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Caracas mantém uma calmaria tensa exatamente um mês após a operação militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, ocorrida na madrugada de 3 de janeiro de 2026. O país agora é liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo em um mandato inicial de 90 dias, enquanto as estruturas do governo permanecem marcadas pelo legado do chavismo. A ação dos EUA foi justificada por acusações de narcoterrorismo contra o ex-líder e sua esposa, Cilia Flores, que se declararam inocentes em tribunal americano.

A operação não resultou em baixas entre as forças norte-americanas, mas registrou mortes do lado venezuelano, incluindo militares e civis. O foco imediato recai sobre o controle do petróleo, recurso central na economia do país, com os Estados Unidos anunciando vendas iniciais de estoques existentes e planos de administração das receitas. O governo interino rejeita interferências externas diretas, mas avança em reformas que abrem o setor petrolífero à participação privada.

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  • Principais acusações contra Maduro incluem conspiração para narcoterrorismo e tráfico de cocaína;
  • Operação envolveu forças especiais sem ocupação territorial declarada;
  • Plano americano divide-se em fases de estabilização, recuperação e transição;
  • Primeira venda de petróleo pós-captura gerou cerca de US$ 500 milhões.

Origens da crise política nos anos 1980

O Caracazo, em 1989, representou um ponto de inflexão na história venezuelana recente. Protestos populares explodiram em Caracas e outras cidades contra medidas econômicas impopulares adotadas pelo então presidente Carlos Andrés Pérez, que incluíam liberalização de preços e abertura ao capital estrangeiro no setor petrolífero. A repressão às manifestações deixou centenas de mortos e expôs a fragilidade do modelo econômico anterior, baseado na bonança petrolífera dos anos 1970.

Naquele período, a Venezuela vivia uma quebra do Estado após décadas de enriquecimento com o petróleo. A queda nos preços internacionais da commodity agravou o descontentamento social, criando terreno para lideranças alternativas. Hugo Chávez, então militar de baixa patente, participou inicialmente da repressão, mas posteriormente buscou soluções políticas para os problemas identificados.

Ascensão de Hugo Chávez ao poder

Hugo Chávez emergiu como figura nacional após tentativa de golpe em 1992 contra o governo de Pérez. O golpe falhou, mas Chávez ganhou popularidade ao assumir responsabilidade pública, sendo visto como defensor dos interesses populares contra a desigualdade. Ele cumpriu pena breve e, anos depois, concorreu democraticamente às eleições de 1998, vencendo com promessa de redistribuição da riqueza petrolífera.

Chávez assumiu a presidência em 1999 e implementou políticas sociais financiadas pelo petróleo. Programas reduziram temporariamente a desigualdade e erradicaram o analfabetismo em algumas regiões, enquanto o país adotava postura mais confrontativa com os Estados Unidos. Empresas norte-americanas, que dominavam a extração, perderam influência progressiva.

Nicolás Maduro
Nicolás Maduro – StringerAL/ Shutterstock.com

Radicalização após tentativa de golpe em 2002

A tentativa de golpe contra Chávez em 2002 marcou mudança significativa em sua trajetória. Sequestrado brevemente no Palácio de Miraflores, ele retornou ao poder com apoio popular e militar, mas o episódio aumentou a polarização. Chávez iniciou processo de expurgo de opositores no Estado e no setor petrolífero, substituindo profissionais qualificados por aliados.

Essa medida impactou diretamente a produtividade da PDVSA, a estatal petrolífera. A produção caiu e nunca se recuperou plenamente, apesar das maiores reservas provadas do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris. O controle total do Estado sobre o recurso gerou descontentamento interno e dificuldades de gestão técnica.

Transição para o governo de Nicolás Maduro

Nicolás Maduro assumiu em 2013 após a morte de Chávez, em contexto econômico mais adverso. A queda adicional nos preços do petróleo coincidiu com piora da gestão, intensificando a crise humanitária. O governo enfrentou questionamentos sobre legitimidade eleitoral, especialmente em 2018 e posteriormente.

Maduro aumentou a militarização do regime, distribuindo cargos chave a oficiais. Violações de direitos humanos e repressão política sistematizaram-se, enquanto a economia encolheu com hiperinflação e desabastecimento. Milhões de venezuelanos migraram, agravando a crise regional.

Operação de captura e consequências imediatas

Forças americanas executaram a captura de Maduro em 3 de janeiro de 2026, transferindo-o para Nova York. A ação foi descrita pelo governo dos Estados Unidos como tecnicamente perfeita, sem perdas próprias. Do lado venezuelano, registros indicam dezenas de mortes, incluindo militares e cubanos presentes no país.

Delcy Rodríguez assumiu rapidamente a presidência interina, com apoio da Assembleia Nacional. Ela rejeitou ordens externas diretas, mas sinalizou disposição para diálogo em certos temas. O governo Trump anunciou controle temporário sobre vendas de petróleo para beneficiar ambos os países.

Reforma na lei de hidrocarbonetos

A Assembleia Nacional aprovou em primeira instância reforma na Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos. A medida flexibiliza participação privada, reduz impostos e permite arbitragem internacional. O objetivo declarado é atrair investimentos para elevar a produção em 18% ao longo de 2026.

Atualmente, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris diários, fração mínima de sua capacidade. A reforma responde a anos de má gestão e sanções, que reduziram exportações. Os Estados Unidos começaram a flexibilizar restrições em paralelo à abertura.

Vendas iniciais de petróleo sob administração americana

Os Estados Unidos realizaram primeira venda de estoques venezuelanos pós-captura, arrecadando cerca de US$ 500 milhões. Parte dos recursos foi destinada ao governo interino, enquanto outra permanece em conta controlada. A transação envolveu a Citgo, subsidiária da PDVSA nos EUA.

O governo americano pretende manter supervisão indefinida sobre receitas petrolíferas. Declarações oficiais enfatizam uso dos fundos para estabilização interna. A operação utilizou estoques existentes da PDVSA.

Estruturas chavistas mantidas no governo atual

As instituições venezuelanas continuam operando com base no modelo chavista. Militares ocupam posições chave na administração, e políticas sociais herdadas permanecem, embora com recursos limitados. A polarização interna persiste, com bases leais questionando algumas aberturas recentes.

Delcy Rodríguez, antiga vice-presidente, integra o núcleo duro do movimento. Sua gestão inicial prioriza estabilização econômica sem alterações radicais na estrutura política. Eleições não foram agendadas no primeiro mês.

Reservas petrolíferas e potencial econômico

A Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, concentradas na Faixa do Orinoco. O recurso histórico foi bênção e maldição, financiando prosperidade nos anos 1970 e crises posteriores. Produção atual representa menos de 1% do mercado global.

Reformas recentes visam recuperar capacidade ociosa. Projeções indicam possibilidade de atingir 1,5 milhão de barris diários em poucos anos com investimentos privados. A combinação geológica única torna o petróleo pesado, exigindo tecnologia específica para extração.

Reações no cenário regional

Países latino-americanos manifestaram posições variadas sobre a intervenção. Líderes criticaram a ação unilateral, defendendo soberania nacional. Outros observam possíveis benefícios econômicos regionais com estabilização venezuelana.

O governo interino mantém relações com aliados tradicionais, como Rússia e Cuba. Declarações enfatizam continuidade estratégica em fóruns internacionais. Diálogo com os Estados Unidos limita-se a temas práticos, como administração petrolífera.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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