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A perícia do Instituto de Criminalística da Polícia Civil de São Paulo confirmou a presença de metanol em bebidas apreendidas em duas distribuidoras do estado. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pelo secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes. A operação policial, realizada na sexta-feira (3), atingiu 17 locais suspeitos de adulteração de bebidas alcoólicas, no âmbito de investigações sobre crimes contra a saúde pública.

Os laudos positivos ligam diretamente as substâncias tóxicas às mortes recentes por intoxicação. Uma das vítimas fatais consumiu bebida proveniente de uma das distribuidoras interditadas, com registro suspenso. Até o momento, o estado registra 14 casos confirmados de contaminação por metanol, incluindo duas mortes, e 178 em análise, com sete óbitos sob investigação.

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  • Casos confirmados: 14, com laudos atestando ingestão de bebidas adulteradas.
  • Investigações em andamento: 178, aguardando perícias e verificação de circunstâncias.
  • Óbitos totais: 9, sendo dois com comprovação de metanol e sete em apuração.

O governador Tarcísio de Freitas destacou que as ações visam conter a disseminação de produtos falsificados, com foco em destilados como vodca e uísque.

Ação policial atinge distribuidoras e bares em São Paulo

Agentes da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária executaram buscas em 17 endereços na capital e na Grande São Paulo. A operação resultou na interdição de 11 estabelecimentos, incluindo bares, adegas e as duas distribuidoras com metanol detectado. Produtos foram recolhidos para análise, totalizando milhares de garrafas suspeitas.

Foram suspensas preventivamente inscrições estaduais de seis distribuidoras e dois bares, como a Bebilar Comercial e a Brasil Excellance. A medida impede a comercialização até a conclusão das perícias. Equipes apreenderam insumos usados na falsificação, como garrafas reaproveitadas e selos falsos.

Detalhes das vítimas e laudos periciais

O advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, morreu após consumir vodca comprada em adega na Zona Sul da capital. Ele acordou sem visão e sofreu falência de órgãos no dia seguinte. A segunda vítima confirmada, Marcos Antônio Jorge Junior, de 46 anos, faleceu em 2 de outubro após internação grave.

Laudos do departamento científico identificaram metanol em amostras das distribuidoras alvo da operação. A substância, usada industrialmente, causa danos irreversíveis ao fígado, cérebro e nervos ópticos. Sintomas incluem tontura, náuseas e cegueira, com risco de óbito em horas se não tratado.

Tratamento envolve etanol intravenoso para bloquear a metabolização tóxica, mas o diagnóstico precoce é essencial. Hospitais de referência em São Paulo, como o Hospital das Clínicas, atendem casos urgentes.

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Hipóteses de contaminação investigadas

Falsificadores utilizam garrafas descartadas, compradas em mercados clandestinos, para envasar bebidas adulteradas. O metanol surge na limpeza inadequada desses recipientes ou na diluição para aumentar volume, gerando lucro ilícito. Outra possibilidade é erro na produção, confundindo etanol puro com a substância tóxica.

O governador descartou envolvimento de facções criminosas, como o PCC, nos casos. Investigações apontam redes locais de falsificação, com importação irregular de metanol para fins industriais desviados. A Polícia Federal apura distribuição interestadual, com indícios de circulação além de São Paulo.

Operações recentes prenderam fornecedores de rótulos e tampas falsos na Zona Norte da capital. Autoridades estimam que 50 mil garrafas foram apreendidas em ações semanais.

Medidas preventivas e fiscalizações em curso

O governo estadual criou um gabinete de crise com secretarias de Saúde, Segurança e Fazenda. Convênios com associações de bebidas reforçam a logística reversa, garantindo reciclagem adequada de embalagens. Um canal de denúncias para comerciantes permite alertas sobre lotes suspeitos, evitando cassações.

Fiscalizações diárias atingem bares e adegas, com análise de notas fiscais e selos. Consumidores devem verificar lacres e rótulos originais, evitando compras em locais sem procedência. O Ministério da Saúde distribui antídotos para estoques hospitalares.

A Secretaria de Saúde orienta busca imediata por atendimento em sintomas como dor abdominal e confusão mental. Até agora, 15 casos foram descartados após exames clínicos.

Histórico recorrente de adulterações no Brasil

Intoxicações por metanol em bebidas ocorrem desde a década de 1990, com surto na Bahia em 1990 causando 20 mortes. Em São Paulo, os casos de setembro e outubro de 2025 superam a média anual nacional, que é de cerca de 20 notificações. A adulteração visa redução de custos, mas expõe consumidores a riscos graves, como coma e falência orgânica.

Autoridades federais monitoram 195 notificações no país, com São Paulo respondendo por 162. Estados como Pernambuco e Bahia registram investigações iniciais. A nota técnica do Ministério da Saúde exige notificação imediata de suspeitas para agilizar respostas.

A crise atual mobiliza ações integradas, com foco em origem do metanol contrabandeado. Indústrias legais apoiam campanhas contra falsificações, enfatizando selos fiscais como garantia de segurança.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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