Raro Fusca automático alemão é destaque em São Roque para o Dia do Fusca

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Volkswagen Fusca automático de 1970

Volkswagen Fusca automático de 1970 - Foto: Divulgação/Dream Car

Um Volkswagen Fusca automático de 1970, modelo nunca comercializado no Brasil, está em exibição no Complexo Dream Car, em São Roque, São Paulo, como parte das celebrações do Dia Mundial do Fusca, comemorado em 22 de junho. Importado de Lima, no Peru, por um colecionador brasileiro, o veículo com apenas 55 mil quilômetros rodados chama atenção pelo câmbio automático de três marchas, uma raridade produzida na Alemanha e vendida em mercados como Estados Unidos. A unidade, que atravessou o oceano de navio, chegou ao Brasil em março de 2024 e agora é peça central de um museu dedicado a carros clássicos. O sistema do câmbio, adaptado de uma caixa manual, elimina o pedal de embreagem, oferecendo um funcionamento peculiar que intriga entusiastas.

Marcio Guerino, proprietário do Fusca, descobriu o modelo em pesquisas online, fascinado pela ausência dessa configuração no mercado brasileiro. A aquisição, negociada com um colecionador peruano, destaca a paixão por veículos históricos e a busca por exemplares únicos. A exibição no museu não só celebra a história do Fusca, mas também revela detalhes técnicos e estéticos que diferenciam o modelo alemão dos nacionais.

  • Origem internacional: Produzido na Alemanha, o Fusca automático foi exportado para mercados específicos.
  • Câmbio inusitado: O sistema de três marchas adaptado surpreende pela simplicidade e eficiência.
  • Estado de conservação: Com apenas 55 mil km, o carro mantém características originais.

O evento em São Roque atrai colecionadores e curiosos, reforçando o legado do Volkswagen Fusca, um ícone automotivo com mais de 80 anos de história.

História de um ícone automotivo
O Volkswagen Fusca, lançado na década de 1930, tornou-se um dos carros mais emblemáticos do mundo, com mais de 21 milhões de unidades produzidas até 2003. No Brasil, o modelo foi fabricado entre 1959 e 1996, com um breve retorno em 2012. Sua popularidade no país é inquestionável, mas a versão automática nunca chegou às concessionárias locais. O modelo exposto em São Roque, fabricado em 1970, representa uma faceta menos conhecida do Fusca, projetada para atender mercados como o norte-americano, onde a preferência por câmbios automáticos já era crescente na época.

A importação do veículo envolveu desafios logísticos. Transportado de navio do Peru ao Brasil, o Fusca passou por processos alfandegários rigorosos para garantir sua entrada como item de coleção. A escolha do Complexo Dream Car como destino reflete o compromisso do museu em preservar a história automotiva, com um acervo que inclui outros clássicos nacionais e internacionais.

Câmbio automático: uma solução criativa
O grande destaque do Fusca automático é seu câmbio de três velocidades, uma adaptação engenhosa da Volkswagen. Diferentemente dos sistemas automáticos modernos, o modelo de 1970 não realiza trocas de marcha automaticamente. O motorista seleciona as marchas manualmente, mas sem a necessidade de um pedal de embreagem, graças a um conversor de torque hidráulico. Esse mecanismo, que atua como um modulador de embreagem, opera de forma binária, totalmente aberto ou fechado, sem a suavidade dos sistemas atuais.

A configuração inclui:

  • Posição L (Low): Equivalente à segunda marcha, ideal para subidas ou situações que exigem maior torque.
  • Posição 1: Recomendada para o uso urbano, corresponde à terceira marcha.
  • Posição 2: Usada em rodovias, equivale à quarta marcha.
  • Marcha ré: Mantida como nos modelos manuais, mas sem pedal de embreagem.

O motor 1.500 boxer, refrigerado a ar, entrega 52 cv de potência e 10,3 kgfm de torque, números modestos, mas suficientes para o peso leve do Fusca. Essa combinação mecânica, embora simples, reflete a inovação da Volkswagen em adaptar um carro popular a novos mercados.

Volkswagen Fusca automático de 1970 – Foto: Divulgação/Dream Car

Detalhes que encantam colecionadores
O Fusca automático alemão apresenta diferenças marcantes em relação aos modelos brasileiros de mesma época. Esteticamente, a inscrição “Automatic” na tampa do motor é um dos detalhes mais chamativos. As rodas “mexicanas”, maiores que as nacionais, conferem um charme adicional, enquanto os vidros laterais e o para-brisa ampliados melhoram a visibilidade.

