Atentado ao bicheiro Vinicius Drumond choca Barra da Tijuca: Porsche blindado é alvo de tiroteio
Um tiroteio em plena luz do dia abalou a Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira, 11 de julho de 2025. Vinicius Pereira Drumond, apontado como uma das principais figuras do jogo do bicho no estado, foi alvo de uma tentativa de execução enquanto dirigia um Porsche blindado na Avenida das Américas, próximo à estação Ricardo Marinho do BRT. O ataque, ocorrido por volta das 11h, deixou o veículo crivado de balas, mas Drumond sofreu apenas escoriações leves causadas por estilhaços de vidro. Atendido no Hospital Barra D’Or, ele recebeu alta logo após o atendimento. A ação, que envolveu troca de tiros com supostos seguranças do contraventor, gerou pânico entre motoristas e pedestres e expôs a escalada de violência ligada à contravenção no Rio. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso, buscando identificar autores e motivações do crime.
A violência do ataque, em uma das vias mais movimentadas da cidade, chamou atenção pela ousadia. Testemunhas relataram momentos de tensão, com disparos intensos e a rápida fuga dos atiradores. A polícia chegou ao local após o incidente, mas não encontrou os veículos envolvidos. Imagens captadas pelo Globocop, no entanto, localizaram o Porsche de Drumond estacionado em frente a um hospital na região.

O caso reacende o debate sobre a influência do jogo do bicho e suas ramificações no crime organizado carioca. Vinicius Drumond, herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da contravenção, é figura central em investigações recentes, incluindo a Operação Ouro Negro, que apura o furto de combustíveis da Petrobras.
- Contexto do ataque: O atentado ocorreu em uma área nobre, próximo a um dos shoppings mais luxuosos do Rio.
- Histórico de Drumond: Filho de Luizinho Drumond, morto em 2020, ele assumiu pontos estratégicos do jogo do bicho.
- Investigações em curso: A polícia busca conexões com outros crimes, incluindo homicídios e contravenção.
Herdeiro de um império da contravenção
Vinicius Pereira Drumond, conhecido no submundo carioca como herdeiro de Luizinho Drumond, consolidou-se como uma das lideranças do jogo do bicho após a morte do pai, em julho de 2020. Luizinho, figura lendária no universo da contravenção, foi presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense e controlava pontos estratégicos na Zona da Leopoldina, região que abrange bairros como Ramos, Maré, Bonsucesso e Penha. Vinicius, segundo investigações da Polícia Civil, não apenas herdou os negócios do pai, mas também expandiu suas atividades para além do jogo do bicho, envolvendo-se em esquemas mais complexos.
A ascensão de Drumond no crime organizado não passou despercebida. Em fevereiro de 2025, ele foi alvo da Operação Ouro Negro, conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD). A ação desmantelou uma quadrilha especializada no furto de petróleo e derivados de dutos subterrâneos da Petrobras, com revenda clandestina para a produção de asfalto, borracha e plástico. Drumond foi apontado como o chefe estratégico e financeiro do esquema, que operava no Rio de Janeiro e em outros estados.
A operação revelou a sofisticação das atividades ilícitas lideradas por Drumond. A quadrilha utilizava equipamentos avançados para acessar dutos subterrâneos, extraindo grandes quantidades de combustível. Esses recursos, segundo a polícia, eram parcialmente financiados pelos lucros do jogo do bicho, evidenciando a interconexão entre diferentes ramos do crime organizado.
A guerra do bicho na Barra da Tijuca
A Avenida das Américas, onde ocorreu o atentado, é conhecida não apenas por seu tráfego intenso, mas também por episódios de violência ligados à contravenção. Nos últimos anos, a região foi palco de execuções marcantes na chamada “guerra do bicho”, que opõe diferentes facções pelo controle de territórios e pontos de apostas. O ataque a Vinicius Drumond reforça a percepção de que a disputa por poder no submundo carioca permanece acirrada.
O Porsche blindado de Drumond, crivado de balas na porta e na janela do motorista, tornou-se símbolo da violência do confronto. Testemunhas relataram que os atiradores agiram com precisão, sugerindo planejamento. A reação de supostos seguranças do contraventor, que teriam respondido aos disparos, intensificou o tiroteio, transformando a avenida em um cenário de caos por alguns minutos.
- Local do atentado: Próximo à estação Ricardo Marinho do BRT, em uma área de grande circulação.
- Impacto imediato: Interdição parcial da Avenida das Américas para perícia policial.
- Investigação em andamento: A DHC analisa imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas.
- Histórico de violência: A região já registrou outros crimes ligados à contravenção nos últimos anos.
A ausência de vítimas fatais no ataque não diminui sua gravidade. A Polícia Civil, por meio da DHC, já identificou Drumond como o alvo principal e planeja ouvi-lo para esclarecer possíveis motivações. A investigação considera rivalidades no jogo do bicho, disputas territoriais e até possíveis retaliações ligadas a outros crimes investigados, como o homicídio do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024, no qual Drumond foi citado.
