Um casal foi encontrado sem vida em uma residência no Jardim Santa Lúcia, em Campinas, na tarde de domingo, 9 de novembro de 2025. A Polícia Civil registrou o caso como feminicídio seguido de suicídio, com a vítima principal sendo uma mulher grávida de oito meses. O crime ocorreu por volta das 14h, na Rua José Lourenço de Sá, e envolveu Denise Tizo de Oliveira, de 27 anos, e seu companheiro Vinícius Franco de Farias, de 29 anos.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência confirmou os óbitos no local, após chamado de vizinhos que notaram ausência de movimentação na casa. A motivação aparente relaciona-se a desentendimentos no relacionamento, conforme relatos iniciais de familiares.
- Denise apresentava ferimentos causados por objeto perfurocortante, compatíveis com arma branca.
- Vinícius tinha lesões semelhantes, indicando autoagressão posterior ao ataque.
- A gravidez avançada da vítima agrava o quadro, com perda do feto confirmada pela perícia preliminar.

Histórico de desentendimentos no relacionamento
O padrasto de Vinícius relatou à polícia que o casal mantinha discussões recorrentes nos últimos meses. Esses conflitos aumentaram após a mudança recente para o imóvel alugado no bairro.
Familiares de Denise mencionaram tentativas de mediação familiar, mas sem sucesso em resolver as tensões. A proximidade da gestação, no oitavo mês, intensificou as disputas, segundo depoimentos colhidos no plantão policial.
Apreensões e procedimentos iniciais
A polícia apreendeu uma faca com vestígios de sangue no local do crime. Dois aparelhos celulares pertencentes ao casal também foram recolhidos para análise técnica.
O Instituto Médico Legal realiza exames complementares para determinar a sequência exata dos eventos. A Delegacia de Defesa da Mulher de Campinas assumiu as investigações, com foco em reconstruir o cronograma das últimas horas.
Casos anteriores de feminicídio na região
Em janeiro de 2025, Campinas registrou o primeiro feminicídio do ano com a morte de Sandra Regina Mercadante, de 49 anos, esfaqueada pelo companheiro. O suspeito foi preso dias depois em Araras, a 80 km da cidade.
No mês de outubro, outro caso envolveu Daniela Alves da Silva, de 33 anos, encontrada asfixiada em um barraco no Jardim Santa Eudóxia. O agressor, preso na semana passada, mantinha desavenças frequentes com a vítima, que possuía medida protetiva contra ex-parceiro.
Em junho, a cuidadora Camila Oliveira Silva, de idade não divulgada, foi atropelada pelo ex-companheiro, configurando o quarto feminicídio do ano na cidade. O autor permanece foragido, e o crime ocorreu próximo a uma escola, com testemunhas oculares.
Elevação nos números de violência de gênero
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo aponta 129 feminicídios no estado até junho de 2025, alta de 4% em relação ao período anterior. Na região de Campinas, o total chega a 23 casos no ano, distribuídos em oito municípios vizinhos.
Campinas lidera com 65 registros desde a tipificação do crime em 2015, seguida por Sumaré com 11 ocorrências no mesmo intervalo. Esses dados refletem monitoramento contínuo das delegacias especializadas.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 registra 1.459 feminicídios nacionais em 2024, com São Paulo entre os estados de maior incidência absoluta. A maioria das vítimas, 64%, é de mulheres negras, e 80% dos crimes ocorrem em ambiente doméstico.
Atendimentos em serviços especializados
A Casa da Mulher Campineira acolheu 700 mulheres nos primeiros cinco meses de 2025, oferecendo suporte jurídico e psicológico. O serviço inclui encaminhamentos para qualificação profissional em parceria com instituições locais.
- Atendimento inicial ocorre 24 horas, com foco em acolhimento imediato.
- Programas de capacitação visam independência financeira das vítimas.
- Equipe multidisciplinar monitora casos de risco elevado.
Registro do crime e próximos passos
O boletim de ocorrência foi lavrado na Delegacia de Defesa da Mulher, com inquérito aberto para apurar detalhes adicionais. Peritos analisam digitais na arma e mensagens nos dispositivos apreendidos.
Testemunhas do bairro forneceram relatos sobre ruídos anormais na residência horas antes da descoberta dos corpos. A polícia solicita informações complementares via disque-denúncia para agilizar o processo investigativo.
A família de Denise organiza o sepultamento para os próximos dias, com apoio de entidades locais. Autoridades reforçam a importância de denúncias precoces em situações de violência doméstica para prevenção de escaladas.

