A Chevrolet apresentou o Tracker 2026, um SUV compacto reestilizado que chega às concessionárias brasileiras em julho de 2025 com visual moderno, novas tecnologias e ajustes mecânicos. Produzido em São Caetano do Sul (SP), o modelo busca se destacar no competitivo segmento de SUVs compactos, enfrentando rivais como Hyundai Creta, Honda HR-V e Volkswagen T-Cross. Com preços entre R$ 119.900 na versão de entrada AT 1.0 turbo e R$ 190.590 na topo de linha RS, o Tracker traz atualizações na dianteira, interior renovado com central multimídia de 11 polegadas e maior garantia. Testes realizados na versão Premier 1.2 turbo, que custa R$ 189.590, revelam pontos fortes e limitações. A reformulação visa manter o modelo entre os líderes de vendas, mas será que as mudanças justificam o investimento?
O Tracker 2026 adota a nova identidade visual da Chevrolet, com faróis divididos em dois blocos, grade frontal ampliada e lanternas traseiras com novo grafismo. O interior ganhou um painel digital de 8 polegadas integrado à central multimídia, inspirado em modelos como a Spin e a picape Montana. Além disso, a Chevrolet aumentou a garantia para cinco anos, respondendo a críticas sobre a durabilidade da correia banhada a óleo, que agora tem nova formulação química para maior resistência.
- Principais novidades do Tracker 2026:
- Design dianteiro renovado com faróis LED e grade em colmeia.
- Central multimídia de 11 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
- Garantia esticada para cinco anos, com correia mais durável.
- Motores 1.0 e 1.2 turbo recalibrados para eficiência e emissões.
A produção do modelo já começou na fábrica da General Motors em São Caetano do Sul, que passou por modernizações, como a instalação de linhas automatizadas para montagem do para-choque dianteiro. O Tracker 2026 mantém sua posição como um dos SUVs mais vendidos no Brasil, com 27.238 unidades comercializadas até junho de 2025, segundo a Fenabrave.
Novo design eleva o Tracker a um patamar global
O visual do Tracker 2026 foi inspirado em SUVs globais da Chevrolet, como Blazer e Equinox, trazendo uma dianteira mais robusta com grade hexagonal e faróis LED divididos. A versão RS, topo de linha, adiciona detalhes esportivos, como emblemas escurecidos e rodas de 17 polegadas exclusivas. A traseira mantém o desenho anterior, mas as lanternas ganharam lentes cristalinas, valorizando o contorno.
Internamente, o SUV aposta em sofisticação. A cabine combina materiais premium com um cockpit digital, unindo o painel de instrumentos de 8 polegadas à central multimídia de 11 polegadas. Esse conjunto, levemente inclinado para o motorista, lembra soluções vistas em modelos da Volkswagen, mas com identidade própria. A Chevrolet também investiu em ergonomia, com bancos mais confortáveis e comandos intuitivos.
- Destaques do design e interior:
- Grade frontal com acabamento em colmeia e detalhes cromados.
- Bancos com espuma de densidades variadas para maior conforto.
- Painel digital integrado, com conectividade Wi-Fi para até sete dispositivos.
- Teto solar panorâmico nas versões Premier e RS.
O acabamento interno, embora aprimorado, ainda fica atrás de concorrentes como o Honda HR-V em refinamento. A distância entre-eixos de 2,57 metros garante espaço adequado, mas não se equipara a rivais como o Volkswagen T-Cross (2,65 metros). O porta-malas de 393 litros é suficiente, mas está abaixo de modelos como o Hyundai Creta.
Desempenho e eficiência dividem opiniões
O Tracker 2026 mantém os motores 1.0 turbo flex (115,5 cv) e 1.2 turbo flex (até 141 cv), ambos com câmbio automático de seis marchas. A versão 1.0 teve a potência reduzida em 5,5 cv para atender ao Programa Carro Sustentável, enquadrando-se em uma faixa de IPI menor. Já o 1.2 turbo, presente nas versões Premier e RS, entrega respostas ágeis, com 0 a 100 km/h em 10,6 segundos.
Testes realizados em trajetos urbanos e rodoviários mostram que o motor 1.2 turbo lida bem com subidas e retomadas, mas o ajuste mais firme da suspensão, embora eficaz em ruas esburacadas, não traz novidades em relação ao modelo 2020. O consumo, no entanto, piorou ligeiramente. Segundo o Inmetro, o 1.2 turbo faz 7,6 km/l na cidade (etanol) e 13,7 km/l na estrada (gasolina), números inferiores aos da geração anterior devido ao maior arrasto aerodinâmico da nova dianteira.
- Dados de desempenho e consumo:
- Motor 1.0 turbo: 115,5 cv, 18,9 kgfm (etanol), 13,8 km/l na estrada (gasolina).
- Motor 1.2 turbo: 141 cv, 22,9 kgfm (etanol), 10,6 segundos de 0 a 100 km/h.
