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O advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, morreu no domingo (28) em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, vítima de intoxicação por metanol presente em bebida alcoólica adulterada. A causa foi confirmada no atestado de óbito como falência de múltiplos órgãos decorrente da substância tóxica. A família, residente no Sacomã há mais de 30 anos, relatou que ele acordou desorientado e sem visão no sábado anterior, levando à internação imediata.

Essa é a terceira morte registrada no estado desde junho, com o governo paulista confirmando seis casos de intoxicação por consumo de bebidas contaminadas. O Ministério da Justiça emitiu alerta nacional após nove notificações em 25 dias, todas ligadas a ingestão em contextos sociais como bares e adegas.

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A irmã de Marcelo, Fernanda Lombardi, destacou a rapidez do quadro agravante, que impediu esclarecimentos sobre o local exato da contaminação. Autoridades investigam estabelecimentos próximos ao ABC Paulista, onde ele atuava.

  • Principais sintomas iniciais: visão turva e desorientação.
  • Casos sob investigação: dez no total, incluindo um óbito em análise.
  • Bebidas envolvidas: predominantemente vodca, gim e uísque.

Perfil profissional e familiar de Marcelo Lombardi

Marcelo atuava como advogado especializado em direito imobiliário e comandava uma imobiliária familiar no Sacomã, na Zona Sul de São Paulo, há 16 anos. Ele dividia a gestão com a irmã Fernanda, que também é sócia no negócio. A empresa atendia clientes na divisa com o ABC, região onde a família se estabeleceu por gerações.

Casado e morador de uma casa com a esposa e uma cachorrinha, Marcelo mantinha rotina estável, sem histórico de consumo excessivo de álcool. A perda recente do pai, há menos de dois anos, havia unido ainda mais os quatro irmãos, incluindo três irmãs. Fernanda descreveu o irmão como pilar essencial da estrutura familiar e profissional.

Sintomas e progressão da intoxicação por metanol

A substância metanol, um álcool industrial incolor e inflamável, causa efeitos semelhantes ao etanol inicialmente, mas evolui para danos graves no sistema nervoso e óptico. Marcelo acordou relatando apenas um clarão visual, seguido de confusão mental e sonolência extrema.

No hospital, exames de sangue confirmaram a presença do tóxico, mas o paciente já apresentava desorientação severa, impedindo relatos detalhados. A metabolização do metanol produz ácidos que acidificam o sangue, levando a coma e falência orgânica em horas ou dias.

Médicos observaram que doses acima de 10 gramas podem ser letais, com letalidade de até 30% em casos graves sem tratamento imediato. O antídoto fomepizol, usado em protocolos emergenciais, nem sempre reverte danos neurológicos permanentes.

Outros pacientes em SP relataram náuseas, vômitos e tonturas antes da cegueira parcial. Autoridades reforçam que o metanol não tem odor ou sabor detectável, facilitando a adulteração.

Investigação policial e entrega de evidências pela família

A Polícia Civil de São Bernardo do Campo instaurou inquérito para rastrear a origem da bebida consumida por Marcelo. A família pretende entregar nesta semana a garrafa de vodca encontrada em casa e extratos bancários recentes. Esses itens podem indicar compras em adegas ou bares locais.

Agentes já colhem depoimentos de colegas de trabalho e amigos, focando em rotas próximas ao Sacomã e ABC. Um inquérito similar apura outro óbito na mesma região, de um homem de 58 anos, ocorrido em 24 de setembro.

A Secretaria de Segurança Pública monitora fiscalizações em comércios de bebidas, com apoio da Vigilância Sanitária. Até o momento, nenhum estabelecimento foi interditado, mas amostras de produtos suspeitos seguem em análise laboratorial.

Casos confirmados de mortes por metanol em setembro

O primeiro óbito ocorreu em 15 de setembro, envolvendo um homem de 54 anos da Zona Leste de São Paulo. Ele apresentou sintomas nove dias antes e faleceu em unidade privada, com laudo apontando metanol como causa direta.

Em São Bernardo, o segundo caso foi de um homem de 58 anos, atendido no Hospital de Urgência e morto em 24 de setembro. O terceiro, Marcelo, seguiu padrão similar, com internação rápida e óbito no dia seguinte.

Um quarto óbito, de homem com histórico de etilismo, permanece em investigação, sem ligação confirmada com adulteração. Esses eventos elevaram o total de casos fatais para três, contra dois em todo o ano anterior.

Desde junho, o Centro de Vigilância Sanitária registra 16 internações suspeitas, com foco em produtos de origem clandestina.

Possível ligação com importação ilegal de metanol

Associações do setor de bebidas apontam para metanol importado ilegalmente, possivelmente desviado de operações criminosas. Tanques de armazenamento em postos de combustíveis adulterados foram identificados em investigações recentes.

O produto, usado na produção de biocombustíveis, entra no país sem fiscalização adequada e é repassado a fábricas clandestinas de álcool. Em 2024, apreensões de lotes contaminados somaram 50 mil litros em SP.

Autoridades federais ativaram o Sistema de Alerta Rápido para mapear fluxos de distribuição. Bares e distribuidoras recebem orientação para verificar selos fiscais e lotes de fabricação.

Recomendações para evitar contaminação em bebidas

Estabelecimentos devem priorizar fornecedores certificados e testar amostras regularmente. Consumidores recebem orientação para observar embalagens intactas e evitar compras em locais sem procedência.

  • Verifique rótulos com selos da Anvisa e datas de validade.
  • Prefira marcas conhecidas em redes autorizadas.
  • Em caso de sintomas como visão embaçada, procure emergência imediatamente.

O Ministério da Justiça coordena ações intermunicipais para intensificar vistorias em 100 pontos de venda na Grande SP nesta semana. Hospitais preparam estoques de antídotos para resposta rápida.

Histórico de casos semelhantes no estado

Em anos anteriores, intoxicações por metanol em SP ligavam-se a consumo de combustíveis por populações vulneráveis. Este ano, o padrão mudou para adulterações em bebidas de consumo social, com nove notificações em 25 dias.

O Centro de Informação Toxicológica de Campinas, referência estadual, reportou aumento de 200% nos atendimentos relacionados. Casos em Mooca e Cidade Dutra envolvem gim e vodca comprados em adegas locais.

Autoridades descartaram um óbito inicial por falta de evidências toxicológicas, mas mantêm vigilância em 14 suspeitas adicionais.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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