O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto registraram voto na manhã deste domingo (25), em Brasília, no segundo turno das eleições de 2026. A votação ocorreu na seção 0420 da 18ª Zona Eleitoral, instalada no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficou impedido de ir às urnas por ter condenação criminal definitiva.
Vorcaro e Stefanutto mantêm os direitos políticos porque cumprem prisão preventiva, sem sentença transitada em julgado. O horário exato em que os dois registraram o voto nas urnas na manhã de 25 de outubro de 2026 ainda não foi confirmado.
Condenação de 27 anos no STF suspende direitos políticos de Jair Bolsonaro
A diferença de tratamento eleitoral entre os investigados detidos em Brasília e o ex-presidente da República decorre diretamente do artigo 15 da Constituição Federal, dispositivo que determina a suspensão dos direitos políticos apenas nos casos de condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem os efeitos da sentença. Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em processo relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes relacionados à trama golpista, e cumpre prisão domiciliar humanitária desde março de 2026, condição que não reverte o impedimento eleitoral até o cumprimento total da pena, mesmo no pleito que tem seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência da República.
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Situação de Paulo Henrique Costa e Careca do INSS nas investigações em Brasília
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Alessandro Stefanutto estão recolhidos preventivamente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha. Na mesma unidade prisional e também investigado no caso do Banco Master, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa optou por não solicitar a transferência do título eleitoral e não votou nos dois turnos.
Outro preso apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS é Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele pediu para votar neste domingo (25), mas há divergência sobre o desfecho: enquanto interlocutores da defesa relataram aviso prévio sobre possíveis problemas de logística para o exercício do voto, outra apuração apontou que ele participou da votação na penitenciária.
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Datas das prisões na Papudinha, condenação no STF e votações de 2026
- Setembro de 2025 — Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é preso em investigação da Polícia Federal sobre descontos previdenciários.
- Novembro de 2025 — Alessandro Stefanutto é preso preventivamente na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
- 25 de novembro de 2025 — Transita em julgado a condenação de Jair Bolsonaro no STF e tem início o cumprimento da pena.
- 4 de março de 2026 — Daniel Vorcaro é preso preventivamente na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master.
- Agosto de 2026 — A Polícia Federal indicia Alessandro Stefanutto em um novo inquérito relacionado aos descontos do INSS.
- Setembro de 2026 — A defesa de Daniel Vorcaro apresenta pedido de revogação de sua prisão preventiva.
- 4 de outubro de 2026 — Vorcaro e Stefanutto votam no primeiro turno das eleições após transferência temporária do título para a Papuda.
Regras do TSE para os 12,8 mil presos provisórios aptos a votar em 2026
Para participar das eleições dentro das unidades prisionais, os detentos sem condenação definitiva precisam estar com a situação eleitoral regularizada e solicitar previamente à Justiça Eleitoral a transferência temporária do título para as seções especiais montadas nos presídios em conjunto com a administração penitenciária. Em abril de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu que o trecho da chamada Lei Antifacção que previa suspender os direitos políticos de presos provisórios não poderia ser aplicado no pleito de 2026 por causa do princípio constitucional da anualidade eleitoral, garantindo a habilitação de 12,8 mil presos provisórios em todo o Brasil neste ano, sendo 171 no Distrito Federal, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).
Nos pleitos anteriores, de acordo com dados do TSE, 12.903 presos provisórios votaram nas eleições presidenciais de 2022, e 6.322 detentos obtiveram transferência temporária do título eleitoral nas eleições municipais de 2024.