- Suspensão firme, ideal para vias urbanas, mas sem atualizações significativas.
A Chevrolet planeja introduzir um sistema híbrido leve de 48 volts em 2026, que pode melhorar a eficiência para a linha 2027. Por enquanto, a ausência de eletrificação é um ponto fraco frente a concorrentes como o Toyota Yaris Cross, que já oferece opções híbridas.
Tecnologia e segurança reforçam o pacote
O Tracker 2026 avança em conectividade e segurança. A central multimídia de 11 polegadas suporta atualizações remotas e oferece o sistema OnStar, com serviços de concierge e rastreamento. Recursos como alerta de colisão frontal, frenagem automática de emergência e monitoramento de ponto cego estão disponíveis a partir da versão LTZ.
A segurança é reforçada por seis airbags, controle de estabilidade e assistente de partida em rampa em todas as versões. No entanto, o modelo carece de tecnologias mais avançadas, como câmera 360 graus ou piloto automático adaptativo, presentes em rivais como o Jeep Compass.
- Principais tecnologias do Tracker 2026:
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
- OnStar com suporte em casos de roubo ou acidentes.
- Seis airbags e frenagem automática em baixa velocidade.
- Alerta de ponto cego e assistente de estacionamento nas versões superiores.
A versão de entrada AT, voltada ao público PcD, mantém o motor 1.0 turbo e oferece isenções fiscais, reduzindo o preço para R$ 105.862. Apesar do painel analógico, ela inclui itens como ar-condicionado e MyLink de 8 polegadas.
Preços e versões: o que cada uma oferece
O Tracker 2026 está disponível em cinco versões, com preços que variam de R$ 119.900 a R$ 190.590. A edição especial 100 Anos, baseada na RS, traz pintura exclusiva Azul Noronha e acabamentos escurecidos. A versão Premier, testada pela imprensa, destaca-se pelo equilíbrio entre equipamentos e preço, mas a ausência de alguns recursos premium pode pesar na decisão de compra.
- Estrutura de preços e versões:
- AT 1.0 turbo: R$ 119.900, voltada ao público PcD, com isenções.
- LT e LTZ 1.0 turbo: a partir de R$ 135.900, com mais equipamentos.
- Premier 1.2 turbo: R$ 189.590, foco em conforto e tecnologia.
- RS 1.2 turbo: R$ 190.590, visual esportivo e acabamentos exclusivos.
- Edição 100 Anos: R$ 190.590, com pintura e detalhes únicos.
A versão Premier agrada pelo desempenho e acabamento, mas o preço elevado exige comparação com rivais. O Volkswagen T-Cross Highline, por exemplo, oferece mais espaço interno, enquanto o Honda HR-V entrega maior refinamento.
Correia banhada a óleo: solução ou problema?
A polêmica correia banhada a óleo, presente nos motores turbo, foi mantida, mas a Chevrolet garante maior durabilidade com uma nova formulação química. Proprietários do modelo anterior relataram desgaste precoce, especialmente por uso de óleo fora das especificações. A marca recomenda trocas regulares e uso do lubrificante correto para evitar falhas.
A garantia de cinco anos é uma resposta direta às críticas, mas a ausência de uma corrente de comando, comum em concorrentes, ainda gera desconfiança. Testes de longo prazo serão necessários para confirmar a eficácia das melhorias.
- Cuidados com a correia:
- Use óleo lubrificante especificado no manual.
- Realize trocas de óleo nos prazos recomendados.
- Verifique a correia em revisões periódicas.
- Evite lubrificantes fora do padrão indicado.
O Tracker 2026 enfrenta um mercado aquecido, com rivais que investem em eletrificação e tecnologias mais avançadas. A Chevrolet aposta no design renovado, na conectividade e na tradição da marca para manter sua competitividade.
Teste de direção: como o Tracker se sai na prática
A versão Premier 1.2 turbo foi avaliada em um trajeto de 240 km, incluindo trechos urbanos e rodoviários em Ouro Preto (MG). O motor entrega respostas rápidas em ultrapassagens, mas a primeira marcha alongada causa um leve atraso na aceleração inicial. A suspensão, ajustada para vias esburacadas, garante conforto, mas não oferece a suavidade de modelos como o Peugeot 2008.
O SUV se destaca pela posição de dirigir elevada e pelo bom comportamento em curvas, mas a falta de tecnologias como freio de mão eletrônico ou câmera 360 graus decepciona em um modelo de quase R$ 190 mil. A direção elétrica é precisa, mas o feedback poderia ser mais comunicativo.
- Impressões ao dirigir:
- Respostas ágeis do motor 1.2 turbo em retomadas.
- Suspensão firme, ideal para cidades com pavimento irregular.
- Posição de dirigir elevada, mas ajustes limitados no volante.
O Tracker 2026 é uma evolução clara em relação ao antecessor, mas a ausência de recursos premium e a dependência de melhorias na correia banhada a óleo exigem cautela.

