Bancos ativam botão de contestação no Pix para vítimas de fraudes e golpes a partir de 1º de outubroPor Beatriz
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Bancos e instituições financeiras iniciaram nesta quarta-feira, 1º de outubro de 2025, a oferta de um botão de contestação no ambiente Pix de seus aplicativos. A medida, determinada pelo Banco Central, visa agilizar a denúncia de transações fraudulentas por parte dos usuários afetados. O recurso permite que vítimas de golpes ou coerção solicitem a devolução de valores sem contato humano, diretamente pelo celular.
O sistema de pagamentos instantâneos, utilizado por mais de 150 milhões de pessoas no país, registrou um crescimento de 25% nas transações em 2025, alcançando picos diários de 100 milhões de operações. Apesar de fraudes representarem menos de 0,01% do total, o impacto financeiro anual ultrapassa bilhões de reais, o que justifica atualizações constantes na segurança.
A funcionalidade integra o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e foca em situações específicas de risco, como acessos não autorizados ou transferências forçadas.
Funcionamento do botão de contestação
Ao identificar uma transação suspeita, o usuário acessa o histórico de Pix no aplicativo da instituição financeira. Ele seleciona a operação questionada e aciona o botão, informando o tipo de irregularidade, como golpe ou coerção.
O banco do pagador envia notificação imediata à instituição recebedora, que bloqueia os recursos na conta destino, total ou parcialmente. Essa ação ocorre em segundos, priorizando a preservação do saldo para análise posterior.
As partes envolvidas têm sete dias para examinar o caso, compartilhando dados que facilitam o rastreamento de contas ligadas à fraude.
Passos para acionar o recurso
- Abra o app do seu banco e localize a seção de Pix ou extrato de transações.
- Selecione a operação suspeita e clique em “contestar” ou “solicitar devolução via MED”.
- Descreva o incidente, anexando provas como capturas de tela ou mensagens, e envie o pedido.
- Monitore o status da solicitação no mesmo aplicativo, com atualizações em tempo real.
Limitações e prazos de devolução
O botão aplica-se apenas a fraudes comprovadas, excluindo erros de digitação na chave Pix ou arrependimentos em compras. Desacordos comerciais demandam outros canais de resolução.
Para falhas operacionais no Pix automático, a devolução ocorre em até 24 horas. Em casos de golpe, o prazo máximo é de 11 dias após a confirmação, dependendo da disponibilidade de saldo na conta recebedora.
Instituições monitoram contas suspeitas por até 90 dias, permitindo bloqueios adicionais se novos valores entrarem, o que amplia as chances de recuperação integral.
A padronização, via Resolução 493, obriga todas as entidades a oferecerem o canal digital, superando limitações anteriores de atendimento telefônico.
Evolução da segurança no Pix
Desde o lançamento em 2020, o Pix incorporou ferramentas como limites de valor noturno e notificações de infração no Diretório de Identificação de Contas Transacionais (DICT). A atualização de agosto de 2025 permitiu devoluções de contas secundárias usadas por fraudadores, antes restritas à origem da transação.
Essa rastreabilidade, facultativa desde novembro e obrigatória em fevereiro de 2026, compartilha identificadores entre bancos para mapear fluxos desviados. O Banco Central estima que tais medidas desincentivem práticas criminosas ao elevar a taxa de recuperação de recursos.
O volume de transações fraudulentas caiu 15% nos últimos seis meses, graças a motores antifraude e temporizadores de confirmação, mas o autoatendimento representa um avanço na participação ativa dos usuários.
Contribuições do setor bancário
A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) destaca que o MED não eleva barreiras antifraude, mas melhora o monitoramento ao coletar relatos detalhados de vítimas. Leandro Vilain, CEO da entidade, enfatiza a importância de hábitos preventivos, como verificação de links recebidos.
Alex Hoffmann, da PagBrasil, nota que canais digitais já existiam em alguns bancos, mas a obrigatoriedade unifica procedimentos. Em 2024, o Pix movimentou R$ 26 trilhões, consolidando-se como pilar da inclusão financeira no Brasil.
O recurso alinha o país a padrões internacionais de pagamentos seguros, com foco em transparência e eficiência para usuários urbanos e empresas.
Prevenção contra golpes comuns
Fraudes via Pix frequentemente envolvem engenharia social, como mensagens falsas de bancos ou promoções irresistíveis. Usuários devem ativar autenticações de dois fatores e revisar extratos diariamente.
Campanhas educativas do Banco Central recomendam pausas em decisões impulsivas durante transferências. Em 2025, relatórios indicam que 70% dos incidentes ocorrem por cliques em links maliciosos, reforçando a necessidade de vigilância constante.
Integração com Pix automático
O Pix automático, obrigatório para débitos interbancários desde outubro, beneficia-se do botão em casos de cobranças indevidas por falha técnica. A devolução rápida mitiga riscos em recorrências programadas, comuns em serviços de assinatura.
Instituições testaram o recurso em pilotos desde abril, ajustando interfaces para acessibilidade em apps de diferentes plataformas. O impacto esperado inclui redução de 20% nas reclamações relacionadas a fraudes no primeiro trimestre de 2026.







