Odete Roitman quase não morreu: o final alternativo de Vale Tudo reveladoPor Carolina Costa
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A novela Vale Tudo, marco da teledramaturgia brasileira, quase teve um desfecho bem diferente do mistério que parou o Brasil em 1988: “Quem matou Odete Roitman?”. Originalmente, os autores Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères planejaram um final em que Raquel Accioli, vivida por Regina Duarte, sacrificava-se pela filha, Maria de Fátima, interpretada por Glória Pires. A ideia inicial era que Maria de Fátima cometesse um crime grave, assassinando Marco Aurélio, e Raquel assumisse a culpa para protegê-la. Esse desfecho foi descartado às pressas, com a novela esticada em 24 capítulos, e a morte de Odete Roitman, encenada por Beatriz Segall, tornou-se o ápice da trama, consolidando-a como um clássico. A mudança, revelada por fontes como o jornal O Dia, transformou a novela em um fenômeno cultural, com a pergunta sobre a assassina, Leila, vivida por Cássia Kis, ecoando até hoje. O remake de 2025, assinado por Manuela Dias, mantém o suspense, mas com adaptações modernas.
A decisão de alterar o final original veio da necessidade de estender a novela, exibida entre maio de 1988 e janeiro de 1989, para manter a audiência. A solução encontrada pelos autores criou um dos maiores enigmas da televisão brasileira, com a morte de Odete Roitman no capítulo 193, exibido em 24 de dezembro de 1988. A cena, gravada no mesmo dia do último capítulo para evitar vazamentos, revelou Leila como a assassina, que atirou em Odete por engano, mirando Maria de Fátima. A estratégia garantiu 81 pontos de audiência, segundo dados do IBOPE, e marcou a história da teledramaturgia.
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O impacto do mistério foi tão grande que inspirou outras novelas a adotarem o recurso do “quem matou”. A trama original, centrada na corrupção e na falta de ética, ganhou uma nova camada com o suspense, que mobilizou o público e gerou até concursos para adivinhar o culpado. No remake, a morte de Odete, agora interpretada por Débora Bloch, promete manter a essência, mas com um assassino diferente, segundo a autora Manuela Dias.
Por que o final original foi descartado
A ideia inicial de Gilberto Braga focava no sacrifício de Raquel, evidenciando seu amor incondicional por Maria de Fátima, apesar das traições da filha. O plano era que Fátima, movida por sua ambição desmedida, assassinasse Marco Aurélio, vivido por Reginaldo Faria, em um momento de desespero. Raquel, ao descobrir o crime, assumiria a culpa e se entregaria à polícia, garantindo a liberdade da filha. Esse desfecho reforçaria a dualidade entre a mãe honesta e a filha sem escrúpulos, um dos pilares da trama.
- Motivo da mudança: A TV Globo precisava estender a novela em 24 capítulos devido ao sucesso de audiência, que atingiu média de 61 pontos no IBOPE.
- Pressão por impacto: O final com Raquel na prisão foi considerado menos comercial e dramático que um mistério de assassinato.
- Decisão estratégica: A morte de Odete Roitman foi introduzida para criar um clímax que mantivesse o público engajado até o último capítulo.
A alteração exigiu ajustes rápidos no roteiro, com os autores criando cinco versões diferentes do final para evitar vazamentos. Apenas quatro pessoas, incluindo Gilberto Braga e o diretor Dennis Carvalho, sabiam a identidade da assassina antes da gravação.
O impacto da morte de Odete Roitman
A morte de Odete Roitman, baleada em 24 de dezembro de 1988, tornou-se um marco cultural. A vilã, interpretada por Beatriz Segall, personificava a elite preconceituosa e manipuladora, e sua saída da trama chocou o público. A Globo capitalizou o suspense com uma campanha que mobilizou o Brasil, incluindo concursos e debates na mídia. A revelação de que Leila, vivida por Cássia Kis, cometeu o crime por engano, ao tentar atingir Maria de Fátima, surpreendeu e gerou grande repercussão.
- Audiência recorde: O capítulo 193 alcançou 81 pontos no IBOPE, um dos maiores índices da história da Globo.
- Efeito cultural: A pergunta “Quem matou Odete Roitman?” virou bordão nacional, repetido em jornais, rádios e conversas populares.
- Inspiração para outras tramas: Novelas como A Próxima Vítima (1995) e Celebridade (2003) adotaram o mesmo recurso de suspense.
- Sigilo absoluto: A cena final foi gravada no dia da exibição, com cinco versões alternativas para despistar o elenco e a imprensa.
No remake de 2025, a Globo aposta na nostalgia, mas com atualizações. A nova Odete, vivida por Débora Bloch, mantém a essência cruel, mas o desfecho do assassinato será diferente, conforme prometido por Manuela Dias, para surpreender tanto os fãs da versão original quanto novos espectadores.
