas, o Boreal cumpre papel estratégico para a Renault. Segundo o presidente, o modelo trouxe 65% de taxa de conquista de clientes que não estavam na marca. Isso permite à Renault voltar ao segmento C, onde não atuava desde o Fluence, há cerca de 15 anos.
Para Ariel Montenegro, a vida do Boreal ficou mais desafiadora por causa do excesso de lançamentos no segmento. “A gente tem contado mais de 120 lançamentos neste ano de 2026, e a maioria está nos segmentos B Plus e C. Então tem um monte de novidade nesse segmento. O Boreal tem a difícil tarefa de ser uma referência nesse mercado, que hoje é um dos mais competitivos. E ele está conseguindo se fazendo conhecer com familiaridade, mês após mês, nesse segmento bem disputado”, avaliou.
Como será o Renault Boreal híbrido?
Em março deste ano, o Boreal foi flagrado em testes na Europa com o sistema híbrido leve de 48 Volts (MHEV) já aplicado no Dacia Bigster. O SUV derivado do Duster de terceira geração usa na Europa uma configuração incomum: motor híbrido leve combinado com tração 4×4 e motor elétrico traseiro.
O sistema funciona com motor a combustão na frente. No caso europeu, um 1.2 turbo a gasolina de três cilindros com 140 cv e 23,5 kgfm. O câmbio é o mesmo automatizado de dupla embreagem de seis marchas EDC usado no Boreal brasileiro. O motor elétrico traseiro entrega 31 cv e 8,9 kgfm, com segundo conjunto de embreagens de duas marchas e possibilidade de desacoplamento. A potência combinada chega a 156 cv.
O conjunto inclui bateria de íons de lítio de 48V com capacidade de 0,84 kWh, recarregada por frenagens regenerativas ou pelo motor a combustão. Isso permite ao motor elétrico auxiliar em tração, especialmente em reduzida ou como complemento.
O sistema permite rodar em modo apenas elétrico com tração traseira. Assim, o Boreal híbrido terá tração 4×2 dianteira, 4×2 traseira ou 4×4 conforme a demanda. Na Europa, os Duster e Bigster híbridos leves 4×4 conseguem rodar até 60% do tempo em modo elétrico no uso urbano.
No Brasil, o Boreal usará o motor 1.3 TCe turbo flex de quatro cilindros com 163 cv e 27,5 kgfm no lugar do 1.2 europeu. Junto à tecnologia eletrificada, a potência combinada deve ficar em torno de 180 cv. Internamente, o sistema é chamado de e-4WD pela Renault.

