Carne brasileira vira hambúrguer nos EUA, mas tarifa ameaça exportaçõesPor Luís Henrique Costa
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A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump para entrar em vigor a partir de 1º de agosto, coloca em xeque as exportações de carne bovina do Brasil, que abastece majoritariamente a indústria de hambúrgueres no mercado americano. Segundo maior destino da carne brasileira, atrás apenas da China, os EUA dependem do Brasil para suprir a demanda por cortes específicos, como os do dianteiro do boi, usados na produção de hambúrgueres, que representam 68% do consumo de carne bovina no país. A medida, motivada por questões políticas, pode inviabilizar o comércio, afetando uma cadeia produtiva que gera milhões de empregos no Brasil e elevando preços nos EUA, onde o rebanho bovino está no menor nível em 80 anos. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alerta para a urgência de negociações diplomáticas para mitigar os impactos.

O setor pecuário brasileiro, que exportou 181,5 mil toneladas de carne bovina para os EUA no primeiro semestre de 2025, teme perdas significativas. A tarifa eleva o preço da tonelada de cerca de US$ 5.732 para aproximadamente US$ 8.600, tornando o produto brasileiro menos competitivo frente a fornecedores como Austrália. Além disso, cerca de 30 mil toneladas de carne, avaliadas em US$ 160 milhões, já estão em trânsito para os EUA, gerando incertezas sobre o cumprimento de contratos.
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- Volume recorde: Em 2024, os EUA importaram 229 mil toneladas de carne bovina brasileira, gerando US$ 1,35 bilhão.
- Impacto nos empregos: A cadeia da carne no Brasil emprega cerca de 7 milhões de trabalhadores.
- Dependência americana: 68% do consumo de carne bovina nos EUA é para hambúrgueres, com o Brasil como principal fornecedor de cortes específicos.
- Menor rebanho: A pecuária americana enfrenta o pior ciclo em 80 anos, aumentando a necessidade de importações.
Setor busca alternativas frente à crise tarifária
A indústria brasileira de carne bovina, representada pela Abiec, já sente os primeiros efeitos da decisão americana. Frigoríficos reduziram a produção destinada aos EUA devido à incerteza, e a associação pede uma prorrogação da tarifa para proteger contratos em andamento. Roberto Perosa, presidente da Abiec, destaca que o Brasil complementa a produção americana, fornecendo cortes de dianteiro que não são amplamente consumidos no mercado interno brasileiro, mas são essenciais para a indústria de hambúrgueres nos EUA.
A medida de Trump, que adiciona 50% aos 26,4% já cobrados fora da cota anual, eleva a tributação total a 76,4%, inviabilizando economicamente as exportações. O setor agora busca redirecionar parte da produção para mercados alternativos, como Ásia e Oriente Médio, mas a substituição do mercado americano não será imediata.
- Mercados alternativos: Países como Vietnã, Japão e Coreia do Sul são alvos para novas negociações.
- Competitividade perdida: A carne brasileira era a mais barata no mercado americano, custando US$ 6.143 por tonelada em maio de 2025.
- Produção parada: Frigoríficos suspenderam parte da produção para os EUA, aguardando definições.
Cadeia produtiva brasileira sob pressão
A pecuária brasileira, especialmente em estados como Mato Grosso, que possui o maior rebanho do país com mais de 30 milhões de cabeças, enfrenta um cenário de apreensão. Em 2024, Mato Grosso exportou 39 mil toneladas de carne bovina para os EUA, e apenas no primeiro semestre de 2025, já foram 26,5 mil toneladas. A tarifa ameaça não apenas as receitas, mas também os empregos gerados pela cadeia produtiva, que envolve desde criadores até trabalhadores de frigoríficos.
O impacto econômico pode se estender ao mercado interno, com a possibilidade de represamento de carne, o que pressionaria os preços domésticos. Apesar disso, especialistas apontam que o consumo brasileiro, focado em cortes traseiros, pode não absorver totalmente o volume destinado aos EUA, exigindo estratégias de diversificação.
Reações e negociações diplomáticas
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convocou reuniões emergenciais com representantes do agronegócio para traçar estratégias. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem intensificado contatos com autoridades americanas, como o embaixador da USTR, para buscar uma solução diplomática. A Abiec reforça a necessidade de diálogo, destacando que a tarifa não apenas prejudica o Brasil, mas também encarece os hambúrgueres para o consumidor americano, dado o papel central do Brasil no fornecimento de cortes acessíveis.
- Reuniões emergenciais: O governo se reuniu com setores produtivos em 9 de julho para discutir a crise.
- Apelo por prorrogação: A Abiec solicita adiamento da tarifa para proteger US$ 160 milhões em contratos.
- Diplomacia ativa: Contatos com a embaixada americana buscam reverter ou suavizar a medida.
- Impacto no consumidor: Preços de hambúrgueres nos EUA podem subir devido à dependência da carne brasileira.
Dependência americana da carne brasileira
Nos Estados Unidos, a carne brasileira desempenha um papel crucial na indústria de fast food, especialmente na produção de hambúrgueres, que representam 68% do consumo de carne bovina no país. Com o rebanho americano no menor nível desde a década de 1950, devido a secas e mudanças na produção, o Brasil supre uma lacuna que fornecedores como Austrália, focada em cortes para supermercados, não conseguem preencher completamente.
A tarifa de 50% pode elevar os custos para os consumidores americanos, já que a carne brasileira era adquirida a preços competitivos. Em maio de 2025, o Brasil exportava carne a US$ 6.143 por tonelada, contra US$ 7.169 da Austrália. A medida, portanto, também gera pressão interna nos EUA, onde empresas de fast food e consumidores podem sentir o impacto no bolso.
Estratégias para novos mercados
Diante da barreira tarifária, o setor pecuário brasileiro já planeja redirecionar suas exportações. Países como Vietnã, que retomou compras em 2025, e mercados potenciais como Japão e Coreia do Sul são prioridades. A China, principal compradora com 1,33 milhão de toneladas em 2024, deve absorver parte do volume, mas a logística e as preferências de cortes variam, exigindo ajustes na produção.
- Vietnã: Retomada de compras em 2025 abre novas oportunidades.
- Oriente Médio: Emirados Árabes importaram 132 mil toneladas em 2024.
- Ásia: Japão e Coreia do Sul são alvos de negociações aceleradas.
- China: Principal destino, com 49,8% do volume exportado pelo Brasil.
- Ajustes logísticos: Frigoríficos precisam adaptar cortes para novos mercados.
Riscos econômicos e perspectivas de negociação
A tarifa americana não afeta apenas as exportações, mas também eleva os custos de insumos no Brasil, como fertilizantes e máquinas, devido à valorização do dólar. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) critica a decisão como unilateral e defende negociações para preservar a parceria comercial. Enquanto isso, a possibilidade de retaliação brasileira, com base na Lei de Reciprocidade Econômica sancionada em 2025, é considerada, mas o governo prefere a diplomacia para evitar escalada de tensões.
O setor produtivo, representado por entidades como a Acrimat, alerta que a perda do mercado americano pode impactar a competitividade global do Brasil. A carne bovina brasileira, reconhecida por sua rastreabilidade e qualidade, enfrenta agora o desafio de manter sua relevância em um cenário de barreiras comerciais.
- Lei de Reciprocidade: Permite tarifas retaliatórias, mas governo prioriza diálogo.
- Custos elevados: Insumos importados encarecem com alta do dólar.
- Competitividade: Brasil busca manter liderança como maior exportador global.
- Rastreabilidade: Tecnologia brasileira garante vantagem em novos mercados.















