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Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continuam sendo alvos prioritários de criminosos especializados em fraudes previdenciárias. Utilizando a prova de vida como pretexto, golpistas têm diversificado suas táticas para roubar dados pessoais e financeiros, causando prejuízos significativos. As abordagens incluem desde falsas visitas domiciliares até o envio de mensagens fraudulentas por aplicativos e SMS, explorando a desinformação sobre as novas regras do procedimento.

O INSS reitera que a prova de vida foi automatizada e, na grande maioria dos casos, não exige nenhuma ação por parte do segurado. A comprovação é feita pelo cruzamento de informações de bases de dados do governo, como registros de vacinação, votação em eleições, emissão de documentos ou acesso a serviços públicos digitais. O contato direto com o beneficiário só ocorre em situações excepcionais e unicamente através dos canais oficiais.

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Essa mudança, implementada para facilitar a vida dos cidadãos, paradoxalmente abriu uma nova frente para a atuação de estelionatários. Eles se aproveitam do desconhecimento sobre o processo automático para criar um senso de urgência e medo, coagindo as vítimas a fornecerem informações sensíveis sob a ameaça de terem seus benefícios bloqueados.

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INSS – Foto: rafastockbr/shutterstock.com

Como os golpes da prova de vida são aplicados

Uma das táticas mais perigosas envolve visitas presenciais. Criminosos se passam por servidores do INSS, utilizando crachás e uniformes falsificados, e abordam os beneficiários em suas residências. Com a desculpa de realizar a prova de vida, solicitam documentos, senhas e até mesmo a captura de fotos, que são posteriormente utilizadas para validar empréstimos consignados fraudulentos ou abrir contas em nome da vítima.

Outra abordagem bastante difundida ocorre por meio digital. Os golpistas enviam mensagens de texto (SMS) ou contatos via WhatsApp com links maliciosos. As mensagens costumam ter um tom alarmista, informando sobre supostas pendências no cadastro ou a necessidade de uma atualização urgente para evitar a suspensão do pagamento. Ao clicar no link ou responder ao contato, o segurado é direcionado para páginas falsas que capturam seus dados.

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Os dados roubados são o principal ativo dos criminosos. Com eles, é possível não apenas contratar empréstimos consignados, que são descontados diretamente da aposentadoria, mas também solicitar cartões de crédito, realizar compras e cometer uma série de outros crimes financeiros. A recuperação dos valores e a regularização da situação podem levar meses, gerando enorme transtorno para as vítimas.

Um esquema adicional é a promessa de liberação de valores atrasados ou revisões que aumentariam o valor do benefício. Nesse golpe, os fraudadores exigem um pagamento antecipado, alegando se tratar de taxas administrativas ou honorários. Após receberem o dinheiro, eles desaparecem, deixando o aposentado com o prejuízo financeiro e sem qualquer alteração no benefício.

O procedimento oficial da prova de vida do INSS

Desde 2023, a prova de vida do INSS funciona de maneira automática para a maioria dos segurados. O sistema do governo realiza um cruzamento de dados contínuo para verificar se o beneficiário realizou alguma atividade registrada em bases de dados oficiais nos últimos meses. Essas interações funcionam como uma comprovação de vida indireta, eliminando a necessidade de deslocamento a uma agência bancária ou do INSS. Entre as ações que são consideradas válidas estão o acesso ao aplicativo Meu INSS com selo ouro, a realização de empréstimo consignado com reconhecimento biométrico, atendimento presencial em agências do INSS, perícia médica, vacinação, cadastro ou atualização em órgãos de trânsito e participação nas eleições. Essa modernização foi pensada para dar mais comodidade e segurança, especialmente para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Apenas nos casos em que o sistema não consegue encontrar nenhum registro recente é que o INSS envia uma notificação ao cidadão, sempre por meio dos canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS, a Central 135 ou por correspondência, solicitando a realização de alguma das ações válidas.

Descontos indevidos e o direito ao ressarcimento

Paralelamente aos golpes da prova de vida, um esquema massivo de descontos não autorizados em benefícios previdenciários tem afetado milhões de segurados. Investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram que diversas associações e sindicatos realizavam cobranças indevidas, muitas vezes falsificando assinaturas para simular a adesão dos beneficiários aos seus serviços.

Para combater essa prática, o INSS simplificou o processo de contestação e ressarcimento. O segurado que identificar um desconto não autorizado em seu extrato de pagamento pode solicitar o bloqueio e a devolução dos valores diretamente pelo aplicativo ou site Meu INSS. Após a contestação, a entidade responsável pela cobrança é notificada e tem um prazo para comprovar a legitimidade da filiação. Caso não o faça, os valores são estornados ao beneficiário.

Orientações para se proteger contra fraudes

A principal recomendação do INSS é a desconfiança. O órgão jamais entra em contato por telefone, SMS ou WhatsApp para solicitar dados pessoais, senhas, fotos de documentos ou qualquer tipo de pagamento. Qualquer abordagem com essas características deve ser imediatamente encerrada e tratada como uma tentativa de golpe.

Toda e qualquer comunicação ou procedimento relacionado aos benefícios deve ser realizado exclusivamente por meio dos canais oficiais. O aplicativo Meu INSS, o site gov.br/inss e a Central Telefônica 135 são as únicas plataformas seguras para consulta de informações, agendamento de serviços e atualização de dados cadastrais.

Ao receber uma ligação, mensagem ou visita suspeita, é crucial que o segurado não forneça nenhuma informação. A orientação é registrar um boletim de ocorrência na polícia e comunicar o fato ao INSS através da Central 135 ou do portal Fala.BR. A denúncia é fundamental para que as autoridades possam investigar e desarticular as quadrilhas.

A tecnologia como aliada na segurança

O governo federal tem investido em barreiras de segurança digital para proteger os dados dos cidadãos. A conta Gov.br, que dá acesso ao Meu INSS e a outros serviços públicos, possui níveis de segurança (bronze, prata e ouro). O nível ouro, obtido por meio de reconhecimento facial ou certificado digital, oferece a máxima proteção e é recomendado para todos os segurados, pois dificulta o acesso indevido.

A colaboração entre o INSS, a Dataprev, a Polícia Federal e outros órgãos de controle tem sido intensificada para identificar padrões de fraude e agir de forma preventiva. A análise de dados em larga escala permite detectar atividades suspeitas, como a contratação de múltiplos empréstimos em um curto período, o que pode levar ao bloqueio de transações e à investigação das entidades envolvidas.

Canais de denúncia e suporte ao segurado

Para qualquer dúvida sobre a prova de vida ou outros procedimentos, o cidadão deve ligar para a Central 135, que funciona de segunda a sábado. Em caso de suspeita ou confirmação de fraude, a denúncia pode ser feita na ouvidoria do INSS, através do portal Fala.BR, ou diretamente em uma delegacia da Polícia Civil para o registro de um boletim de ocorrência, que é um documento essencial para contestar transações financeiras fraudulentas.

Verificação periódica do extrato de pagamento

Uma prática simples, mas extremamente eficaz, é a verificação regular do extrato de pagamento do benefício. Essa consulta pode ser feita mensalmente pelo aplicativo Meu INSS e permite que o aposentado ou pensionista identifique rapidamente qualquer desconto não reconhecido ou alteração indevida no valor a ser recebido.

Ao transformar essa consulta em um hábito, o segurado aumenta sua própria segurança e pode agir de forma imediata ao primeiro sinal de irregularidade. Detectar uma fraude no início é crucial para minimizar os prejuízos e agilizar o processo de contestação e recuperação dos valores que foram descontados de forma indevida.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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