Um leão de estimação atacou uma mulher e duas crianças em Lahore, Paquistão, na última quarta-feira (2), deixando-as feridas após pular um muro e persegui-las em uma rua residencial. O incidente, capturado por câmeras de segurança, expôs os riscos de manter animais selvagens como pets, prática comum entre alguns ricos no país. As vítimas foram internadas, e a mulher está em condição estável. O departamento de vida selvagem capturou o animal, e os donos enfrentam medidas legais. A notícia reacende o debate sobre a posse de felinos exóticos e a segurança pública em áreas urbanas.
Detalhes do incidente em Lahore
O ataque ocorreu em uma área residencial de Lahore, segunda maior cidade do Paquistão, com cerca de 13 milhões de habitantes. Imagens de câmeras de segurança mostram o leão escalando um muro baixo e correndo em direção a uma mulher que caminhava na rua. Em poucos segundos, o animal a derrubou, causando ferimentos. Duas crianças que estavam próximas também foram alvos do felino, que as perseguiu antes de ser contido. A polícia local agiu rapidamente, mas o susto deixou marcas na comunidade.
As vítimas, cuja identidade não foi revelada, receberam atendimento médico imediato. A mulher, principal alvo do ataque, sofreu escoriações e ferimentos moderados, mas seu estado é estável, segundo autoridades. As crianças, com idades não divulgadas, também foram internadas, embora detalhes sobre sua condição não tenham sido amplamente divulgados.
O leão, identificado como um animal de estimação, pertencia a um proprietário local, cuja identidade também não foi confirmada. O caso gerou indignação entre moradores, que questionam a segurança de manter predadores em áreas urbanas densamente povoadas.
Prática de manter felinos selvagens
No Paquistão, a posse de animais exóticos, como leões e tigres, é uma prática relativamente comum entre a elite. Muitos empresários e figuras abastadas mantêm zoológicos privados, exibindo esses animais como símbolos de status. Tais coleções, no entanto, frequentemente operam em um limbo legal, com regulamentações frágeis ou mal aplicadas.
- Frequência da prática: Estima-se que centenas de felinos selvagens sejam mantidos em cativeiro privado no país.
- Riscos associados: Incidentes como o de Lahore não são isolados, com relatos de ataques e fugas em outras cidades.
- Falta de fiscalização: Muitas vezes, as autoridades só agem após acidentes, devido à influência dos proprietários.
- Impacto na segurança: A presença de predadores em áreas urbanas aumenta o risco para pedestres e vizinhos.
Essa cultura de exibição de animais selvagens tem raízes históricas, mas ganhou força com a ascensão de uma nova classe de magnatas que buscam demonstrar poder econômico. Em cidades como Karachi e Lahore, é comum ver vídeos nas redes sociais de leões sendo exibidos em carros de luxo ou em festas privadas.
Ação das autoridades e captura do leão
Após o ataque, o departamento de vida selvagem de Punjab, estado onde Lahore está localizada, foi acionado. A operação para capturar o leão foi concluída com sucesso, e o animal foi levado a um centro de custódia. As autoridades não divulgaram se o leão será transferido para um santuário ou sacrificado, mas confirmaram que ele não será devolvido aos donos.
Os proprietários do animal enfrentam sanções legais. A legislação paquistanesa proíbe a posse de animais selvagens sem licenças específicas, mas a aplicação dessas regras é inconsistente. Fontes locais indicam que multas e confiscos são as punições mais comuns, embora prisões sejam raras, especialmente quando os donos possuem conexões políticas.
O governo de Punjab anunciou uma operação em larga escala para identificar e punir quem mantém leões e outros animais exóticos ilegalmente. A iniciativa, liderada pela ministra-chefe Maryam Nawaz, visa reforçar a segurança pública e coibir a exibição de predadores em áreas residenciais.
Histórico de incidentes semelhantes
O caso de Lahore não é um evento isolado. Em 2017, um homem foi detido em Karachi após ser flagrado passeando com um leão pelas ruas da cidade à noite. O incidente, que ganhou atenção internacional, revelou a extensão do problema no Paquistão. Outros casos incluem:
- Fuga em Islamabad (2020): Um tigre mantido em uma mansão escapou, causando pânico em um bairro nobre.
