A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) aprovou, nesta quarta-feira (10), em Tasquente, no Uzbequistão, um conjunto de sete alterações principais no regulamento esportivo da Fórmula 1, válidas a partir de 2026. As mudanças, discutidas no Conselho Mundial do Esporte a Motor, visam adaptar a categoria ao novo pacote técnico que entrará em vigor no próximo ano. Equipes e pilotos terão mais flexibilidade em sessões de treinos, especialmente em fins de semana de sprint, para lidar com os desafios dos novos carros.
O encontro ocorreu às 17h14 no horário local de Tasquente, marcando o fechamento das assembleias gerais da FIA para 2025. Representantes das dez escuderias participaram remotamente ou presencialmente, contribuindo para a ratificação das propostas. A decisão surge em meio à transição para veículos mais leves e sustentáveis, com potência dividida igualmente entre componentes elétricos e de combustão.
Essas atualizações respondem a demandas das equipes por maior equilíbrio entre preparação e competição. Com o fim do ciclo atual de regras, a FIA busca prevenir interrupções que afetem o desenvolvimento, garantindo que as mudanças técnicas não comprometam o calendário de 24 corridas.
- Extensão de treinos livres em caso de bandeiras vermelhas durante sprints;
- Aumento temporário no número de profissionais por equipe nas pistas;
- Simplificação nos procedimentos de suspensão e reinício de provas.
Ajustes nos fins de semana de sprint
Pilotos enfrentam limitações de tempo em eventos de sprint, com apenas um treino livre disponível antes da classificação. Interrupções por bandeiras vermelhas agravam a situação, pois o cronômetro continua rodando e reduz o período efetivo de ajustes nos carros.
A FIA optou por permitir a extensão do primeiro treino livre (TL1) nesses casos, restaurando o tempo perdido. Essa medida aplica-se apenas aos seis fins de semana de sprint no calendário de 2026, mantendo as sessões regulares inalteradas.
Equipes como Mercedes e Red Bull já testaram simulações semelhantes em 2025, identificando perdas de até 15 minutos por interrupção. A mudança deve elevar a confiança dos engenheiros na configuração inicial dos veículos.
Preparação para testes e pré-temporada
A partir de 2027, a Fórmula 1 retornará a um único teste de pré-temporada, com três dias de duração. Para 2026, no entanto, o formato será expandido para três sessões separadas, incluindo um shakedown em janeiro no Circuito de Barcelona-Catalunya e duas rodadas de três dias no Bahrein, em fevereiro.
Essa exceção temporária atende à necessidade de adaptação aos novos chassis, 30 quilos mais leves e 10 centímetros mais estreitos. As equipes planejam alocar recursos extras para simulações virtuais, reduzindo custos operacionais em até 20% conforme estimativas internas.
Os testes de pneus fora do calendário também foram atualizados. Os carros usados nessas sessões agora seguem as especificações técnicas de 2026, alinhando desenvolvimento de compostos com o regulamento geral.
A Pirelli, fornecedora oficial, confirmou que as limitações de pneus na classificação de sprint permanecem, mesmo em pista molhada. Essa consistência evita vantagens táticas desequilibradas, preservando a essência estratégica das corridas curtas.
Operações ampliadas nas pistas
O limite de profissionais operacionais por equipe nas pistas subirá de 58 para 60 em 2026. Essa elevação temporária facilita a gestão dos novos modelos, que demandam mais coordenação em pit stops e ajustes aerodinâmicos.
Procedimentos de suspensão e reinício de corridas foram simplificados, reduzindo etapas burocráticas em situações de safety car ou interrupções. O diretor de prova ganha autoridade para decisões mais ágeis, potencializando o fluxo das provas em circuitos como Monza e Silverstone.
Atualizações no dispositivo de aerodinâmica ajustável pelo piloto (SLM para modo de linha reta e CM para modo de curva) garantem alinhamento com as regras técnicas. Esses ajustes finalizam cenários de uso, como ativação parcial em baixa visibilidade, expandindo o gap entre carros sob safety car para até 20 comprimentos.
Em testes preliminares, equipes relataram ganhos de eficiência de 5% em ultrapassagens com o SLM otimizado. A FIA monitorará o impacto nas primeiras corridas para refinamentos adicionais.
Reestruturação do conjunto regulatório
A FIA introduziu a “Seção A”, dedicada a disposições regulatórias gerais, reorganizando o documento em seis capítulos principais. Essa estrutura elimina redundâncias e padroniza a linguagem entre seções esportivas, técnicas e financeiras.
O objetivo centraliza princípios comuns, facilitando a consulta por equipes e auditores. Para 2026, isso integra o regulamento financeiro das unidades de potência, limitando recuperação de energia a 8,5 megajoules por volta em circuitos padrão.
- Seção A: Disposições regulatórias gerais;
- Seção B: Regulamento esportivo;
- Seção C: Regulamento técnico;
- Seção D: Regulamento financeiro das equipes;
- Seção E: Regulamento financeiro dos fabricantes de unidades de potência;
- Seção F: Regulamento operacional.
Essa divisão reflete o compromisso com transparência, especialmente com a entrada de novos fabricantes como Audi e Red Bull Powertrains. Analistas preveem redução de disputas contratuais em 15%, com base em ciclos anteriores.
As mudanças técnicas de 2026, incluindo combustíveis 100% sustentáveis, demandam essa coesão. Equipes menores, como Williams e Sauber, destacam que a reestruturação equilibra o acesso a informações, promovendo paridade inicial na temporada. A FIA planeja atualizações anuais mínimas para manter a estabilidade, focando em segurança e inovação contínua.
