Bruno Henrique falta audiência no STJD sobre manipulação de resultadosPor Thiago Lemos
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No centro de uma investigação que abala o futebol brasileiro, o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, não compareceu à audiência online marcada para a manhã de 26 de maio de 2025, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A ausência do jogador, justificada por um treinamento no Ninho do Urubu, centro de treinamento do clube carioca, gerou adiamento do depoimento, enquanto o caso de suposta manipulação de apostas ganha novos desdobramentos. A defesa do camisa 27 argumenta que sua presença não era obrigatória, mas reforça a relevância de esclarecer as acusações que pesam contra ele.
O inquérito, reaberto pelo STJD após evidências apresentadas pela Polícia Federal, envolve não apenas Bruno Henrique, mas também familiares e conhecidos, todos indiciados por possíveis fraudes em apostas esportivas. A investigação aponta para mensagens comprometedoras encontradas no celular do irmão do jogador, Wander Nunes Pinto Júnior, que sugerem a manipulação de um cartão amarelo em uma partida contra o Santos, pelo Brasileirão de 2023.
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Enquanto o Flamengo se prepara para os próximos jogos, o caso mantém o clube e o jogador sob os holofotes. A seguir, os principais pontos do caso:
- Indiciamento de dez pessoas, incluindo Bruno Henrique e três familiares.
- Apostas suspeitas concentradas em um cartão amarelo no jogo Flamengo x Santos.
- Defesa do jogador solicita anulação do processo na Justiça do Distrito Federal.
- STJD aguarda nova data para ouvir o atacante e outros envolvidos.
O adiamento da audiência reacende debates sobre a integridade no esporte e coloca o Flamengo em uma posição delicada, enquanto a torcida aguarda os próximos passos da investigação.
Bruno Henrique não comparece a audiência online de caso de apostas no STJD.
— LIBERTA DEPRE (@liberta___depre) May 26, 2025
O atacante do Flamengo alegou que teria treino no Ninho do Urubu, CT do rubro-negro, no mesmo horário e informou ao tribunal, que ficou de remarcar.
O jogador não era obrigado a ir, mas foi intimado… pic.twitter.com/aKh5OhCXFc
Reações no meio esportivo
O não comparecimento de Bruno Henrique à audiência do STJD gerou discussões entre torcedores, jornalistas e especialistas do futebol. No Ninho do Urubu, o treinamento da equipe seguiu normalmente, com o jogador participando das atividades sob o comando do técnico. A agenda cheia do Flamengo, que inclui compromissos no Campeonato Brasileiro e na Libertadores, foi apontada como fator determinante para a ausência do atacante na sessão online.
A defesa do jogador, liderada pelo advogado Ricardo Pieri, emitiu uma nota destacando que a participação de Bruno Henrique na audiência não era obrigatória. No entanto, os advogados reforçaram a intenção do atleta de colaborar com as investigações, desde que alinhada com os compromissos profissionais. A mudança de horário da audiência, inicialmente marcada para as 15h e transferida para a manhã, também foi citada como um obstáculo logístico.
No ambiente virtual, torcedores rubro-negros expressaram apoio ao jogador, enquanto outros criticaram a ausência, argumentando que o caso exige esclarecimentos urgentes. Posts em redes sociais, como no X, mostram a polarização: alguns defendem a presunção de inocência, enquanto outros questionam a postura do Flamengo em manter o atleta em campo durante a investigação.
Detalhes da investigação
A investigação que envolve Bruno Henrique teve início em agosto de 2024, após três casas de apostas alertarem a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sobre movimentações suspeitas no mercado de cartões durante o jogo entre Flamengo e Santos, em 1º de novembro de 2023. Na partida, disputada no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, o atacante recebeu um cartão amarelo nos acréscimos do segundo tempo, após uma falta sobre o jogador Soteldo. Em seguida, uma reclamação com o árbitro resultou em um cartão vermelho, levando à expulsão de Bruno Henrique.
A Polícia Federal, ao analisar celulares e computadores apreendidos, identificou trocas de mensagens que sugerem a manipulação do cartão amarelo. Um diálogo de 29 de agosto de 2023, entre Bruno Henrique e seu irmão Wander, revela o jogador indicando que tomaria o terceiro cartão amarelo contra o Santos. Wander, em tom descontraído, perguntou se o atacante “aguentaria” ficar sem cartões até a data do jogo, ao que Bruno respondeu que evitaria reclamações com a arbitragem.
