A Administração Nacional de Segurança Social (ANSES) anunciou um novo reajuste nos benefícios pagos a aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios sociais na Argentina, programado para outubro de 2025. O aumento, que reflete a inflação acumulada de agosto, estimada em 2,1% pelo Banco Central argentino, busca minimizar a perda de poder de compra em um cenário econômico marcado pela alta de preços. A medida beneficia diretamente cerca de 7 milhões de pessoas, incluindo aposentados, pensionistas e famílias que recebem auxílios, como o Auxílio Universal por Filho (AUH). O Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) confirmará os dados oficiais da inflação em 10 de setembro, definindo o percentual exato do ajuste.
Este reajuste segue a política de mobilidade jubilatória, que ajusta os benefícios a cada dois meses com base na inflação dos dois meses anteriores. O mecanismo, em vigor desde 2009, tem como objetivo proteger os beneficiários contra a corrosão do valor real de seus rendimentos.
- Aposentadoria mínima sobe para 327.003 pesos, totalizando 397.003 pesos com bônus.
- Pensão Universal para o Adulto Maior (PUAM) atinge 261.602 pesos, ou 331.602 com bônus.
- Auxílios familiares também serão ajustados, com destaque para o AUH, que alcança 117.505 pesos.
Mecanismo de mobilidade jubilatória
A política de mobilidade jubilatória da Argentina é um sistema consolidado que garante atualizações bimestrais nos benefícios sociais, com base na variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado pelo INDEC. Em setembro, o aumento foi de 1,9%, elevando a aposentadoria mínima para 320.277 pesos, acrescida de um bônus fixo de 70.000 pesos, totalizando 390.277 pesos. Para outubro, o ajuste de 2,1% reflete a inflação de agosto, que, segundo o Banco Central, desacelerou para 1,9%, ante 3,3% em julho. Este índice mensal, embora menor que os picos de 2023, quando a inflação ultrapassou 200%, ainda pressiona o custo de vida, especialmente em setores como alimentos e medicamentos.
O sistema atual, reformulado em 2024 sob o governo de Javier Milei, incorpora componentes salariais além da inflação, buscando equilíbrio fiscal. Essa mudança, porém, gerou críticas no Congresso argentino, que argumenta que os aumentos não acompanham plenamente as necessidades dos beneficiários. Em 2025, os reajustes acumulados já superam 25% em termos nominais, mas a inflação anual de 33,6% até agosto reduz o ganho real.
- A mobilidade jubilatória é aplicada desde 2009, com ajustes a cada dois meses.
- A inflação de agosto foi de 1,9%, menor que os 3,3% de julho.
- O bônus fixo de 70.000 pesos não segue a mobilidade completa, impactando a renda real.
- A fórmula atual prioriza o equilíbrio fiscal, mas é criticada por limitar ganhos reais.
Impacto nos benefícios sociais
O reajuste de outubro abrange uma ampla gama de benefícios administrados pela ANSES, incluindo pensões e auxílios familiares. A aposentadoria mínima, que serve como referência para muitos beneficiários, passará de 320.277 pesos para 327.003 pesos, somando 397.003 pesos com o bônus de 70.000 pesos. A Pensão Universal para o Adulto Maior (PUAM) será ajustada para 261.602 pesos, ou 331.602 pesos com o bônus, enquanto as Pensões Não Contributivas por invalidez e velhice alcançarão 228.902 pesos, ou 298.902 pesos com o acréscimo.
Os auxílios familiares também serão atualizados. O Auxílio Universal por Filho (AUH), voltado para famílias de baixa renda, subirá para 117.505 pesos, com valores mais altos em casos de deficiência, podendo chegar a 382.615 pesos. Outros benefícios, como o Auxílio por Nascimento (68.488 pesos) e o Auxílio por Casamento (102.550 pesos), também terão incrementos. O Complemento Leite, destinado a gestantes e crianças, será ajustado para 44.317 pesos. O Cartão Alimentar, no entanto, não sofrerá alterações, pois segue critérios próprios de cálculo.
- Aposentadoria mínima: 327.003 pesos, ou 397.003 com bônus.
- AUH: 117.505 pesos, com até 382.615 pesos para casos de deficiência.
- Complemento Leite: 44.317 pesos para gestantes e crianças.