O sacrifício de Raquel no final original
O final planejado por Gilberto Braga destacava o amor maternal de Raquel, mesmo diante das ações de Maria de Fátima, que vendeu a casa da família e traiu a mãe repetidamente. A personagem de Regina Duarte assumiria o assassinato de Marco Aurélio, um crime cometido por Fátima, para protegê-la da prisão. Esse desfecho reforçaria o contraste entre as duas, com Raquel representando a ética e Fátima, a ambição sem limites.
O plano original, embora dramático, foi considerado menos impactante para o público, que já estava envolvido com as intrigas de Odete Roitman. A vilã, com sua postura arrogante e falas memoráveis, tornou-se o coração da novela, e sua morte trouxe um clímax mais comercial. Segundo o jornal O Dia, a mudança foi crucial para manter a novela no ar até janeiro de 1989, garantindo um desfecho memorável.
Como o remake aborda o legado da novela
O remake de Vale Tudo, exibido desde 31 de março de 2025, traz adaptações para o público atual. Manuela Dias, autora da nova versão, manteve os personagens centrais, como Raquel (Taís Araújo), Maria de Fátima (Bella Campos) e Odete (Débora Bloch), mas atualizou o contexto. Fátima, por exemplo, agora sonha em ser influenciadora digital, refletindo a sociedade contemporânea. A novela, dirigida por Paulo Silvestrini, celebra os 60 anos da Globo e mantém o mistério da morte de Odete como ponto alto.
- Mudanças na trama: O assassino de Odete será diferente, prometendo surpreender o público.
- Elenco estelar: Nomes como Cauã Reymond, Paolla Oliveira e Alexandre Nero reforçam a produção.
- Cenários modernos: A agência Tomorrow substitui a revista de moda da versão original, com estética inspirada em escritórios de coworking.
- Nostalgia preservada: Bordões e cenas icônicas, como a briga entre Raquel e Fátima, foram mantidos com releituras.
A nova versão já registra bons índices, com 24,3 pontos na estreia, segundo a Kantar IBOPE Media, mas enfrenta concorrência em algumas praças, como Recife e Salvador, onde reprises de novelas como Tieta superaram sua audiência.
A cena da briga entre Raquel e Maria de Fátima
Um dos momentos mais marcantes de Vale Tudo, tanto na versão original quanto no remake, é a briga entre Raquel e Maria de Fátima, quando a mãe descobre as traições da filha. Na trama de 1988, Raquel, furiosa, invade a mansão onde Fátima prova seu vestido de noiva e o rasga, em uma explosão de raiva. A cena, que inclui um tapa e xingamentos, foi reproduzida no remake com Taís Araújo e Bella Campos, mas com ajustes no texto para evitar repetições exaustivas, como a palavra “pobre”.
A versão original destacava a tensão entre a honestidade de Raquel e a ambição de Fátima, com Odete defendendo a jovem por interesses próprios. No remake, a cena mantém a essência, mas a linguagem foi atualizada, com diálogos mais diretos. A crítica apontou que, embora fiel, o remake suavizou alguns momentos, tornando as falas menos impactantes em comparação com a intensidade de Regina Duarte e Glória Pires.
O peso cultural de Vale Tudo no Brasil
Vale Tudo, em 1988, não foi apenas uma novela, mas um retrato do Brasil da época, marcado pela corrupção e desigualdade social. A trama expôs o cinismo de personagens como Odete e Marco Aurélio, que fugiu do país debochando da impunidade. O remake busca manter essa crítica, abordando temas como homofobia e desigualdade, com um relacionamento homoafetivo entre Cecília e Laís, interpretadas por Maeve Jinkings e Lorena Lima.
A novela original foi eleita pela revista Veja, em 2016, ao lado de Avenida Brasil, como uma das melhores da história da TV brasileira. Sua relevância persiste, como apontou o doutor em teledramaturgia Mauro Alencar, que descreveu Vale Tudo como a obra que melhor explicitou o desnível social do Brasil. O remake reforça essa atemporalidade, adaptando a história para um público que enfrenta dilemas éticos semelhantes em 2025.
Curiosidades sobre a produção de Vale Tudo
A produção de Vale Tudo, tanto na versão original quanto no remake, envolve detalhes que enriqueceram sua história. A novela de 1988 foi pioneira ao abordar temas como corrupção de forma tão direta, e o remake mantém essa ousadia com atualizações.
- Gravação sigilosa: A cena da morte de Odete em 1988 foi gravada no dia da exibição para evitar vazamentos.
- Estreia marcante: O primeiro capítulo de 2025 foi exibido no Big Brother Brasil 25, com Cauã Reymond apresentando a trama.
- Abertura nostálgica: O remake mantém a música “Brasil”, de Gal Costa, mas com imagens modernas dos telespectadores.
- Mudanças no elenco: Nomes como Matheus Nachtergaele e Karine Teles foram adicionados ao remake, trazendo frescor à trama.
A novela continua atraindo atenção, com 125 milhões de espectadores impactados até julho de 2025, segundo a Globo, e lidera o consumo no Globoplay, impulsionando até a versão original de 1988.