Conexões com o carnaval carioca
Além de sua atuação no crime organizado, Vinicius Drumond mantém forte ligação com o carnaval do Rio de Janeiro, seguindo os passos do pai. Luizinho Drumond foi um dos grandes patronos da Imperatriz Leopoldinense, escola de samba sediada em Ramos, na Zona da Leopoldina. Vinicius ocupou o cargo de vice-presidente executivo da agremiação até 2024, mas sua participação no dia a dia da escola era limitada. Atualmente, a Imperatriz é presidida por Cátia Drumond, irmã de Luizinho.
Na terça-feira, 8 de julho de 2025, Drumond foi anunciado como patrono da escola de samba Em Cima da Hora, que disputa a Série Ouro, considerada a segunda divisão do carnaval carioca. A agremiação destacou que Vinicius “sempre esteve presente nos bastidores” e que sua nomeação reforçaria o projeto da escola para os próximos desfiles. A escolha, no entanto, gerou controvérsias devido ao histórico criminal do contraventor.
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A influência de Drumond no carnaval vai além de cargos formais. Sua família mantém laços históricos com a Imperatriz Leopoldinense, uma das escolas mais tradicionais do Grupo Especial. Essa conexão reflete a interseção entre o jogo do bicho e a cultura carnavalesca no Rio, onde contraventores frequentemente financiam agremiações, garantindo visibilidade e influência social.
Operação Ouro Negro e outros crimes
A Operação Ouro Negro, deflagrada em fevereiro de 2025, colocou Vinicius Drumond no centro das atenções. A investigação revelou que a quadrilha liderada por ele operava com alta organização, utilizando “laranjas” e intermediários para ocultar a origem dos lucros. O furto de combustíveis, segundo a polícia, gerava milhões de reais em receita, parte dos quais era reinvestida em outras atividades ilícitas, como agiotagem, lavagem de dinheiro e corrupção.
Além do furto de petróleo, Drumond é investigado por outros crimes graves. Um inquérito em andamento apura sua suposta participação no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto a tiros em fevereiro de 2024. Segundo a polícia, Drumond teria alugado o veículo usado para monitorar a vítima. Outro caso sob investigação é o homicídio de Manuel Miranda, ocorrido em setembro de 2024. Miranda, que trabalhou para Luizinho Drumond, teria rompido com Vinicius e passado a colaborar com Adilsinho, um rival no jogo do bicho, o que teria motivado o crime.
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- Crimes investigados:
- Furto de combustíveis da Petrobras (Operação Ouro Negro).
- Homicídio de Rodrigo Marinho Crespo (2024).
- Homicídio de Manuel Miranda (2024).
- Agiotagem, lavagem de dinheiro e corrupção.
Essas acusações reforçam a imagem de Drumond como uma figura central no crime organizado carioca. Sua habilidade em manter influência mesmo sob intensa pressão policial demonstra a complexidade do submundo da contravenção no Rio.
Cenário de tensão no jogo do bicho
O atentado contra Vinicius Drumond ocorre em um momento de reorganização do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Após a morte de Luizinho Drumond, em 2020, a contravenção passou por uma redefinição de territórios, com novas lideranças disputando o controle de áreas estratégicas. Drumond, ao lado de nomes como Adilsinho e Rogério Andrade, é apontado como parte da “nova cúpula” do bicho, o que o coloca no centro de rivalidades.
A Zona da Leopoldina, onde Drumond concentra sua influência, é uma das regiões mais disputadas. Bairros como Maré, Manguinhos e Complexo do Alemão são palco de conflitos entre facções criminosas e contraventores, agravados pela proximidade com comunidades controladas por milícias e traficantes. Esse cenário de tensão pode estar relacionado ao atentado, embora a polícia ainda não tenha identificado os responsáveis.
A investigação da DHC também considera a possibilidade de que o ataque esteja ligado a disputas internas no jogo do bicho. A ousadia do atentado, em uma área de grande visibilidade, sugere que os atiradores buscavam enviar uma mensagem clara aos rivais de Drumond. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas são analisados para reconstruir o trajeto dos suspeitos e identificar os veículos usados na fuga.
Impacto na segurança da Barra da Tijuca
O tiroteio na Avenida das Américas gerou reflexos imediatos na rotina da Barra da Tijuca. A interdição parcial da via, necessária para a realização da perícia, causou transtornos no trânsito, afetando motoristas e moradores. O incidente também reacendeu preocupações com a segurança em uma região conhecida por sua infraestrutura de alto padrão, mas que não está imune à violência associada ao crime organizado.
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Moradores relataram medo durante o tiroteio, com muitos buscando abrigo em estabelecimentos comerciais próximos. A presença de supostos seguranças armados, que teriam reagido ao ataque, levanta questões sobre a circulação de armas na região e a atuação de grupos ligados à contravenção. A polícia intensificou o patrulhamento na Barra da Tijuca após o incidente, mas a falta de informações sobre os atiradores mantém a sensação de insegurança.
O caso de Vinicius Drumond ilustra os desafios enfrentados pelas autoridades no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. A interconexão entre o jogo do bicho, o furto de combustíveis e outros crimes graves exige ações coordenadas entre diferentes delegacias e órgãos de inteligência. A DHC, responsável pela investigação do atentado, trabalha para esclarecer o caso, mas a complexidade das redes criminosas envolvidas representa um obstáculo significativo.

















