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A TV Globo exibe nesta quinta-feira, 17 de julho de 2025, às 15h25, na Sessão da Tarde, o filme “As Parteiras”, um drama francês que mergulha na rotina desafiadora de duas jovens parteiras, Sofia e Louise, em um hospital público sobrecarregado. Dirigido por Léa Fehner, o longa de 2023 destaca as dificuldades do sistema de saúde, os dilemas éticos enfrentados pelos profissionais e a força da empatia em momentos críticos. Filmado com realismo, ele expõe as tensões da obstetrícia, abordando temas como nascimento, morte e a luta diária para salvar vidas. A exibição ocorre após a novela “História de Amor” e promete emocionar o público com sua narrativa sensível.

O filme acompanha Sofia e Louise, recém-formadas, enquanto enfrentam um ambiente caótico, com falta de recursos e pressão constante. A obra não apenas retrata os desafios técnicos da profissão, mas também o impacto emocional de lidar com situações extremas, como partos complicados e perdas. A escolha do longa para a Sessão da Tarde reforça a aposta da Globo em conteúdos que unem entretenimento e reflexão social.

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“As Parteiras” é uma oportunidade para o público brasileiro conhecer a realidade de profissionais da saúde em um contexto de crise. A narrativa destaca a importância da humanização no atendimento obstétrico, um tema relevante no Brasil, onde o sistema de saúde enfrenta problemas semelhantes.

  • Principais temas abordados: crise no sistema de saúde, desafios da obstetrícia, humanização do atendimento.
  • Elenco principal: Khadija Kouyaté, Héloïse Janjaud, Myriem Akheddiou, Quentin Verned.
  • Direção: Léa Fehner, conhecida por abordar questões sociais com sensibilidade.

Realidade da obstetrícia no Brasil e no mundo

O filme “As Parteiras” reflete uma realidade que vai além das telas, trazendo à tona os desafios enfrentados por profissionais da obstetrícia em sistemas de saúde sobrecarregados. No Brasil, a situação não é diferente. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o país tem uma carência de aproximadamente 900 mil parteiras, um número que reflete a crise global na área. Com quase 3 milhões de partos anuais, 98% ocorrem em hospitais, mas a taxa de cesarianas, cerca de 57%, está muito acima dos 15% recomendados pela OMS.

Essa alta taxa de cesarianas traz riscos, como aumento da morbimortalidade materna e perinatal, incluindo infecções e hemorragias. Marlise de Oliveira Pimentel Lima, docente da USP, destaca que o excesso de intervenções cirúrgicas representa um desperdício de recursos e expõe mulheres e bebês a complicações evitáveis. “As Parteiras” ilustra essa pressão por meio de cenas que mostram a sobrecarga de trabalho e a falta de estrutura nos hospitais.

A narrativa do filme também dialoga com o movimento pelo parto humanizado, que ganhou força no Brasil a partir dos anos 1970. Parteiras tradicionais, embora menos comuns hoje, ainda desempenham um papel vital em áreas remotas, conectando comunidades a serviços de saúde. No Ceará, por exemplo, entre 2013 e 2023, mais de 4 mil crianças nasceram com assistência de parteiras tradicionais, com destaque para a região do Cariri.

Impacto emocional da profissão de parteira

Ser parteira é lidar diariamente com a dualidade entre vida e morte. O filme mostra Sofia e Louise enfrentando decisões difíceis, como priorizar pacientes em um hospital lotado ou lidar com a perda de um recém-nascido. Essa carga emocional é uma realidade para muitos profissionais da saúde. No Brasil, enfermeiras obstétricas e obstetrizes não apenas realizam partos, mas também oferecem cuidados pré-natais, pós-parto e neonatais, além de atuarem como defensoras dos direitos das mulheres.

  • Principais desafios emocionais:
    • Pressão por decisões rápidas em situações críticas.
    • Lidar com perdas maternas ou neonatais.
    • Equilíbrio entre empatia e profissionalismo.
    • Sobrecarga de trabalho em sistemas com poucos recursos.

A narrativa de “As Parteiras” enfatiza a resiliência desses profissionais, que encontram na vocação a força para continuar. A amizade entre as protagonistas também é um ponto central, mostrando como o apoio mútuo é essencial em um ambiente tão desafiador.

