Spark EUV da China é mais lucrativo que Tracker nacional, diz GM

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Spark EUV - Foto: Reprodução

O presidente da General Motors na América do Sul, Santiago Chamorro, revelou em 8 de julho de 2025 que importar o Chevrolet Spark EUV da China é mais lucrativo que produzir o Tracker no Brasil, mesmo com imposto de importação de 25%. Durante o lançamento de cinco novos modelos da Chevrolet em São Paulo, o executivo destacou a dificuldade de fabricar veículos elétricos localmente devido à falta de incentivos fiscais e à alta carga tributária. O Spark EUV, vendido na China como Baojun Yep Plus por R$ 70.281, chega ao Brasil por R$ 159.990, enquanto o Tracker, fabricado em Gravataí (RS), varia entre R$ 154.090 e R$ 169.490. A declaração expõe os desafios do mercado automotivo brasileiro, onde marcas chinesas como BYD e GWM dominam o segmento de elétricos. Chamorro expressou o desejo de produzir o Spark e o Captiva EV no Brasil, mas alertou que a ausência de políticas industriais eficazes dificulta a competitividade.

A GM aposta na importação de elétricos chineses para competir com marcas como BYD, que lidera com 64,21% do mercado de elétricos em 2024.

O Brasil, com apenas 3.500 eletropostos, enfrenta barreiras para a adoção de veículos elétricos.

Lucro do Spark EUV supera Tracker

Santiago Chamorro destacou que o Spark EUV, importado da China, gera maior margem de lucro que o Tracker, mesmo com a alíquota de importação de 25%, que subirá para 35% em julho de 2026. Na China, o Baojun Yep Plus custa o equivalente a R$ 70.281, e, mesmo com impostos e custos de transporte, chega ao Brasil por R$ 159.990, competitivo frente ao Tracker LT (R$ 154.090).

A produção local do Tracker, em Gravataí (RS), enfrenta custos elevados devido à carga tributária e à falta de incentivos para elétricos. O Spark EUV, fabricado pela joint-venture GM-SAIC-Wuling, beneficia-se da escala de produção chinesa e subsídios locais, permitindo preços mais baixos.

O executivo reforçou o desejo de fabricar o Spark e o Captiva EV no Brasil, mas apontou que a viabilidade depende de uma política industrial robusta. A GM já avalia montagem em CKD (Complete Knock Down) em suas fábricas ou terceirização para parceiros locais.

Mercado de elétricos no Brasil

O mercado de veículos elétricos no Brasil cresceu 89% em 2024, com 177.358 unidades emplacadas, segundo a Fenabrave. A BYD lidera com 64,21% de participação, seguida por GWM (11,04%) e Volvo (9,65%), controlada pela chinesa Geely. A Chevrolet, com apenas 0,76% do mercado, tenta recuperar terreno com o Spark EUV e o futuro Captiva EV.

O Spark EUV, com 258 km de autonomia e motor de 102 cv, compete diretamente com o BYD Dolphin Mini (R$ 120.000) e o GWM Ora 03 (R$ 159.000). O Captiva EV, previsto para o fim de 2025, custará cerca de R$ 235.990, mirando o BYD Yuan Plus. A GM aposta em preços competitivos para enfrentar a concorrência chinesa.

Principais concorrentes do Spark EUV incluem:

  • BYD Dolphin Mini: R$ 120.000, 291 km de autonomia, líder de vendas.
  • GWM Ora 03: R$ 159.000, 232 km de alcance, design retrô.
  • Renault Kwid E-Tech: R$ 99.990, 185 km de autonomia, foco em custo.
  • Volvo EX30: R$ 229.950, 337 km de alcance, apelo premium.

Barreiras à produção local

Chamorro criticou a ausência de incentivos fiscais para elétricos no Brasil. Enquanto a China oferece subsídios robustos, o Brasil retomou o imposto de importação, que passou de 0% (2015-2024) para 25% em 2025, com previsão de 35% em 2026. Isso encarece a importação, mas produzir localmente é ainda mais caro devido a impostos como ICMS e IPI.

A Anfavea, associação das montadoras, prepara um estudo para propor ao governo políticas que reduzam custos de produção. Chamorro destacou que os R$ 130 bilhões em investimentos anunciados pela indústria automotiva estão em risco devido à concorrência chinesa.

A infraestrutura de recarga também é um obstáculo. Com apenas 3.500 eletropostos em 2025, o Brasil está atrás de países como a Tailândia, que já tem 8.000 pontos. A GM planeja investir em parcerias com redes de postos e shoppings para expandir a rede de carregamento.

Estratégia da GM no Brasil

A GM lançou cinco modelos em julho de 2025, incluindo Onix, Onix Plus, Tracker, Spark EUV e Captiva EV, marcando sua maior ofensiva no Brasil em 100 anos. O Spark EUV, em pré-venda por R$ 159.990, e o Captiva EV, previsto para o fim do ano, são importados da China, onde são produzidos pela Wuling como Baojun Yep Plus e Starlight S.

