Em 2025, o jornalista Leonardo Felix percorreu quase 3 mil quilômetros com dois carros híbridos plug-in, o Lexus NX 450h+ e o GWM Haval H6 GT, em viagens pelo Espírito Santo, São Paulo e Paraná. A experiência revelou mitos e verdades sobre o uso desses veículos em trajetos longos, mostrando como gerenciar a bateria, lidar com a infraestrutura de recarga e otimizar o consumo. Com percursos de 1.120 km no Lexus e 1.680 km no Haval, Felix desvendou estratégias para aproveitar ao máximo a tecnologia híbrida plug-in. As lições são cruciais para motoristas que planejam viagens rodoviárias com esses modelos.
Os testes práticos ocorreram em condições reais, enfrentando serras, rodovias e trechos urbanos. O objetivo foi avaliar o desempenho dos híbridos plug-in em situações desafiadoras, longe dos grandes centros. As descobertas trazem informações valiosas para proprietários e interessados em veículos eletrificados.
- Principais aprendizados:
- Gerenciar a bateria é essencial para evitar surpresas.
- Infraestrutura de recarga ainda é limitada fora das capitais.
- Autonomias anunciadas pelas montadoras nem sempre são realistas.
Gerenciamento eficiente da bateria
Controlar o consumo de energia é o primeiro passo para uma viagem bem-sucedida com um híbrido plug-in. No Lexus NX 450h+, o modo HV (híbrido) combina o motor elétrico e o de combustão, priorizando a eficiência. Em um trajeto de 400 km no Espírito Santo, entre Castelo e Guriri, a carga da bateria de 18,1 kWh nunca caiu abaixo de 70%, graças à regeneração em descidas e ao uso estratégico do modo híbrido. O consumo médio ficou acima de 15 km/l, impressionante para um SUV de 2.070 kg.
No GWM Haval H6 GT, o modo HEV também foi priorizado, mas o motor elétrico atuava mais intensamente devido à menor eficiência aerodinâmica. Em um percurso de 600 km, a bateria de 34 kWh chegou a 20% de carga, com consumo médio de 13,6 km/l. O recurso de travamento da carga, exclusivo do Haval, permitiu manter um percentual mínimo, garantindo energia para trechos urbanos.
- Dicas para gerenciar a bateria:
- Ative o modo híbrido em rodovias para preservar a carga.
- Use descidas para regenerar energia.
- Ajuste manualmente o modo de condução ao ligar o veículo.
- Monitore o percentual de carga em trechos longos.
Limitações da infraestrutura de recarga
A disponibilidade de eletropostos no Brasil ainda é um obstáculo para viagens longas. Dados da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) indicam que o país possui cerca de 15 mil carregadores públicos, contra 45 mil postos de combustível, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). No Espírito Santo, fora da capital Vitória, encontrar carregadores foi desafiador, exigindo planejamento rigoroso para evitar depender de recargas externas.
Em São Paulo e no Paraná, a situação foi ligeiramente melhor, com mais eletropostos disponíveis, embora muitos fossem de corrente alternada (AC), com recarga lenta. Apenas 2,5 mil carregadores no Brasil oferecem recarga rápida em corrente contínua (DC), o que limita a praticidade em viagens. Planejar paradas em locais com infraestrutura é essencial para evitar contratempos.
Autonomia real versus promessas das montadoras
As autonomias divulgadas pelas fabricantes, muitas vezes superiores a 1.000 km, raramente se confirmam em condições rodoviárias. Em estradas, os híbridos plug-in perdem eficiência, pois há menos oportunidades de regeneração de energia em frenagens. O motor a combustão acaba assumindo um papel maior, seja para propulsão, seja como gerador.
Nos testes, tanto o Lexus NX 450h+ quanto o GWM Haval H6 GT alcançaram autonomias combinadas próximas a 700 km, um número sólido para SUVs de mais de 2 toneladas. A chave foi adotar uma condução econômica, com acelerações suaves e uso estratégico dos modos de condução.
- Fatores que afetam a autonomia:
- Menor regeneração em rodovias.
- Uso intenso do motor a combustão.
- Peso elevado dos veículos.
- Estilo de condução do motorista.
Uso estratégico do modo elétrico
O modo EV, que utiliza apenas o motor elétrico, é mais vantajoso em trechos urbanos, onde é possível economizar combustível e prolongar a autonomia. Em cidades com eletropostos, recarregar antes de seguir viagem maximiza a eficiência. Durante os testes, o modo EV foi usado em áreas urbanas, permitindo rodar sem consumir gasolina em trechos curtos.
No Lexus, o modo EV foi ativado automaticamente ao ligar o carro, exigindo troca manual para o modo híbrido em rodovias. No Haval, o mesmo comportamento foi observado, reforçando a importância de ajustar os modos de condução conforme o trajeto. Essa estratégia reduz o consumo e mantém a bateria para situações específicas.
Custo da geração de energia pelo motor a combustão
Usar o motor a combustão como gerador de energia para a bateria é uma solução prática, mas cara. No Haval H6 GT, o motor 1.5 turbo foi acionado para manter a carga mínima, mas isso aumentou o consumo de combustível. No Lexus, o modo HV transformava o SUV em um híbrido convencional, similar a um Toyota Corolla Cross, mas com maior gasto energético em longos percursos.
Adotar uma condução racional, com frenagens suaves e aproveitamento de descidas, reduz a dependência do motor a combustão como gerador. Recargas externas, quando disponíveis, são a opção mais econômica para manter a bateria carregada.
- Estratégias para reduzir custos:
- Priorize recargas em eletropostos.
- Evite acelerações bruscas.
- Use o modo EV em trechos urbanos.
- Aproveite descidas para regeneração.
Planejamento de rotas para híbridos plug-in
Planejar a viagem é crucial para maximizar a eficiência de um híbrido plug-in. Mapear eletropostos, mesmo que escassos, pode evitar surpresas. Aplicativos e sites especializados, como os da ABVE, ajudam a localizar carregadores. Além disso, conhecer o trajeto permite antecipar trechos de serra ou engarrafamentos, onde a regeneração de energia é mais eficaz.
No Espírito Santo, a ausência de carregadores fora da capital exigiu maior cuidado com a bateria do Lexus. No Paraná e em São Paulo, a maior oferta de eletropostos facilitou o planejamento, mas a predominância de carregadores lentos reforça a importância de gerenciar a carga internamente.
Diferenças entre Lexus NX 450h+ e GWM Haval H6 GT
Os dois modelos testados apresentaram particularidades. O Lexus NX 450h+ destacou-se pela eficiência aerodinâmica e pelo modo HV, que garantiu consumo estável. O GWM Haval H6 GT, com maior capacidade de bateria, ofereceu mais flexibilidade em trechos urbanos, mas exigiu ajustes constantes devido à menor eficiência em rodovias.
- Comparação entre os modelos:
- Lexus: melhor aerodinâmica, consumo de 15 km/l.
- Haval: bateria maior, mas consumo de 13,6 km/l.
- Lexus: sem travamento de carga.
- Haval: permite fixar carga mínima entre 20% e 80%.

