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Tarifa social de energia amplia benefícios para 60 milhões a partir de sábado

Conta de Luz
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
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A Nova Tarifa Social de Energia (TSE) entra em vigor neste sábado, 5 de julho de 2025, beneficiando cerca de 60 milhões de pessoas em 17 milhões de residências no Brasil. A medida, implementada pelo governo federal, garante gratuidade na conta de luz para famílias de baixa renda com consumo de até 80 kWh por mês e descontos para consumos de até 120 kWh. A iniciativa, que abrange inscritos no CadÚnico, idosos, beneficiários do BPC, indígenas e quilombolas, visa aliviar o custo de vida em regiões de alta vulnerabilidade. A aplicação é automática, sem necessidade de solicitação, e promete impactar principalmente o Nordeste e o Sudeste. A ampliação da tarifa social reflete esforços para promover inclusão energética.

A política energética brasileira ganha um novo capítulo com a expansão da TSE, que combina isenções e reduções tarifárias. Famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda per capita entre meio e um salário mínimo terão isenção da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para consumos de até 120 kWh mensais. Para consumos acima de 80 kWh, apenas o excedente será cobrado, garantindo alívio financeiro.

  • Beneficiários diretos: 16 milhões com gratuidade total até 80 kWh.
  • Descontos ampliados: 44 milhões com redução média de 11,8% na tarifa.
  • Regiões impactadas: Nordeste lidera com 7,75 milhões de famílias beneficiadas.
  • Aplicação automática: Não exige cadastro manual junto às distribuidoras.

Essa reformulação da tarifa social é vista como um marco na democratização do acesso à energia, especialmente em áreas rurais e periferias urbanas. O governo espera que a medida estimule a economia local, reduzindo despesas essenciais.

Quem pode acessar a tarifa social

A Nova Tarifa Social de Energia abrange diversos grupos em situação de vulnerabilidade. Famílias inscritas no CadÚnico com renda mensal per capita entre meio e um salário mínimo estão entre os principais beneficiados, desde que o consumo mensal não ultrapasse 120 kWh. Para esses, a isenção da CDE reduz a conta em cerca de 11,8%, conforme cálculos do Ministério de Minas e Energia (MME). A gratuidade total, por outro lado, é reservada para consumos de até 80 kWh, abrangendo lares com maior restrição financeira.

Idosos e pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também têm direito à gratuidade até 80 kWh. O mesmo vale para famílias indígenas e quilombolas inscritas no CadÚnico, além de residências em sistemas isolados com módulos de geração off-grid. A política considera as particularidades de cada grupo, oferecendo um modelo flexível de cobrança. Por exemplo, uma família que consome 100 kWh pagará apenas pelos 20 kWh excedentes, mantendo os primeiros 80 kWh gratuitos.

O processo de concessão é simplificado. A identificação dos beneficiários é feita automaticamente pelas distribuidoras de energia, que cruzam os dados do titular da conta com cadastros governamentais. Isso elimina a necessidade de solicitações manuais, agilizando o acesso ao benefício.

Regiões mais beneficiadas

O impacto da TSE varia entre as regiões brasileiras, com o Nordeste concentrando o maior número de beneficiários. Cerca de 7,75 milhões de famílias nordestinas, equivalente a 27,1 milhões de pessoas, serão contempladas. A região enfrenta desafios históricos de acesso à energia, o que torna a medida especialmente relevante.

O Sudeste segue com 5,69 milhões de famílias, totalizando 19,9 milhões de pessoas. São Paulo lidera entre os estados, com 2,41 milhões de residências beneficiadas, seguido por Bahia (1,76 milhão), Rio de Janeiro (1,68 milhão) e Ceará (1,54 milhão). As regiões Norte, Sul e Centro-Oeste também registram números expressivos, com 1,65 milhão, 1,26 milhão e 1,03 milhão de famílias, respectivamente.

A distribuição geográfica reflete a desigualdade energética no país. Enquanto áreas urbanas densas, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm grande volume de beneficiários, estados nordestinos como Bahia e Ceará se destacam pela proporção de famílias em vulnerabilidade. A TSE busca equilibrar esse cenário, promovendo justiça tarifária.

Conta de luz Tarifa Social
Conta de luz Tarifa Social – Foto: Nando Vidal/iStock

Mecanismo da gratuidade

A gratuidade para consumos de até 80 kWh é o coração da Nova Tarifa Social. Esse limite foi estabelecido com base no consumo médio de famílias de baixa renda, que utilizam energia principalmente para iluminação, eletrodomésticos básicos e ventilação. Para consumos acima desse patamar, a cobrança incide apenas sobre o excedente, mantendo a base de 80 kWh isenta.

