Mortes por metanol em SP chegam a cinco com 22 casos; Tarcísio cria gabinete de crise e interdita baresPor Luís Henrique Costa
Atualizado 5 min de leitura
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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, confirmou nesta terça-feira (30) cinco mortes suspeitas por intoxicação com metanol em bebidas alcoólicas, elevando o número anterior de três óbitos. Os casos ocorreram na capital e na Grande São Paulo desde junho, com 22 ocorrências sob investigação pelas autoridades estaduais. A medida visa conter a disseminação de produtos contaminados em bares e adegas.
Autoridades identificaram os óbitos em vítimas como homens de 38, 45, 48, 54 e 58 anos, com sintomas graves após consumo de vodca, gim e whisky. Tarcísio anunciou a criação de um gabinete de crise para coordenar ações de fiscalização e assistência médica. Estabelecimentos envolvidos foram interditados imediatamente para análise de estoque.
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A rede de saúde estadual e municipal foi mobilizada para tratar pacientes com visão turva, náuseas e falência de órgãos. O governador destacou a importância de denúncias rápidas para rastrear fontes de adulteração.
- Principais sintomas incluem dor abdominal e vertigem;
- Busque emergência ao notar alterações visuais;
- Evite bebidas sem rótulo ou selo fiscal.
Sintomas e tratamento imediato
A intoxicação por metanol afeta o sistema nervoso central em horas após a ingestão. Pacientes relatam tontura inicial seguida de complicações como acidose metabólica. Hospitais em São Paulo registraram internações em unidades como o Hospital do Campo Limpo e o de Urgência em São Bernardo do Campo.
Médicos administram etanol intravenoso para bloquear a absorção tóxica e realizam hemodiálise em casos avançados. Quatro vítimas permanecem em estado grave, com perda irreversível de visão em dois registros. O Centro de Vigilância Sanitária monitora evoluções diárias.
O Ministério da Saúde emitiu alerta nacional, recomendando exames toxicológicos em suspeitas. Equipes de emergência foram treinadas para identificar o quadro rapidamente.
Fiscalizações em bares e adegas
Força-tarefa apreendeu 117 garrafas sem procedência em ações nos Jardins e na Mooca. Dois comércios receberam autuação por irregularidades sanitárias, com análise pericial em curso. A operação envolveu Polícia Civil e Vigilância Municipal desde segunda-feira.
Investigadores rastreiam importações ilegais de metanol, possivelmente desviado de combustíveis adulterados. Mais de 43 mil inspeções ocorreram em setembro nos 645 municípios paulistas. Estabelecimentos devem comprovar origem de produtos para reabertura.
A Divisão de Investigações sobre Infrações contra a Saúde Pública lidera inquérito federal aberto pela Polícia Federal. Amostras de vodca e gim foram enviadas ao Instituto de Criminalística.
Origem da contaminação em bebidas
Bebidas falsificadas usam metanol para elevar teor alcoólico a baixo custo, prática detectada em adegas da zona sul. Um grupo de jovens comprou gim importado em Cidade Dutra, resultando em internações por AVC e cegueira. A substância, incolor e volátil, mascara adulteração em misturas como caipirinhas.
Desde junho, seis casos confirmados ligam-se a consumo em eventos sociais, diferentemente de intoxicações intencionais passadas. O Sistema de Alerta Rápido notificou nove ocorrências em 25 dias, padrão atípico para o Centro de Intoxicações. Fabricantes clandestinos misturam o químico em tanques fechados, segundo associações setoriais.
Autoridades recomendam compras em distribuidores legalizados, com lacres intactos. O risco afeta consumidores em bares noturnos e festas privadas.
Canais de denúncia e prevenção
O Disque 181 da Secretaria de Segurança Pública recebe relatos de vendas suspeitas. O Procon-SP criou linha exclusiva para bebidas adulteradas, agilizando multas. População deve verificar selos fiscais antes de consumir.
- Denuncie via 0800 722 6001 para intoxicações;
- Relate ao Procon irregularidades em rótulos;
- Oriente amigos sobre riscos em happy hours.
Campanhas educativas distribuem folhetos em comércios, enfatizando cheiro adocicado como sinal de alerta. A Secretaria de Saúde planeja workshops para bartenders sobre detecção visual.
Gabinete de crise coordena ações
Tarcísio reuniu secretários no Palácio dos Bandeirantes para mapear estoques contaminados. O grupo integra Vigilância Sanitária, Polícia Técnico-Científica e Ministério Público. Reuniões semanais avaliam progressos em testes laboratoriais.
Reforço em comunicação estatal orienta sobre procedimentos iniciais, como indução de vômito sob supervisão médica. A estrutura aloca leitos extras em UTIs para picos de atendimentos. Parcerias com municípios expandem fiscalizações a feiras livres.
O plano inclui auditorias em importadoras de álcool etílico, fonte comum de desvios. Atualizações diárias publicam locais interditados para evitar compras inadvertidas.
Casos confirmados por região
A capital concentra dez investigações, com óbitos na Mooca e Aricanduva. São Bernardo do Campo registra dois falecimentos em setembro, ambos em hospitais locais. Outros municípios como Limeira e Bragança Paulista somam internações isoladas.
Vítimas incluem profissionais como designer de interiores e auxiliar de produção, afetados em comemorações. Exames do Instituto Médico Legal confirmam metanol em três amostras teciduais. A letalidade eleva preocupação para surtos epidêmicos.
Registros sobem 300% em relação a 2024, impulsionando protocolos de emergência unificados.