- Ataque em Peshawar (2019): Um leopardo feriu dois funcionários de um zoológico particular.
- Exibição em Karachi (2022): Um leão foi levado a uma praia pública, atraindo multidões e críticas.
Esses episódios destacam a necessidade de regulamentações mais rígidas. Organizações de proteção animal, como a WWF Paquistão, têm pressionado por leis que proíbam completamente a posse de grandes felinos por indivíduos, mas a resistência de proprietários influentes dificulta o progresso.
Regulamentação e desafios legais
A posse de animais selvagens no Paquistão é regulada pela Lei de Proteção à Vida Selvagem de 1972, mas sua aplicação é limitada. Licenças para manter animais exóticos são emitidas por autoridades provinciais, mas a corrupção e a falta de recursos para fiscalização tornam o sistema ineficaz. Em muitos casos, proprietários conseguem burlar as regras com subornos ou influência política.
Além disso, o comércio de animais exóticos é um mercado lucrativo no país. Leões, tigres e leopardos são frequentemente importados de países africanos ou asiáticos, com preços que variam de 5 mil a 50 mil dólares, dependendo da espécie e da idade. Esse comércio, muitas vezes ligado a redes internacionais, alimenta a demanda por zoológicos privados.
Reação da comunidade e debate público
O ataque em Lahore gerou um intenso debate nas redes sociais e na mídia paquistanesa. Moradores da cidade expressaram medo e indignação, exigindo maior controle sobre a posse de animais perigosos. Ativistas pelos direitos dos animais aproveitaram o momento para criticar a prática de manter predadores em cativeiro, argumentando que ela é cruel tanto para os animais quanto para as comunidades próximas.
Grupos como a Sociedade Paquistanesa para a Prevenção da Crueldade contra Animais (PSPCA) pediram a criação de santuários para abrigar felinos confiscados, em vez de mantê-los em zoológicos ou devolvê-los a criadores. A pressão pública também levou a promessas do governo de Punjab de intensificar fiscalizações, mas muitos duvidam da eficácia dessas medidas a longo prazo.
Condições dos animais em cativeiro
Manter leões como animais de estimação envolve desafios significativos. Esses predadores requerem dietas específicas, espaço amplo e cuidados veterinários especializados, que muitos proprietários não fornecem. Relatos indicam que muitos felinos em zoológicos privados sofrem de desnutrição, estresse e doenças devido a condições inadequadas.
- Alimentação: Um leão adulto consome cerca de 5 a 7 kg de carne por dia, o que representa um custo elevado.
- Espaço: Cativeiros privados raramente oferecem áreas suficientes para o movimento natural do animal.
- Saúde: A falta de veterinários especializados resulta em problemas como infecções e lesões não tratadas.
- Comportamento: O estresse do confinamento pode tornar os animais mais agressivos, aumentando o risco de ataques.
Organizações internacionais, como a Born Free Foundation, têm alertado para os perigos de manter grandes felinos em ambientes urbanos, defendendo a proibição global dessa prática.
Operação contra posse ilegal em Punjab
A operação anunciada pelo governo de Punjab é uma das maiores já realizadas no estado contra a posse ilegal de animais selvagens. Equipes do departamento de vida selvagem estão inspecionando residências e propriedades em busca de felinos e outros animais exóticos. Até o momento, pelo menos cinco leões foram confiscados em Lahore e arredores, segundo relatos locais.
A ministra-chefe Maryam Nawaz destacou a importância de proteger tanto a população quanto os animais, prometendo punições severas para os infratores. A operação também inclui a criação de um banco de dados para rastrear licenças de posse de animais selvagens, uma medida que pode facilitar a fiscalização no futuro.
Riscos para a segurança pública
O incidente em Lahore expôs a vulnerabilidade de áreas urbanas a incidentes envolvendo animais selvagens. Ruas movimentadas, como a que foi palco do ataque, não estão preparadas para lidar com predadores soltos. A demora na resposta das autoridades, embora o leão tenha sido capturado, levantou preocupações sobre a capacidade de reação em situações semelhantes.
Especialistas em segurança pública sugerem a criação de unidades especializadas para lidar com fugas de animais exóticos, além de campanhas de conscientização para desencorajar a posse desses animais. Enquanto isso, os moradores de Lahore permanecem cautelosos, temendo novos incidentes.

