Jasveen Sangha, conhecida como “Ketamine Queen”, confessou ser culpada por fornecer a dose fatal de ketamine que levou à morte do ator Matthew Perry, estrela de “Friends”, em outubro de 2023. A confissão ocorreu em Los Angeles, onde a cidadã americana e britânica de 42 anos admitiu cinco acusações federais, incluindo distribuição de ketamine resultando em morte. Perry, de 54 anos, foi encontrado sem vida em uma jacuzzi em sua casa na cidade, vítima de uma overdose do anestésico. A investigação revelou uma rede de fornecimento de drogas envolvendo médicos e o assistente pessoal do ator. Sangha, que operava a partir de sua residência em North Hollywood, enfrenta décadas de prisão. O caso expõe os perigos do uso recreativo de ketamine e a exploração da dependência química de celebridades.
A confissão de Sangha marca o desfecho de um caso que chocou Hollywood e reacendeu debates sobre o uso de substâncias controladas. A investigação, conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA, apontou que a “Ketamine Queen” era uma peça central em uma rede de distribuição de drogas.
- Acusações: Incluem manutenção de local para tráfico, três contagens de distribuição de ketamine e uma de distribuição resultando em morte.
- Consequências: Sangha pode enfrentar até 65 anos de prisão, com sentença ainda a ser definida.
- Outro caso: Ela também admitiu vender ketamine ligada à morte de Cody McLaury em 2019.
O impacto da morte de Perry, conhecido pelo papel de Chandler Bing, reverberou entre fãs e colegas, com a colega Jennifer Aniston revelando o luto prolongado do elenco de “Friends”.
Rede de fornecimento de drogas
A investigação revelou como Sangha e outros envolvidos exploraram a dependência de Perry. A “Ketamine Queen” trabalhava com Erik Fleming, de 55 anos, que atuava como intermediário, fornecendo 51 frascos de ketamine ao assistente pessoal de Perry, Kenneth Iwamasa, em outubro de 2023. Iwamasa, de 60 anos, admitiu ter injetado a droga em Perry, incluindo as doses fatais no dia 28. Ambos se declararam culpados em agosto de 2024, com sentenças marcadas para novembro.
Fleming, após a morte de Perry, tentou se desvincular do caso, enviando mensagens a Sangha pelo aplicativo Signal, sugerindo que apagassem comunicações. A investigação também apontou dois médicos, Salvador Plasencia e Mark Chavez, como fornecedores iniciais de ketamine para Perry, antes de Sangha assumir como principal fonte.
- Modus operandi: Sangha usava sua residência como base para armazenar e distribuir drogas.
- Quantidade: Foram encontrados 79 frascos de ketamine líquida e outros narcóticos em sua casa.
- Código: A droga era chamada de “Dr. Pepper” em mensagens codificadas.
O caso destaca a facilidade com que substâncias controladas, como a ketamine, chegam a figuras públicas, muitas vezes com consequências trágicas.
Vida dupla da “Ketamine Queen”
Jasveen Sangha, de 42 anos, projetava uma imagem de glamour nas redes sociais, compartilhando fotos de viagens internacionais e eventos com celebridades como Charlie Sheen e DJ Khaled. Enquanto se apresentava como curadora de arte e eventos, ela operava um “império de drogas” a partir de sua residência em North Hollywood, descrita pelos promotores como um “emporium de venda de drogas”.
Durante uma busca em março de 2024, autoridades confiscaram grandes quantidades de narcóticos, incluindo quase dois mil comprimidos de metanfetamina. A investigação revelou que Sangha mantinha negócios com clientes de alto perfil, reforçando sua reputação como fornecedora de elite.
- Viagens frequentes: Sangha visitava destinos como Japão, México e Dubai.
- Eventos de gala: Participava de festas exclusivas e eventos de prestígio.
- Aparência pública: Usava redes sociais para exibir um estilo de vida luxuoso.
- Prisão: Está detida sem fiança desde agosto de 2024, considerada um risco de fuga.
Sua confissão, confirmada pelo advogado Mark Geragos, evita um julgamento previsto para setembro, mas levanta questões sobre a responsabilidade de fornecedores em overdoses.
