A operação acelera o desenvolvimento de modelos próprios de inteligência artificial generativa no banco. O pagamento prevê uma parcela no fechamento e o restante diferido ao longo de cinco anos, sujeito a condições.
Itaú amplia controle sobre tecnologia de IA fundacional
A NeoSpace, especializada no desenvolvimento de grandes modelos fundacionais de dados, continuará com gestão e operação autônomas. Bruno Pierobon permanece como presidente-executivo, e o acordo prevê a manutenção da equipe e das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
O banco já detinha participação de 15% na startup desde janeiro de 2025. Na ocasião, liderou rodada de investimentos de US$ 18 milhões, dos quais cerca de US$ 15 milhões partiram do Itaú. A parceria, iniciada há quase dois anos, permitiu o desenvolvimento de modelos treinados com dados do próprio banco.
Esses modelos foram aplicados em crédito, gestão de relacionamento com clientes e prevenção a fraudes. Segundo o Itaú, a parceria vinha demonstrando resultados relevantes e transformadores nessas frentes.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, classificou a aquisição como investimento estratégico. “Queremos que o Itaú esteja entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global”, afirmou o executivo.
NeoSpace mantém autonomia após a aquisição
A conclusão da operação depende de aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil, além de outras condições precedentes usuais. O fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detalha os termos.
A tecnologia da NeoSpace deverá contribuir para a evolução do ia.i, assistente de inteligência artificial generativa do banco. O objetivo é ampliar a personalização de serviços, orientações financeiras e ofertas de crédito adaptadas ao perfil dos clientes.
Os fundadores da NeoSpace incluem Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs. A empresa foi fundada no fim de 2023. Os mesmos empreendedores criaram a Zup, cujo controle o Itaú adquiriu em 2019 por valor-base de R$ 575 milhões, em operação que também previu gestão autônoma.
Termos do acordo de compra da NeoSpace
- Valor total: R$ 2.925.000.000,00
- Forma de pagamento: parcela no fechamento e saldo diferido em até cinco anos, sujeito a condições
- Aprovações exigidas: Conselho Administrativo de Defesa Econômica e Banco Central do Brasil
- Gestão pós-aquisição: autônoma, com Bruno Pierobon como CEO e manutenção da equipe
Aplicações da inteligência artificial no Itaú
- Modelos para análise e concessão de crédito
- Gestão de relacionamento com clientes
- Prevenção a fraudes
- Evolução do assistente generativo ia.i
A aquisição busca fortalecer capacidades proprietárias em inteligência artificial, combinando a tecnologia da NeoSpace com o conhecimento do banco em serviços financeiros. O Itaú informou que a operação dá continuidade à relação existente e acelera a construção de competências consideradas fundamentais para o futuro.
Pierobon, em nota, afirmou que a nova etapa cria condições para aprofundar o trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a continuidade da equipe e da visão que deram origem à empresa. A operação ainda não tem prazo definido para conclusão, que depende do cumprimento das condições regulatórias e contratuais.