No interior, a alavanca de câmbio posicionada no console, e não na coluna de direção, é outra peculiaridade. O painel integra o marcador de combustível ao velocímetro, um recurso que só chegou aos Fuscas brasileiros anos depois. Outros equipamentos, como o retrovisor do lado direito, pisca-alertas e o bocal externo do tanque, antecipavam tendências que se tornariam padrão no Brasil.

O veículo passou por uma pintura no Peru, mas mantém sua originalidade mecânica e estrutural. A baixa quilometragem, de 55 mil km, reforça seu valor como peça de coleção, atraindo olhares de visitantes no Complexo Dream Car.

Complexo Dream Car: um espaço para apaixonados
Localizado em São Roque, a cerca de 60 km de São Paulo, o Complexo Dream Car é um dos principais museus automotivos do Brasil. Com um acervo que abrange desde carros clássicos até modelos de competição, o espaço é um ponto de encontro para entusiastas e famílias. A exibição do Fusca automático coincide com o Dia Mundial do Fusca, uma data que celebra o início da produção do modelo na Alemanha, em 1938.

O museu funciona de terça a domingo, com ingressos que variam de R$ 39,90 a R$ 85,99, dependendo do dia e da categoria do visitante. O endereço, na Estrada do Vinho, é de fácil acesso, e o horário estendido aos fins de semana permite que mais pessoas conheçam o raro Fusca e outros veículos históricos.

Uma viagem no tempo
A chegada do Fusca automático ao Brasil é mais do que a história de um carro raro. Ela simboliza a dedicação de colecionadores como Marcio Guerino, que cruzam fronteiras para preservar peças únicas da história automotiva. O modelo de 1970, com sua mecânica peculiar e design atemporal, oferece aos visitantes uma oportunidade de viajar ao passado e entender como a Volkswagen adaptou seu carro mais famoso para diferentes públicos.

A exibição também destaca a versatilidade do Fusca, que, mesmo décadas após sua criação, continua a surpreender. O câmbio automático, embora primitivo, foi uma tentativa ousada de modernizar o modelo sem perder sua essência. Para os brasileiros, acostumados com a robustez do Fusca manual, a versão automática é uma curiosidade que enriquece a história do carro no país.

Curiosidades sobre o Fusca automático
O modelo exposto em São Roque guarda detalhes que surpreendem até os conhecedores do Fusca:

  • Foi projetado para mercados onde o câmbio automático já era popular, como os EUA.
  • A ausência da primeira marcha reduz o desgaste em situações de baixa velocidade.
  • O conversor de torque hidráulico foi uma solução econômica para eliminar a embreagem.
  • Menos de 5% dos Fuscas produzidos na Alemanha entre 1968 e 1975 tinham câmbio automático.

Esses aspectos reforçam a exclusividade do veículo, que se junta a outros exemplares raros no acervo do Complexo Dream Car.

O legado do Fusca no Brasil e no mundo
No Brasil, o Fusca é mais do que um carro: é um símbolo cultural. Presente em filmes, músicas e histórias familiares, o modelo conquistou gerações com sua simplicidade e confiabilidade. A versão automática, embora desconhecida por aqui, mostra como a Volkswagen explorou diferentes caminhos para manter o Fusca relevante em mercados globais.

A exposição em São Roque também serve como lembrete do impacto do Fusca na indústria automotiva. Sua produção global, encerrada em 2003 no México, marcou o fim de uma era, mas o interesse por modelos clássicos permanece vivo. Museus como o Complexo Dream Car desempenham um papel crucial na preservação desse legado, permitindo que novas gerações descubram a história por trás do “besouro”.

Como visitar o museu
O Complexo Dream Car está aberto ao público com uma programação acessível:

  • Endereço: Estrada do Vinho, 7.901, São Roque, SP.
  • Horários: Terça a quinta, das 9h às 18h; sexta e sábado, das 9h às 19h; domingos e feriados, das 9h às 18h.
  • Ingressos: R$ 39,90 (dias de semana), R$ 42,99 (meia-entrada para estudantes, idosos, professores, policiais e PcD), R$ 85,99 (adultos em fins de semana).

A visita ao museu é uma oportunidade para conhecer não apenas o Fusca automático, mas também outros veículos que marcaram época, em um ambiente projetado para encantar apaixonados por carros e curiosos.

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