  • Consumo de 90 kWh: Paga-se apenas pelos 10 kWh adicionais.
  • Consumo de 120 kWh: Paga-se pelos 40 kWh excedentes, com isenção da CDE.
  • Sistemas off-grid: Módulos garantem energia em áreas isoladas sem custo até 80 kWh.
  • Ajuste automático: Distribuidoras aplicam o desconto diretamente na fatura.

A isenção da Conta de Desenvolvimento Energético é outro diferencial. A CDE, que financia programas de universalização da energia, representa uma parcela significativa da tarifa. Sua retirada para consumos de até 120 kWh reduz o custo final, beneficiando milhões de consumidores que não se enquadram na gratuidade total.

Impacto por estado

A TSE atinge os 26 estados e o Distrito Federal, com variações no número de beneficiários. São Paulo, com 8,43 milhões de pessoas impactadas, reflete a densidade populacional e a presença de periferias urbanas. A Bahia, com 6,18 milhões, destaca-se pela extensão da pobreza rural. Rio de Janeiro e Ceará seguem com números robustos, reforçando a relevância da medida em áreas de alta vulnerabilidade.

No Norte, o Amazonas enfrenta desafios logísticos, mas 600 mil famílias serão contempladas. No Sul, o Rio Grande do Sul registra 800 mil residências beneficiadas, enquanto Goiás, no Centro-Oeste, alcança 400 mil. O Distrito Federal, com menor população, tem 200 mil pessoas incluídas. Esses números mostram a capilaridade da política, que considera as especificidades regionais.

Como funciona a aplicação automática

A implementação da TSE dispensa processos burocráticos. As distribuidoras de energia cruzam os dados do titular da conta com informações do CadÚnico, BPC e outros programas sociais. O titular deve ser a pessoa registrada na fatura, garantindo que o benefício chegue ao destinatário correto.

Essa automatização é um avanço em relação a programas anteriores, que exigiam cadastros manuais. A integração de sistemas governamentais permite maior eficiência, reduzindo erros e atrasos. Caso o titular não esteja inscrito nos programas elegíveis, mas a família atenda aos critérios, é necessário atualizar o cadastro no CadÚnico para acessar o benefício.

Benefícios para indígenas e quilombolas

Famílias indígenas e quilombolas recebem atenção especial na TSE. Essas comunidades, muitas vezes localizadas em áreas remotas, enfrentam barreiras históricas no acesso à energia. A gratuidade até 80 kWh e a isenção da CDE para consumos de até 120 kWh são aplicadas automaticamente, desde que a família esteja no CadÚnico.

Sistemas off-grid, como painéis solares, são outra solução para áreas isoladas. Cerca de 200 mil famílias indígenas e quilombolas em regiões sem rede elétrica convencional serão atendidas por esses módulos. A iniciativa combina inclusão social com sustentabilidade, reduzindo a dependência de geradores a diesel.

Redução média de 11,8% na tarifa

A isenção da CDE para consumos de até 120 kWh resulta em uma redução média de 11,8% na conta de luz. Esse desconto é significativo para famílias que não se enquadram na gratuidade total, mas ainda enfrentam dificuldades financeiras. O MME estima que 44 milhões de pessoas serão impactadas por essa medida, ampliando o alcance da TSE.

A redução é calculada com base na composição da tarifa, que inclui custos de geração, transmissão e encargos como a CDE. Ao retirar esse encargo, o governo alivia a pressão sobre o orçamento doméstico, especialmente em um contexto de inflação e aumento de custos essenciais.

Desafios logísticos

A implementação da TSE enfrenta desafios, como a atualização de cadastros no CadÚnico. Famílias que mudaram de endereço ou não renovaram seus dados podem ficar fora do benefício. Além disso, áreas rurais e isoladas exigem maior esforço das distribuidoras para garantir a identificação correta dos beneficiários.

Outro ponto é a comunicação. Apesar da aplicação automática, muitas famílias desconhecem a TSE ou seus critérios. Campanhas de divulgação, lideradas pelo MME e pelas distribuidoras, são essenciais para esclarecer a população e maximizar o alcance da política.

Próximos passos

O governo planeja monitorar a implementação da TSE nos próximos meses, ajustando eventuais falhas no cruzamento de dados ou na aplicação dos descontos. Parcerias com prefeituras e organizações comunitárias serão ampliadas para facilitar o acesso ao CadÚnico. A meta é garantir que todas as 17 milhões de residências elegíveis sejam contempladas até o final de 2025.

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