Um novo etanol produzido a partir de resíduos alimentícios, como chocolates, balas e sucos, está revolucionando o mercado de combustíveis no Brasil. Desenvolvido pela Ambipar, o Ambiálcool, testado em Nova Odessa (SP) desde 2021, transforma lixo da indústria alimentícia em combustível automotivo com até 95% de pureza, aprovado pela ANP. O projeto, que reaproveita toneladas de resíduos descartados, oferece uma alternativa sustentável ao etanol de cana, com desempenho similar em testes com veículos flex, como o Citroën Basalt. A iniciativa reduz emissões, minimiza resíduos em aterros e pode transformar a matriz energética, alinhando-se à crescente demanda global por combustíveis renováveis.
A produção do Ambiálcool começou durante a escassez de etanol na pandemia, aproveitando materiais fora de padrão ou vencidos. Com parcerias com empresas como a Mondelēz, o projeto já converte 500 toneladas de resíduos em até 300 mil litros de etanol, superando a produtividade da cana em alguns casos. Testes mostram consumo e desempenho próximos ao etanol tradicional, com diferenças mínimas em aceleração e velocidade.
- Principais inovações do projeto:
- Uso de resíduos alimentícios descartados.
- Alta pureza do etanol hidratado.
- Redução de resíduos em aterros.
- Compatibilidade com motores flex.
Novo combustível surge como alternativa ecológica
A Ambipar lidera a criação do Ambiálcool, que reaproveita resíduos alimentícios para produzir etanol de alta pureza. O combustível, testado em uma frota experimental, promete reduzir a dependência de monoculturas como a cana-de-açúcar. O processo aproveita açúcares de produtos descartados, gerando um combustível viável para o mercado automotivo. Parcerias com indústrias alimentícias são cruciais para a escalabilidade do projeto.
A iniciativa se destaca por sua abordagem circular, transformando lixo em recurso energético. O Ambiálcool já é utilizado em 22 veículos da frota da Ambipar, com planos de expansão até 2025. A ausência de incentivos governamentais, no entanto, é um obstáculo para a comercialização em larga escala.
- Benefícios ambientais do Ambiálcool:
- Redução de emissões de carbono.
- Diminuição de resíduos em aterros.
- Menor impacto em culturas agrícolas.
- Potencial para créditos de carbono.
Processo produtivo combina inovação e eficiência
O Ambiálcool é produzido a partir de resíduos ricos em açúcar e amido, como balas e sucos vencidos. O processo começa com a coleta de materiais descartados, seguida por fermentação biológica e destilação em usinas parceiras. Segundo Gabriel Estevam, da Ambipar, a alta concentração de açúcares em alguns resíduos aumenta a eficiência em relação ao etanol de cana. O resultado é um combustível que atende às normas da ANP e é compatível com veículos flex.
A produção também gera subprodutos, como soluções de limpeza, dependendo da diluição do etanol. A empresa planeja dobrar a capacidade produtiva até o final de 2025, ampliando parcerias com indústrias alimentícias. A escalabilidade depende de novos acordos e maior infraestrutura.
- Etapas da produção:
- Coleta de resíduos alimentícios.
- Fermentação para extrair açúcares.
- Destilação para etanol hidratado.
- Controle de qualidade rigoroso.
Testes confirmam desempenho próximo ao etanol tradicional
Testes realizados pela Autoesporte com um Citroën Basalt 1.0 flex compararam o Ambiálcool ao etanol de posto. No circuito urbano, o consumo foi de 9,3 km/l com Ambiálcool, contra 10,1 km/l com etanol comum. Na rodovia, registrou 11,9 km/l contra 12,5 km/l. A aceleração de 0 a 100 km/h foi concluída em 15,7 segundos com o combustível reciclado, apenas 3,8% mais lento que o etanol tradicional.
Rogério Gonçalves, da AEA, destacou o “empate técnico” em desempenho e consumo. O piloto Alexandre Silvestre confirmou que o comportamento dinâmico do veículo é praticamente idêntico, sem perdas perceptíveis em torque ou reatividade.
- Resultados comparativos:
- Consumo urbano: 9,3 km/l vs. 10,1 km/l.
- Consumo rodoviário: 11,9 km/l vs. 12,5 km/l.
- Aceleração 0-100 km/h: 15,7 s vs. 15,2 s.
- Diferença máxima: 3,8% na aceleração.
Sustentabilidade impulsiona economia circular
O Ambiálcool reduz a pegada de carbono da indústria alimentícia, que gera milhares de toneladas de resíduos diariamente no Brasil. Em 2024, o setor movimentou R$ 1,3 trilhão, mas grande parte de seus descartes vai para aterros ou incineração. O combustível reciclado reintegra esses materiais na cadeia produtiva, diminuindo a dependência de monoculturas agrícolas.
Economicamente, o custo do Ambiálcool é competitivo, com preço médio de R$ 4,27 por litro, similar ao etanol de posto. A ausência de processos agrícolas tradicionais reduz custos, e a Ambipar avalia a venda de créditos de carbono para baratear o produto no futuro.
- Vantagens econômicas e ambientais:
- Custo equiparável ao etanol tradicional.
- Redução de resíduos industriais.
- Menor impacto ambiental.
- Potencial para novos mercados de carbono.
Barreiras para a comercialização em larga escala
Apesar dos avanços, o Ambiálcool ainda não está à venda para o público. A Ambipar o utiliza em sua frota experimental em Nova Odessa, enquanto negocia parcerias para ampliar a produção. A falta de incentivos governamentais e a necessidade de ajustar a percepção do consumidor sobre o odor do combustível, semelhante ao álcool hospitalar, são desafios. Especialistas apontam que a compatibilidade com motores flex pode facilitar a adoção no futuro.
A integração com tecnologias híbridas, como as do Toyota Corolla, também é promissora. Pesquisas na USP exploram o uso do etanol em reatores de hidrogênio, ampliando as possibilidades de aplicação.
- Obstáculos atuais:
- Falta de incentivos governamentais.
- Necessidade de parcerias industriais.
- Odor característico do combustível.
- Infraestrutura limitada para produção.
Futuro promissor para combustíveis renováveis (92 caracteres)
O Brasil, pioneiro em biocombustíveis desde o Fiat 147 a álcool em 1979, pode dar um novo salto com o Ambiálcool. A tecnologia flex, consolidada há mais de 20 anos, facilita a adoção de combustíveis reciclados. A iniciativa da Ambipar alinha-se à economia circular global, transformando resíduos em recursos valiosos. Países como China e Estados Unidos também podem adotar tecnologias similares, aproveitando o potencial da indústria alimentícia.
A Ambipar planeja expandir testes e parcerias, mas a comercialização depende de avanços logísticos e regulatórios. O projeto reforça a posição do Brasil como líder em combustíveis renováveis, com foco em sustentabilidade.
- Inovações em desenvolvimento:
- Uso de etanol em células de hidrogênio.
- Expansão de parcerias industriais.
- Testes para maior escala de produção.
- Exploração de novos subprodutos.