Os investigadores destacaram a sincronia das apostas realizadas por familiares e conhecidos do jogador. Três parentes foram indiciados por estelionato:
- Wander Nunes Pinto Júnior, irmão do atleta, apostou R$ 380,86 e obteve retorno de R$ 1.180,67.
- Ludymilla Araújo Lima, cunhada, fez apostas em duas plataformas, com ganhos de R$ 1.180,67 e R$ 1.425,00.
- Poliana Ester Nunes Cardoso, prima, também apostou R$ 380,86, com retorno de R$ 1.180,67.
Além dos familiares, seis outros apostadores, sem relação direta com Bruno Henrique, também foram indiciados. A ligação entre os dois grupos é Wander, que mantinha contato com Claudinei Vítor Mosquete Bassan, integrante do segundo núcleo de apostadores.
Movimentações judiciais
A defesa de Bruno Henrique tem adotado uma postura ativa para contestar as acusações. Recentemente, os advogados protocolaram um pedido de anulação do processo na Justiça do Distrito Federal, argumentando que o caso deveria ser transferido da Justiça Estadual para a Justiça Federal. A solicitação inclui a invalidação de todas as decisões tomadas até o momento e a exclusão das provas obtidas, como as mensagens extraídas dos celulares.
No âmbito esportivo, o STJD arquivou o caso em setembro de 2024, alegando que os valores envolvidos nas apostas eram “ínfimos” em comparação ao salário do jogador. No entanto, o inquérito foi reaberto após a apresentação de novas evidências pela Polícia Federal. O relatório de 84 páginas, que detalha as conversas e apostas, foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal, que decidirá se formalizará a denúncia.
A estratégia da defesa também questiona a credibilidade dos alertas das casas de apostas, como a Betano, que reportou um aumento de 98% no volume de apostas direcionadas ao cartão amarelo de Bruno Henrique. Os advogados sugerem que a empresa, patrocinadora de clubes rivais, como o Atlético-MG, poderia ter interesses conflitantes.
Apostas e lucros
As apostas no cartão amarelo de Bruno Henrique chamaram atenção pela concentração incomum. Dados da investigação revelam que 95% a 98% das apostas no mercado de cartões, em diferentes plataformas, estavam direcionadas ao jogador. A probabilidade estatística de Bruno Henrique receber um cartão amarelo, com base em seu histórico nos Brasileirões de 2023 e 2024, era de apenas 15%, o que reforçou as suspeitas de manipulação.
Os lucros obtidos pelos apostadores variaram entre R$ 700 e R$ 2,5 mil, valores considerados baixos em comparação aos ganhos mensais do atacante. No entanto, a Polícia Federal aponta que a intenção era maximizar os ganhos por meio de apostas em múltiplas plataformas. Ludymilla, por exemplo, utilizou duas casas de apostas, enquanto outras contas foram criadas na véspera do jogo, um padrão considerado “intrinsecamente suspeito”.
A seguir, os valores apostados e os retornos de alguns indiciados:
- Wander: R$ 380,86 apostados, com retorno de R$ 1.180,67.
- Ludymilla: R$ 380,86 e R$ 500,00, com retornos de R$ 1.180,67 e R$ 1.425,00.
- Poliana: R$ 380,86 apostados, com retorno de R$ 1.180,67.
- Claudinei: Apostas com lucro de até R$ 2,5 mil.
A Betano, uma das plataformas, bloqueou pagamentos suspeitos, enquanto a GaleraBet e a KTO também identificaram movimentações atípicas.
Envolvimento de familiares
O núcleo familiar de Bruno Henrique está no centro das investigações. Wander, irmão do jogador, é apontado como o principal elo entre o atleta e os apostadores. Mensagens trocadas entre ele e Ludymilla, sua esposa, mostram discussões sobre os valores das apostas e dificuldades com o bloqueio de pagamentos. Em uma conversa com a mãe, Ludymilla relatou ter sido ameaçada por Wander, que cobrava o dinheiro de uma aposta feita em seu nome.