Sistema de saúde em crise: um problema global

A crise retratada no filme não é exclusividade da França. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta problemas semelhantes, como falta de leitos, equipamentos obsoletos e longas filas de espera. Em 2022, o Fundo das Nações Unidas para População (UNFPA) destacou a necessidade de fortalecer a formação de parteiras no país para melhorar os indicadores de saúde materna e neonatal. Anna Cunha, do UNFPA, aponta que o Brasil precisa de políticas públicas que valorizem esses profissionais e promovam o parto humanizado.

O filme também aborda a burocracia que dificulta o trabalho das parteiras. No Brasil, parteiras tradicionais enfrentam obstáculos para emitir a Declaração de Nascido Vivo (DNV), essencial para o registro de recém-nascidos. Esse problema, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), muitas vezes leva à subnotificação de partos domiciliares.

Sessão da Tarde
Sessão da Tarde – Foto: Reprodução/TV Globo

Papel das parteiras tradicionais no Brasil

Embora o filme foque em parteiras profissionais em um hospital, o Brasil tem uma rica história de parteiras tradicionais. Reconhecidas como Patrimônio Cultural pelo Iphan em maio de 2024, elas desempenham um papel essencial em comunidades remotas. No período colonial, mulheres africanas escravizadas atuavam como parteiras, trazendo saberes ancestrais que incluíam fitoterapia e práticas de cuidado integral.

  • Contribuições das parteiras tradicionais:
    • Assistência a partos em áreas sem acesso a hospitais.
    • Preservação de práticas culturais e saberes tradicionais.
    • Mediação entre comunidades e sistemas de saúde.
    • Promoção de cuidados humanizados e personalizados.

Apesar disso, a medicalização do parto reduziu a atuação dessas profissionais. Em 2014, parteiras tradicionais no Ceará atenderam 668 partos, mas em 2023, esse número caiu para apenas 95, segundo dados preliminares. A incorporação de parteiras ao sistema de saúde, como ocorre em algumas regiões, é uma tentativa de preservar seu legado enquanto se enfrenta a modernização.

Relevância do filme na Sessão da Tarde

A escolha de “As Parteiras” para a Sessão da Tarde reflete o compromisso da TV Globo em trazer filmes que combinem entretenimento e reflexão. Exibido às 15h25, após “História de Amor”, o longa oferece uma oportunidade para o público brasileiro se conectar com os desafios da saúde pública, um tema próximo da realidade nacional. A direção de Léa Fehner, com seu olhar humanizado, e as atuações de Khadija Kouyaté e Héloïse Janjaud, garantem uma narrativa envolvente que toca o espectador.

O filme também destaca a importância da humanização no cuidado obstétrico, um debate crescente no Brasil. Iniciativas como o documentário “O Renascimento do Parto”, exibido em 2014 na Câmara dos Deputados, reforçam a necessidade de repensar o modelo obstétrico atual, marcado por altas taxas de cesarianas e intervenções desnecessárias.

Contexto histórico da obstetrícia

A obstetrícia, como mostrada no filme, tem uma história complexa. Na Antiguidade, parteiras eram figuras respeitadas, mas na Idade Média, muitas foram perseguidas como hereges. No Brasil, os primeiros cursos de parto surgiram em 1832, marcando o início da medicalização. Hoje, o movimento pelo parto humanizado busca resgatar o papel das parteiras, promovendo um atendimento mais próximo e respeitoso.

  • Marcos históricos da obstetrícia:
    • Egito e Grécia Antiga: parteiras eram valorizadas por seus saberes.
    • Idade Média: perseguição de parteiras na Europa.
    • Século XVII: início da institucionalização médica na Europa.
    • Brasil, 1832: criação dos primeiros cursos de parto.
    • Anos 1970: renascimento do movimento pelo parto natural.

Por que assistir “As Parteiras”?

O filme é uma janela para os desafios enfrentados por profissionais da saúde em um sistema sobrecarregado. A narrativa sensível e as atuações marcantes tornam a experiência envolvente, enquanto a temática atual convida à reflexão sobre a saúde pública no Brasil. A exibição na Sessão da Tarde, um horário acessível, permite que um público amplo conheça essa realidade, promovendo empatia e debate.

A força de “As Parteiras” está em sua capacidade de humanizar os profissionais da saúde, mostrando suas lutas e conquistas. Para quem busca um drama que equilibre emoção e crítica social, o longa é uma escolha imperdível.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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