A empresa planeja lançar 10 veículos eletrificados até 2030, incluindo híbridos flex. O Onix e o Tracker, reestilizados em 2025, ganharão versões híbridas em 2026, com motores 1.0 e 1.2 turboflex modernizados. A GM também confirmou um novo SUV de entrada, baseado no Onix, para 2026, fabricado em Gravataí.

A fábrica de Gravataí, que produz Onix e Tracker, receberá R$ 1,2 bilhão para um novo modelo em uma categoria inédita. Fabio Rua, vice-presidente da GM Brasil, negou paralisação total da planta, mas confirmou redução de turnos para ajustar a produção à demanda.

Spark EUV – Foto: Reprodução

Domínio chinês no mercado de elétricos

A China domina 58% das vendas globais de elétricos, com marcas como BYD e GWM liderando. A BYD, com 76.863 unidades vendidas no Brasil em 2024, planeja produzir 150.000 veículos por ano em Camaçari (BA) a partir de 2025. A GWM, com R$ 10 bilhões investidos em Iracemápolis (SP), também aposta na produção local.

A Geely, dona da Volvo, retornou ao Brasil com 680 veículos elétricos em 2025, em parceria com a Renault. A GAC Motor anunciou R$ 7,4 bilhões para produzir três modelos em Catalão (GO), em colaboração com a HPE Automotores. Essas iniciativas refletem a estratégia chinesa de driblar tarifas de importação com produção local.

Incentivos fiscais e políticas públicas

O Programa Mover, do governo brasileiro, visa reduzir emissões de carbono em 50% até 2030, oferecendo incentivos para veículos sustentáveis. Alguns estados, como São Paulo e Paraná, reduziram ICMS para elétricos, mas a carga tributária federal permanece elevada.

Chamorro defendeu uma política industrial que equilibre incentivos para produção local e importação. Ele destacou que o Brasil, com 80% de sua matriz energética renovável, é ideal para elétricos, mas a falta de subsídios comparáveis aos da China prejudica a competitividade.

A Anfavea propõe isenções fiscais e investimentos em infraestrutura de recarga para atrair montadoras. A ausência dessas medidas favorece a importação, como no caso do Spark EUV, que se beneficia de custos menores na China.

Reações do mercado e da imprensa

A declaração de Chamorro gerou debate nas redes sociais e na imprensa automotiva. Consumidores elogiam o preço acessível do Spark EUV, mas criticam a falta de incentivos para produção local. Postagens destacam a qualidade do modelo, com sua autonomia de 258 km e tecnologia avançada, como câmera 360° e assistência de direção.

Jornais especializados apontam que a GM está “juntando-se aos chineses” para competir, mas alertam que a dependência de importações pode fragilizar a indústria nacional. A revista Autoesporte destacou que apenas BYD e Li Auto lucram com elétricos na China, enquanto outras marcas priorizam participação de mercado.

Especificações do Spark EUV

O Spark EUV, com 4 metros de comprimento e 2,56 m de entre-eixos, é menor que o VW Nivus. Seu motor elétrico traseiro de 102 cv e 18,4 kgfm, aliado a uma bateria de 41,9 kWh, oferece 258 km de autonomia no Inmetro. O modelo inclui:

  • Central multimídia: Tela de 10,1 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay.
  • Painel digital: Tela de 8,8 polegadas para instrumentos.
  • Segurança: Frenagem de emergência, assistente de faixa e câmera 360°.
  • Recarga rápida: 80% da bateria em 40 minutos com carregador de 50 kW.

Planos para o Captiva EV

O Captiva EV, baseado no Wuling Starlight S, será lançado até dezembro de 2025. Com preço estimado de R$ 235.990, o SUV médio competirá com o BYD Yuan Plus e o Toyota Corolla Cross. A GM adapta o modelo ao mercado brasileiro, com testes em altitudes e condições adversas para garantir durabilidade.

O Captiva EV terá motor de 150 cv e autonomia de cerca de 400 km no ciclo chinês, com design moderno e pacote ADAS, incluindo frenagem automática e assistente de permanência em faixa. A pré-venda começará no último trimestre de 2025.

Futuro da GM no Brasil

A GM enfrenta queda de 15% nas vendas no primeiro semestre de 2025, com 120.000 unidades emplacadas. A renovação de Onix, Onix Plus e Tracker, com faróis full-LED e wi-fi nativo, visa recuperar mercado. O Spark EUV e o Captiva EV são apostas para o segmento de elétricos, mas a produção local depende de incentivos fiscais.

A empresa planeja séries especiais para celebrar 100 anos no Brasil, incluindo versões limitadas de Onix, Tracker e S10. A fábrica de São Caetano do Sul (SP) produzirá o Tracker reestilizado, enquanto Gravataí prepara um novo SUV subcompacto para 2026.

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