Poliana, prima do jogador, também participou das apostas, mas seu envolvimento parece menos estruturado. A Polícia Federal concluiu que os familiares tinham ciência da natureza ilícita das apostas, especialmente Ludymilla, que manteve o controle de uma conta suspeita. As mensagens revelam um planejamento prévio, com apostas sincronizadas em horários próximos e valores semelhantes.
A investigação também identificou mensagens apagadas no celular de Bruno Henrique, o que levantou suspeitas de tentativa de ocultar evidências. No entanto, as conversas intactas no aparelho de Wander forneceram material suficiente para embasar o indiciamento.
Repercussão no Flamengo
O Flamengo, em nota oficial, afirmou que não foi comunicado diretamente pelas autoridades sobre o caso. O clube reforça seu compromisso com o fair play esportivo, mas defende a presunção de inocência de Bruno Henrique enquanto as investigações seguem. A diretoria rubro-negra promoveu, em março de 2025, uma palestra para alertar os jogadores sobre os riscos das apostas esportivas, destacando a importância de evitar práticas que comprometam a integridade do esporte.
No campo, Bruno Henrique continua sendo peça fundamental no elenco. Sua atuação na temporada 2025 tem sido marcada por gols decisivos e assistências, mantendo o apoio da torcida. No entanto, a investigação gera incertezas sobre sua permanência no clube, especialmente se o Ministério Público formalizar a denúncia.
Outros casos no futebol
O caso de Bruno Henrique não é isolado no futebol brasileiro. Outros jogadores, como Luiz Henrique, ex-Real Betis, e Lucas Paquetá, do West Ham, também enfrentam investigações por suspeitas de manipulação de apostas. Luiz Henrique é alvo de uma apuração na Espanha, enquanto Paquetá responde a um processo na Federação Inglesa. Esses casos reacendem o debate sobre a regulamentação das apostas esportivas e os riscos de fraudes no esporte.
No Brasil, a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, no Senado, tem discutido medidas para coibir práticas ilícitas. A CBF, por sua vez, intensificou a fiscalização em parceria com a Associação Internacional de Integridade de Apostas (IBIA), que monitora movimentações suspeitas em todo o mundo.
A seguir, jogadores envolvidos em investigações recentes:
- Bruno Henrique: Suspeita de forçar cartão amarelo em 2023.
- Luiz Henrique: Investigado por cartões no Campeonato Espanhol.
- Lucas Paquetá: Acusado de manipulação na Premier League.
- Ênio, ex-Juventude: Suspeita de manipulação em 2025.
Próximos passos
O adiamento da audiência de Bruno Henrique no STJD marca um novo capítulo na investigação. O tribunal aguarda a remarcação para ouvir o jogador e outros indiciados, enquanto o Ministério Público do Distrito Federal analisa o relatório da Polícia Federal. A decisão sobre a formalização da denúncia será crucial para determinar se o caso seguirá para a Justiça.
No âmbito esportivo, o STJD pode aplicar sanções que vão desde multas até a suspensão ou exclusão de Bruno Henrique do futebol profissional. A Procuradoria do tribunal também avalia a possibilidade de um pedido de suspensão preventiva, embora o jogador siga atuando normalmente até o momento.
A torcida do Flamengo, enquanto isso, acompanha o desenrolar do caso com atenção. O desempenho de Bruno Henrique em campo permanece sólido, mas o desfecho judicial e esportivo pode alterar o rumo de sua carreira no clube.
Novas evidências
Recentemente, a Polícia Federal levantou suspeitas de que Bruno Henrique poderia estar envolvido em um segundo esquema, relacionado a apostas em corridas de cavalos. Mensagens trocadas com Wander, em outubro de 2023, sugerem o uso de um “laranja” para realizar transações. A investigação, ainda em fase inicial, busca esclarecer se o jogador participava diretamente das fraudes ou apenas facilitava contatos.
As conversas mencionam um contato chamado “Lajinha”, identificado como Rodrigo Laja, presente em grupos de WhatsApp com os irmãos. Embora o foco principal permaneça no caso do cartão amarelo, essas novas alegações ampliam o escopo da investigação e aumentam a pressão sobre o atacante.















