Acordo comercial entre Canadá e Pequim reduz tarifas e facilita entrada da BYD com veículos elétricosPor Carolina Costa
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Uma nova aliança comercial firmada entre o governo do Canadá e a China promete reconfigurar o mercado de veículos elétricos na América do Norte. Anunciado oficialmente em 16 de janeiro de 2026, o pacto estabelece uma drástica redução nas tarifas de importação para carros elétricos de fabricação chinesa, abrindo caminho para a entrada massiva de montadoras como a BYD.
A medida representa uma mudança significativa na política externa canadense, que anteriormente se alinhava às barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Com o novo acordo, a tarifa sobre os veículos elétricos chineses cai de 100% para apenas 6,1%, tornando os modelos asiáticos substancialmente mais acessíveis para os consumidores locais.
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A principal beneficiária desta nova política é a BYD, gigante global do setor de eletrificação, que agora tem um acesso facilitado a um dos mercados mais promissores do ocidente. O acordo não apenas visa aumentar a oferta de veículos sustentáveis, mas também atrair investimentos diretos da China para a cadeia produtiva automotiva do Canadá.
Detalhes do novo tratado bilateral
O acordo comercial estabelece diretrizes claras para a importação, fixando uma cota inicial de 49 mil veículos elétricos por ano sob a nova tarifa reduzida. Este volume, segundo autoridades canadenses, é equivalente aos níveis de importação registrados entre 2023 e 2024, antes da implementação de restrições mais severas. O tratado também prevê uma cláusula de expansão, permitindo que a cota seja gradualmente ampliada para até 70 mil unidades anuais em fases posteriores, dependendo das condições de mercado e da evolução da parceria. Além da importação de veículos, o pacto inclui compromissos importantes para a cooperação tecnológica e o desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos conjunta, focada principalmente em baterias e componentes eletrônicos essenciais, buscando fortalecer a indústria local e garantir a transferência de conhecimento técnico.
O que muda para o consumidor canadense
Para os consumidores, a principal consequência do acordo é o acesso a uma gama mais ampla de veículos elétricos a preços significativamente mais competitivos. Modelos populares da BYD, como o Seagull, Dolphin e o SUV Yuan Plus, que já conquistaram outros mercados globais, devem chegar às concessionárias canadenses com valores estimados abaixo de 35 mil dólares americanos. Esses veículos são conhecidos por aliar tecnologia de ponta, como as baterias Blade de lítio-ferro-fosfato, a uma autonomia robusta, superando frequentemente os 400 quilômetros com uma única carga, o que os torna ideais para as longas distâncias do país.
A chegada desses modelos acessíveis tem o potencial de acelerar a transição energética no Canadá, incentivando motoristas que ainda consideravam o custo dos EVs um impeditivo. A maior concorrência deve pressionar as montadoras tradicionais a ajustarem seus preços e a inovarem em seus próprios portfólios de entrada. Além disso, os incentivos federais para a compra de veículos de zero emissão permanecem válidos, podendo ser combinados com os novos preços de mercado para tornar a aquisição de um carro elétrico uma realidade para uma parcela maior da população.
Repercussão na indústria e sindicatos locais
Apesar dos benefícios para os consumidores, o acordo gerou reações mistas dentro da indústria automotiva canadense. Sindicatos, como o Unifor, manifestaram forte preocupação com o futuro dos empregos no setor.
Os representantes sindicais argumentam que os subsídios concedidos pelo governo chinês às suas montadoras criam uma concorrência desleal, que poderia colocar em risco a sustentabilidade das fábricas instaladas no Canadá.
O temor é que a entrada de veículos importados a baixo custo pressione negativamente a produção local e desestimule investimentos futuros das montadoras tradicionais que operam no país.
Em resposta, o governo canadense defende que o acordo foi desenhado para proteger a indústria nacional ao incluir cláusulas que incentivam a formação de joint-ventures e a instalação de novas fábricas chinesas em território canadense, gerando novos postos de trabalho qualificados.
A estratégia da BYD para o mercado norte-americano
A BYD posiciona-se como a principal vitoriosa deste novo cenário comercial. A empresa, que já lidera as vendas globais de veículos elétricos, vê no Canadá uma porta de entrada estratégica para consolidar sua presença na América do Norte.
Executivos da montadora já sinalizaram planos ambiciosos, que incluem o rápido estabelecimento de uma rede robusta de concessionárias e centros de serviço em todo o país para garantir a confiança do consumidor.
A visão de Washington sobre o acordo
A decisão do Canadá de trilhar um caminho independente em sua política comercial com a China gerou apreensão em Washington. Autoridades americanas, que mantêm uma tarifa de 100% sobre os veículos elétricos chineses, expressaram preocupação com o risco de triangulação, onde os carros poderiam ser importados pelo Canadá e, posteriormente, ingressar no mercado dos EUA.
A indústria automotiva americana monitora atentamente os desdobramentos, temendo que a abertura canadense possa desestabilizar o mercado integrado da América do Norte, protegido pelo acordo USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá).
Analistas internacionais observam que a medida canadense evidencia uma crescente divisão nas estratégias do ocidente para lidar com o avanço tecnológico e comercial da China, com o Canadá optando por uma abordagem de engajamento em vez de confronto direto.
Projeções para o setor de elétricos no Canadá
O mercado de veículos elétricos no Canadá, que já experimentava um crescimento anual superior a 30%, deve se intensificar ainda mais com a chegada de novos concorrentes. A diversidade de modelos e a queda nos preços tendem a acelerar o cumprimento das metas federais de eletrificação, que preveem o fim da venda de veículos a combustão até 2035.
