Envolvimento médico no caso
Além de Sangha, dois médicos foram implicados. Salvador Plasencia, conhecido como “Dr. P”, confessou em junho de 2024 ter distribuído ketamine a Perry, embora não as doses fatais. Ele forneceu 20 frascos e seringas a Iwamasa entre setembro e outubro de 2023. Mark Chavez, outro médico, admitiu em outubro de 2024 ter vendido ketamine a Plasencia, enfrentando até 10 anos de prisão.
Plasencia tentou manipular registros médicos para sugerir um plano de tratamento legítimo, mas a investigação desmontou a farsa. Ambos os médicos exploraram a vulnerabilidade de Perry, que buscava mais ketamine do que seu médico regular permitia, para lucrar com sua dependência.
- Plasencia: Enfrenta até 40 anos de prisão, com sentença marcada para dezembro.
- Chavez: Vendeu ketamine a Plasencia por US$ 12 por frasco, revendida por US$ 2 mil.
- Fraude: Plasencia falsificou documentos para encobrir sua conduta.
A participação de profissionais médicos reforça a gravidade do caso, expondo falhas na regulamentação de substâncias controladas.
Perigos do uso de ketamine
A ketamine, um anestésico com propriedades alucinógenas, tem ganhado popularidade como tratamento off-label para depressão, mas seu uso recreativo é arriscado. Perry, que detalhou suas lutas com vícios em um livro de memórias, usava a droga legalmente em clínicas, mas buscou fontes ilícitas para doses maiores.
A investigação destacou que Sangha sabia dos riscos da ketamine desde 2019, quando foi informada da morte de Cody McLaury. Mesmo assim, continuou distribuindo a droga. Especialistas alertam que a ketamine pode causar paradas respiratórias em doses elevadas, especialmente quando administrada sem supervisão médica.
- Uso médico: Aprovada como anestésico, mas usada off-label para depressão.
- Riscos: Overdose pode levar à depressão respiratória e morte.
- Popularidade: Cresce entre celebridades e jovens em busca de efeitos recreativos.
- Regulamentação: Falta de controle rigoroso facilita acesso ilícito.
O caso de Perry serve como alerta para os perigos do abuso de substâncias controladas e a necessidade de maior fiscalização.
Reações da comunidade e colegas
A morte de Perry chocou o público e seus colegas de “Friends”. Jennifer Aniston, em entrevista à Vanity Fair, revelou que o elenco já lamentava a luta de Perry contra o vício antes de sua morte. Fãs usaram redes sociais para expressar tristeza e indignação com os fornecedores.
A investigação também gerou debates sobre a responsabilidade legal de traficantes em casos de overdose. Promotores enfatizaram que Sangha e outros lucraram com a vulnerabilidade de Perry, tratando-o como uma fonte de renda.
- Luto coletivo: Elenco de “Friends” expressou pesar prolongado.
- Debate público: Foco na responsabilidade de fornecedores em overdoses.
- Apoio a vítimas: Cresce a demanda por programas de reabilitação.
O caso reforça a necessidade de abordar o vício como uma questão de saúde pública, não apenas criminal.
Próximos passos judiciais
Com a confissão de Sangha, o caso se aproxima de sua conclusão judicial. A data para a formalização de sua confissão ainda será marcada, mas ela permanece detida. As sentenças de Iwamasa, Fleming, Plasencia e Chavez estão previstas para os próximos meses, com penas que variam de 10 a 65 anos, dependendo das acusações.
A investigação revelou uma rede complexa, mas o foco agora é garantir justiça para Perry e outras vítimas. O caso também pode impulsionar mudanças na regulamentação de substâncias como a ketamine, visando prevenir futuras tragédias.
- Sentenças: Iwamasa e Fleming em novembro, Plasencia em dezembro, Chavez em setembro.
- Impacto legal: Pode influenciar leis sobre distribuição de drogas.
- Prevenção: Discussões sobre controle de substâncias controladas.
O desfecho do caso mantém a atenção pública, enquanto fãs e autoridades refletem sobre as lições de uma tragédia evitável.