- Cartão Alimentar: sem reajuste, mantendo regras específicas.
Contexto econômico e desafios fiscais
A economia argentina enfrenta um cenário de desaceleração inflacionária, mas com desafios persistentes. A inflação acumulada de 33,6% até agosto de 2025 reflete uma queda significativa em relação aos 200% de 2023, mas ainda impacta o poder de compra dos beneficiários. O governo de Javier Milei, que assumiu em dezembro de 2023, implementou medidas de ajuste fiscal, como a suspensão de obras federais e a redução de subsídios a serviços essenciais, como energia e transporte. Essas ações contribuíram para a desaceleração da inflação, mas elevaram o custo de vida nos primeiros meses de 2024, quando a pobreza atingiu 52,9% da população.
Atualmente, a pobreza recuou para 38,1%, afetando 11,3 milhões de pessoas, mas protestos populares persistem devido à pressão econômica. O acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), firmado em abril de 2025, trouxe alívio financeiro, mas a introdução do câmbio flutuante e a instabilidade do peso argentino seguem como riscos. O Banco Central anunciou intervenções no mercado cambial para estabilizar a moeda, o que pode influenciar os índices inflacionários futuros e, consequentemente, os próximos reajustes da ANSES.
- Inflação de 33,6% em 2025, contra 200% em 2023.
- Pobreza caiu de 52,9% para 38,1% no segundo semestre de 2025.
- Acordo com o FMI trouxe US$ 12 bilhões em recursos imediatos.
- Câmbio flutuante aumenta riscos de instabilidade inflacionária.
Reações e perspectivas dos beneficiários
O anúncio do reajuste de 2,1% gerou reações mistas entre os beneficiários. Para muitos aposentados, o aumento é bem-vindo, mas insuficiente para cobrir o custo de vida, especialmente em itens essenciais como alimentos, medicamentos e serviços básicos. Representantes de associações de aposentados criticam a fórmula atual, que, embora acompanhe a inflação, não garante ganhos reais significativos. O bônus fixo de 70.000 pesos, mantido desde 2024, é visto como uma medida paliativa, já que não é ajustado pela mobilidade jubilatória.
Por outro lado, a regularidade dos reajustes bimestrais oferece alguma previsibilidade aos beneficiários, que podem planejar melhor seus gastos. A ANSES disponibiliza canais online e presenciais para consulta dos novos valores, e os pagamentos de outubro começarão a ser depositados no início do mês, conforme o calendário oficial. A expectativa é que o INDEC confirme o índice de 2,1% em 10 de setembro, mas analistas alertam que variações na inflação de setembro podem impactar os reajustes de novembro.
- Aposentados criticam o aumento por não cobrir o custo de vida.
- Bônus de 70.000 pesos é fixo e não acompanha a inflação.
- Pagamentos de outubro começam no início do mês, segundo a ANSES.
- Inflação de setembro pode alterar os ajustes de novembro.
Histórico de reajustes recentes
Os reajustes da ANSES têm seguido um padrão consistente, com aumentos acumulados de 150% nos últimos dois anos, embora a inflação elevada tenha reduzido os ganhos reais. Em 2023, os benefícios enfrentaram desafios devido à hiperinflação, mas a desaceleração de 2025 trouxe alívio relativo. O reajuste de setembro, de 1,9%, foi baseado na inflação de julho (3,3%), enquanto o aumento de outubro reflete a inflação de agosto (1,9%). Essa regularidade tem sido um ponto positivo, mas a ausência de ganhos reais continua a gerar debates no Congresso argentino.
A formulação da mobilidade jubilatória foi ajustada em 2024 para incluir componentes salariais, reduzindo a dependência exclusiva da inflação. Essa mudança visa equilibrar as contas públicas, mas críticos argumentam que ela limita o poder de compra dos beneficiários, especialmente os de baixa renda. A expectativa é que o governo revise a política em 2026, diante das pressões sociais e da necessidade de estabilizar a economia.
- Reajustes acumulados de 150% desde 2023, contra inflação elevada.
- Fórmula de 2024 inclui componentes salariais para equilíbrio fiscal.
- Aumento de setembro foi de 1,9%, com base na inflação de julho.
- Revisão da política é esperada para 2026, segundo analistas.
