Desgaste da eliminação e viagem exaustiva: como o Cruz Azul enfrenta o Flamengo no CatarPor Beatriz
6 min de leitura
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Cruz Azul enfrenta o Flamengo nas quartas de final da Copa Intercontinental, nesta quarta-feira, às 14h de Brasília, no Estádio Ahmad Bin Ali, em Doha, no Catar. O time mexicano chega desgastado após eliminação na semifinal do Apertura 2025 contra o Tigres e uma viagem longa com duas escalas. O confronto, conhecido como Derby das Américas, reúne os campeões da Concacaf e da Conmebol em busca de vaga na semifinal contra o Pyramids, do Egito.
A partida marca o início do torneio para ambos os lados, com o vencedor avançando para o jogo de sábado, às 14h de Brasília. O Flamengo, por outro lado, desembarcou no domingo e realiza treinos adaptados ao fuso horário local, seis horas à frente de Brasília. Já o Cruz Azul, no meio da temporada mexicana, acumula 53 jogos em 2025, contra 75 do rival carioca.
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O técnico Nicolás Larcamón, argentino de 41 anos, comanda uma equipe com forte presença sul-americana. O treinador passou pelo Cruzeiro em 2024, onde dirigiu 14 partidas antes de ser demitido após a final do Mineiro.
- Principais destaques do elenco: nove sul-americanos, incluindo cinco argentinos.
- Artilheiro: Gabriel Fernández, com nove gols em 17 jogos.
- Formação habitual: 3-4-3, com ênfase em meio-campo criativo.
Desgaste acumulado pela maratona de jogos
O calendário europeu adotado no México coloca o Cruz Azul em desvantagem física. A equipe disputou a semifinal contra o Tigres no sábado, empatando por 1 a 1 e sendo eliminada pelo critério de posição na tabela, com global de 2 a 2.
Nahuel Guzmán, goleiro do Tigres, defendeu um pênalti de Gabriel Fernández aos 71 minutos, garantindo a classificação felina para a final contra o Toluca. O incidente destacou a pressão sobre o uruguaio, principal goleador cementero na temporada.
A viagem de Monterrey para Doha, em voo fretado de cerca de R$ 5 milhões, incluiu paradas em Toronto e Paris, totalizando mais de 24 horas de deslocamento. O time mexicano aterrissou na segunda-feira, com menos de 48 horas para se preparar.
Viagem exaustiva e adaptação ao fuso
O itinerário longo agravou o cansaço dos jogadores. Partida no sábado de madrugada, escalas longas e chegada ao Catar na segunda-feira deixaram o elenco com pouco tempo para treinos leves.
O Flamengo, em contraste, viajou no sábado após usar time reserva no Brasileirão e chegou no domingo à tarde local. O Rubro-Negro planeja três sessões de treinamento em Doha antes do apito inicial.
Lesões recentes complicam o cenário para Larcamón. O zagueiro Jesús Orozco saiu lesionado aos 87 minutos contra o Tigres e deve ser baixa, enquanto o goleiro Kevin Mier segue fora.
Ángel Sepúlveda, vice-artilheiro com sete gols em 20 jogos, não viaja e negocia com o Chivas Guadalajara. Luka Romero, apelidado de “novo Messi”, surge como opção no ataque.
Momento instável recente do time mexicano
Nos últimos cinco jogos, o Cruz Azul registra três empates, uma vitória e uma derrota. A irregularidade fica evidente na Liguilla do Apertura, onde empatou na ida contra Tigres por 1 a 1 fora de casa.
O meio-campo, liderado por Lorenzo Faravelli, camisa 8 e campeão da Sul-Americana de 2021 pelo Independiente del Valle, tenta ditar o ritmo. O argentino de 29 anos é peça central na criação de jogadas.
Jeremy Márquez, contratado em julho do Atlas, reforça a transição. Carlos Rotondi e Omar Campos disputam vaga na lateral esquerda, com foco em velocidade contra a defesa flamenga.
A formação base inclui Andrés Gudiño no gol, linha de três zagueiros com Gonzalo Piovi e Willer Ditta, e dupla de ataque com Fernández e Sepúlveda – mas ajustes são necessários pelos desfalques.
Presença sul-americana no elenco cementero
Nove jogadores nascidos na América do Sul formam o núcleo do time. Dois colombianos, cinco argentinos e dois uruguaios trazem experiência internacional para o desafio global.
Larcamón, com DNA ofensivo, implementa esquemas que priorizam posse e transições rápidas. Sua passagem pelo Cruzeiro em 2024 rendeu sete vitórias em 14 jogos, mas terminou após vice no Mineiro para o Atlético-MG.
O treinador argentino assumiu o Cruz Azul em 2025 e levou o time à Concachampions, vencendo o Vancouver Whitecaps por 5 a 0 na final. No México, acumula 22 vitórias em 51 partidas pelo León anteriormente.
Gabriel Fernández, de 31 anos, lidera o ataque com nove gols. O uruguaio, ex-Toluca, marca em 53% das partidas disputadas na temporada.
Técnico argentino e histórico no Brasil
Nicolás Larcamón chegou ao Cruzeiro em janeiro de 2024, contratado pela SAF de Ronaldo Fenômeno. Dirigiu 14 jogos, com aproveitamento de 59,5%, incluindo campanha forte na primeira fase do Mineiro.
A demissão veio em abril de 2024, após derrota por 3 a 1 na final estadual contra o Atlético-MG. O argentino destacou o “processo espetacular” em entrevista recente, celebrando a volta celeste à Libertadores.
No Cruz Azul, Larcamón aposta em coesão sul-americana para superar o Flamengo. O time mexicano tem histórico misto contra brasileiros: empate 1 a 1 com o São Paulo em 2002 e vitória por 1 a 0 na volta da Libertadores.
Ignacio Rivero, uruguaio de 34 anos, é capitão e multifuncional, atuando na defesa ou meio. Sua versatilidade ajuda na adaptação tática contra o poder ofensivo rubro-negro.
O Cruz Azul busca emular o Pachuca, que venceu o Botafogo por 3 a 0 na Intercontinental de 2024 e avançou na Challenger contra o Al-Ahly. A meta é repetir o feito e sonhar com a final contra o PSG em 17 de dezembro.
A transmissão ocorre pelo FIFA+, com cobertura em múltiplas plataformas. O estádio Ahmad Bin Ali, construído com material reciclado, sedia o duelo em capacidade para 45 mil torcedores.
O confronto promete equilíbrio, apesar das vantagens flamengas em descanso e elenco. O vencedor leva o troféu Derby das Américas e avança para enfrentar o Pyramids no sábado, às 14h de Brasília.















